Pilotos franceses chegam a Natal para exposição inédita da Aéropostale

Mostra tem início nesta sexta-feira (16) na Assembleia Legislativa

Aviao-JA

Nesta quinta-feira (15) foi revivido um momento histórico da trajetória da aviação potiguar. No Aeródromo Severino Lopes, localizado na Lagoa do Bonfim, pousaram dois aviões Cesna e os pilotos franceses que fazem parte da exposição “Memória da Aéropostale”. Na ocasião, a comitiva formada por pilotos e representantes de associações que preservam a memória da Aéropostale foram recepcionados pelas crianças da Banda Sanfônica do Museu do Vaqueiro.

Criada por Pierre-Georges Latécoère em 1918, na cidade de Toulouse, na França, a empresa de correio aéreo Générale Aéropostale desafiava todas as condições da época e fazia com que pilotos heroicos atravessassem as montanhas da França, o deserto do Saara e posteriormente as florestas e intempéries da América do Sul para entregar correspondências.

É justamente a história da Générale Aéropostale que será contada em uma exposição na capital potiguar. A mostra traz à Assembleia Legislativa a partir desta sexta-feira (16) fotos, totens, maquetes de aviões e mapas da época em que os pilotos aterrissavam em Natal em meados da década de 1930, para entregar correspondências, descansar ou reabastecer durante as viagens entre a América do Sul, a França e a África.

Realizada pela Amab (Associação Memória da Aéropostale no Brasil) e o Raide Latécoère, a mostra apresenta o acervo da companhia criada por Pierre-Georges Latécoère em 1918, na cidade de Toulouse, na França. Em território brasileiro, além de Natal, a companhia teve escalas em Recife, Maceió, Caravelas, Vitória, Rio de Janeiro, Santos, Porto Alegre, Pelotas e Florianópolis.

Detalhes e fragmentos dessa história que une a França e o Brasil estarão a disposição do público na exposição, que também contará com a presença de aviadores franceses que realizam o Raide Latécoère com o intuito de celebrar a memória dos grandes pioneiros da aviação e lançar, no Brasil, o projeto de tombamento da rota da antiga Aéropostale pela Unesco.

O médico cardiologista Álvaro Barros, que tem a pilotagem como um hobby, falou sobre a importância da exposição para fixar na memória potiguar o destaque que Natal sempre teve na história da aviação.

“Natal está relacionada a vários pontos da história da aviação, mas eu destaco sua importância no ponto de vista geográfico. A primeira travessia do Oceano Atlântico foi feita por um piloto francês, Jean Memoz, que chegou justamente a Natal. Após essa travessia, estabeleceu-se a existência do primeiro correio aéreo entre a Europa, África e América do Sul”, afirmou o médico.

Segundo registros da história da aviação brasileira, a travessia feita por Jean Memoz durou quase 20 horas sobre o Atlântico, até chegar sobre o Rio Potengi. Dentre as escolas realizadas pela companhia Aéropostale Natal destacava-se por ser o ponto de chegada ao continente sul-americano e possuir base de hidraviões.

Além disso, permeia a história da cidade os relatos dos nativos, endossados pelos documentos de franceses, da passagem de Mermoz, Vachet e também de um dos mais famosos pilotos da Companhia Aéropostale: Antoine de Saint-Exupéry, também escritor e autor do best-seller mundial, O Pequeno Príncipe (1943).

Em dois aviões, o Raide Latécoère faz um programa em cinco cidades brasileiras: Pelotas, Florianópolis, Santos, Rio de Janeiro e Natal. Em todas, visita os eventuais vestígios da antiga companhia e faz o inventário dos mesmos para o dossiê de tombamento, além de abrir exposições temáticas que reavivam a história da companhia aérea.

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