PIB desaponta do terceiro trimestre – Marco Aurélio Guerra de Sá

A economia brasileira apresentou contração de -0,5% neste terceiro trimestre, devendo crescer no máximo 2% neste ano. Este foi o…

A economia brasileira apresentou contração de -0,5% neste terceiro trimestre, devendo crescer no máximo 2% neste ano. Este foi o pior resultado desde a crise de 2008 e sinaliza que os problemas estruturais da nossa economia não podem ser resolvidos por decisões tomadas nos gabinetes de Brasília. Enquanto o Brasil patina, outras economias latino-americanas como o Chile, Peru e Colômbia crescem acima de 4% ao ano.

De acordo com a teoria econômica, a economia cresce de acordo com a quantidade de recursos (trabalho e capital) que estão dedicados à produção. Estes devem ser utilizados de maneira eficiente, pois são os ganhos de produtividade que alavancam o crescimento econômico. Neste sentido, o Brasil apresenta um problema estrutural grave devido ao baixo investimento em capital. Idealmente, este indicador deveria ser superior a 30% do PIB para uma economia emergente, mas tem ficado abaixo de 20% no caso brasileiro. Além disso, os ganhos de produtividade de nossa economia são relativamente baixos diante dos graves problemas de infra-estrutura existentes. A China cresce a taxas superiores a 7% ao ano porque investe agressivamente em capital, além de apresentar ganhos de produtividade significativos ao construir estradas, portos, redes de tecnologia, hospitais, escolas e universidades.

Desde 2012, temos visto uma sucessão de medidas macroeconômicas tomadas pelo governo  para reativar a dinâmica de crescimento, endereçando algumas destas questões estruturais. As políticas monetária e fiscal foram utilizadas como instrumentos para incentivar o investimento na produção ao longo dos últimos 18 meses, mas apresentaram resultados questionáveis. O corte agressivo da taxa Selic buscava reativar o consumo e induzir o setor industrial a investir a longo prazo (a juros baixos subsidiados pelo BNDES) para atender à crescente demanda. Houve de fato uma explosão no consumo, mas nenhum investimento relevante na produção.  Estas medidas apenas causaram inflação (além do maior endividamento da população de baixa renda), forçando o Banco Central a subir as taxas de juros ao longo deste ano.

No entanto, foi principalmente o uso equivocado da política fiscal que causou a interrupção do crescimento econômico. O governo utilizou tão mal os recursos à sua disposição que acabou por perder a confiança dos investidores. O excesso de gastos públicos, diversos subsídios setoriais e expansão do crédito através dos bancos do governo causaram tamanha deterioração das contas públicas que as agências de crédito internacional recentemente colocaram sob revisão o risco de crédito do país. Ao continuarmos nesta trajetória, poderemos  até perder o grau de investimento conquistado depois de mais de uma década de estabilidade econômica.

A dinâmica de crescimento portanto se inverte neste final de 2013, quando o excesso de desconfiança em relação à política econômica causa retração nas decisões de investimentos. Excesso de consumo sem investimento produtivo não alterará o quadro atual.

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