Péssimas condições de trabalho no Walfredo levam médico e auxiliar a cometerem suicídio

Categoria protesta contra sobrecarga de trabalho no maior hospital de urgência do Rio Grande do Norte

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Roberto Campello

Roberto_campello1@yahoo.com.br

Hoje, dia 31 de março, o Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel completa 41 anos de serviço prestado à população. De presente, ganhou mais um protesto. Dessa vez, os profissionais anestesiologistas do Rio Grande do Norte realizaram um ato público, que contou com a presença de poucos profissionais, na manhã desta segunda-feira (31), em frente a maior unidade hospitalar do Rio Grande do Norte. Os médicos protestaram contra as péssimas condições de trabalho e alto grau de estresse as quais os profissionais são submetidos. O Sindicato dos Médicos do Rio Grande do Norte (Sinmed-RN) denuncia que o alto nível de estresse somado as péssimas condições de trabalho foram alguns dos fatores motivadores de dois suicídios de profissionais da unidade nos últimos seis meses.

Hoje à noite será realizada uma assembléia com os profissionais do Hospital Walfredo Gurgel, na sede do Sindicato dos Médicos, quando serão discutidas as medidas a serem tomadas pela categoria para cobrar a solução das demandas apontadas. O presidente do Sindicato, Geraldo Ferreira, não descartou a possibilidade de ser votado um indicativo de greve, em função do nível de insatisfação dos profissionais.

O anestesiologista Geraldo Ferreira, presidente do Sindicato, disse que a insatisfação é causada por fatores como sobrecarga de trabalho, equipamentos quebrados, falta de leitos da UTI, falta de leitos no Centro de Recuperação de Operados, além de instalações sucateadas.

“Nós temos sete salas de cirurgias no Hospital Walfredo Gurgel, mas normalmente só funcionam três, pois nas outras os equipamentos estão quebrados, com mofo, ferrugem. Às vezes ficamos recolhendo os materiais das salas para fazer com que uma pelo menos funcione. Nessa situação de salas reduzidas, muitas vezes temos situação de filas de pacientes graves para entrar na sala de cirurgia e não podem, porque elas estão ocupadas, já que não existem leitos de internamento. Quando precisamos de vaga de UTI, nós temos que improvisar. Sentimos que perdemos muitas vidas que poderiam ser salvas e isso tem gerado uma sobrecarga muito grande”, destaca Geraldo Ferreira.

Aliada a esta situação, o déficit de profissionais é outro agravante na unidade hospitalar. Segundo Geraldo Ferreira, a quantidade de anestesiologistas lotados no Hospital Walfredo Gurgel é insuficiente, sendo a escala, mensalmente, complementada pela Cooperativa, onde os profissionais ganham até quatro vezes mais que os profissionais de carreira do Estado.

“Tudo isso, nos últimos meses levou a problemas de suicídio. Primeiro, tivemos o suicídio de um anestesista e semana passada um auxiliar de enfermagem do centro cirúrgico. Todo mundo do centro cirúrgico está em uma situação de estresse extremo. A maioria está com graves problemas psicológicos, enquanto outros têm que trabalhar mesmo doente, já que não podem faltar, pois o número de profissionais já é bem reduzido”, ressaltou o presidente do Sindicato dos Médicos do RN.

Mais protestos

Na manhã de hoje, os servidores da saúde do RN e os servidores da UFRN realizaram um ato unificado em frente ao Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL). Eles denunciam o aumento da terceirização na saúde pública e pedem a revogação da lei que criou a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), empresa que assumirá a gestão dos hospitais federais, como o HUOL e as maternidades Januário Cicco, o Hospital Pediátrico (Hosped) e Ana Bezerra, este localizado no município de Santa Cruz. Os grevistas também criticam o aumento dos gastos com as cooperativas, que subiram 167% durante o governo Rosalba Ciarlini.

Após o ato, o Sindsaúde e o Sintest realizaram uma caminhada pelas ruas do Centro de Natal, em defesa da saúde pública e em apoio às greves. A greve dos servidores da saúde iniciou em 19 de março, pelo cumprimento do acordo de 2013, pela redução da sobrecarga de trabalho e do déficit de servidores no estado, entre outros pontos. Os servidores reivindicam a aprovação e sanção do Projeto de Lei enviado nesta sexta-feira (28) pela governadora Rosalba Ciarlini aos deputados estaduais, com a correção da tabela do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR), como acordado durante a greve de 2013.

Já os servidores das UFRN iniciaram o movimento em 17 de março e a greve já atinge 27 universidades. Os pontos da pauta específica tratam do aprimoramento da carreira com aumento de piso e step, ascensão funcional, turnos contínuos com jornada de 30h sem redução salarial para manter as universidades abertas nos três turnos, cumprimento integral do acordo da greve de 2012 e revogação da lei que criou a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares/EBSERH – com concurso público pelo Regime Jurídico Único (pela aprovação da ADIN).

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