A pioneira do feminismo literário

A marselhesa Antoinette Fouque tinha 32 anos quando o movimento estudantil irrompeu no Quartier Latin e tomou conta de Paris.…

A marselhesa Antoinette Fouque tinha 32 anos quando o movimento estudantil irrompeu no Quartier Latin e tomou conta de Paris. Ela já tinha um diploma em letras e buscava um segundo em ciências sociais. A sociologia era uma moda nos anos 1960.

Dois anos após os acontecimentos parisienses de 1968, que incendiaram o mundo, ela criou um grupo de estudo chamado “Psicanálise e Política”, uma clara influência do cientificismo social de Jean Paul Sartre e do feminismo de Simone de Beauvoir.

Antoinette já era uma das fundadoras do Movimento de Libertação das Mulheres no ano das barricadas estudantis e profícua idealizadora de debates sobre as questões femininas que viriam a ganhar mais notoriedade no ambiente político em meados dos anos 1970.

A formação em letras, aliada aos conhecimentos sociológicos, fez dela uma incansável militante feminista que utilizou a literatura como maior arma de combate aos preconceitos. Sua barricada era formada por livros e revistas, próprios e de terceiros.

Assumiu também a função de crítica literária e fundou a livraria “Des Femmes”, com lojas em Paris, Lyon e Marselha (sua terra natal) e editou a revista “Des Femmes em Mouvement”, cuja linha editorial era totalmente voltada para as questões feministas.

Incansável, lançou o “Journal des Femmes” e inaugurou a “Biblioteca de Vozes”, com todo o conteúdo de livros e revistas sonorizados em fitas cassetes. Lutou por todos que sofreram as agruras da Segunda Guerra Mundial e das ditaduras comunistas do Leste.

No final dos anos 1980, entrou para as fileiras partidárias de um partido reformista liderado pelo milionário Bernard Tapie, ex-ministro do governo François Mitterrand e que presidiu o time do Olympique de Marselha. Em 1994 ela conquistou um mandato.

Então aos 58 anos, Antoinette Fouque assumiu uma cadeira de deputada no Parlamento Europeu, onde continuou sua luta pelas mulheres e pelos emigrantes que entram no velho continente fugindo da miséria econômica e da violência política dos governos.

Na sua editora, ela publicou autoras feministas boicotadas por livreiros franceses, e militantes estrangeiras proibidas em seus países de origem. Mulheres da Espanha franquista, da Argélia machista, do Vietnã comunista, todas tiveram seu apoio literário.

Durante a ditadura do general Franco na Espanha, Antoinette escreveu um longo e vigoroso manifesto contra a repressão ao povo espanhol, enviando suas revistas para o país vizinho e pagando uma página inteira do Le Monde com o texto impresso.

Durante meio século, fez na trincheira editorial sua guerra particular e ao mesmo tempo universal em favor dos direitos das mulheres e dos perseguidos por ditaduras de direita ou de esquerda. Nem a saúde debilitada foi empecilho para se agüentar no batente.

Vítima de poliomelite na infância, encarou sua batalha pessoal e profissional amparada em muletas e depois, com a chegada da velhice, numa cadeira de rodas. Fouque deixou um filho e quatro livros, o mais importante deles “Há dois sexos”, lançado em 1995.

Morreu em 26 de fevereiro e foi sepultada diante de 200 pessoas, a maioria mulheres, no mítico cemitério de Montparnasse, em Paris. Foi parlamentar, cientista social, professora universitária, escritora, editora, crítica literária. Feminista para os íntimos. (AM)

Militância

Há muito que se percebe a sombra ideológica nas ações de alguns promotores públicos e magistrados. É a velha missão revolucionária iniciada nas salas da faculdade onde se compreende as cartilhas socialistas mais importantes que a Constituição “burguesa”.

Proteção

Não surpreende a atitude de uma promotora do DF que ao investigar o uso de telefone celular por José Dirceu no presídio da Papuda tenha omitido do STF a intenção de quebra do sigilo telefônico do Palácio do Planalto, local de algumas das chamadas.

Pesquisas

O lugar comum dessa fase de pré-campanha eleitoral está no fato de integrantes dos maiores partidos comentarem a granel sobre pesquisas internas favoráveis aos seus candidatos. Mas, divulgar as tais pesquisas que é bom, ninguém se aventura, né?

Papo furado

Também é comum a lábia militante que sempre se refere a pesquisas qualitativas que indicam bom posicionamento dos seus candidatos, ludibriando até colunistas, que publicam a sandice. Ora, nenhuma aferição qualitativa revela índices eleitorais.

Nada de novo

A militância petista nas redes sociais vem alardeando que é preciso gente nova contra as oligarquias. Mas as alternativas “novas” que apóiam são as velhas lideranças da esquerda, todas com mais de 30 anos de atuação, como Fátima Bezerra e Mineiro.

Tudo de velho

Enquanto o PMDB gaúcho decide, uma reverência a um ícone partidário, manter a candidatura à reeleição do senador Pedro Simon, 84 anos, o PT paulista tenta puxar o tapete de Eduardo Suplicy, 73, buscando substituto para o mandato do manso senador.

Bandidagem

“Para você que está se queixando pelos direitos humanos de delinqüentes: adote um bandido, leva para sua casa e deixe fora das nossas”. Aspas do empresário Marcelo Carvalho, um dos donos da Rede TV! e apresentador do programa Mega Senha.

Mercado

Há uma regra consagrada e sagrada no mundo dos negócios, quer seja no âmbito da micro ou da mega empresa. Quando você passa a atacar seu próprio ramo, está apenas dando um tiro mortal no pé. O corporativismo só é venal e fatal no campo pessoal.

Futebol

Uma coincidência nas últimas edições da Champions League está entusiasmando a torcida do Atlético de Madrid. É que nos anos de 2008, 2010, 2012 e 2013 as equipes que conquistaram a taça foram aquelas que eliminaram o Barcelona. Valerá a regra agora?

Perigo

Na Copa de 1982, o sambista Luiz Ayrão fez o Brasil inteiro cantar a ufanista música “Meu Canarinho”. O pássaro da seleção foi abatido no vôo por Paolo Rossi. E agora, Ayrão fez outra música copeira, “O Menino da Camisa 10″. Sei não, viu, sei não!

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