Pipoca de luxo

Quando alguém vai a um banco e pede para fazer empréstimo, sabe que virão juros torturantes o suficiente para dobrar…

Quando alguém vai a um banco e pede para fazer empréstimo, sabe que virão juros torturantes o suficiente para dobrar a dívida. Aí reclama depois. Banco não dá nada de graça a ninguém, a não ser material publicitário e mensagens telefônicas oferecendo vantagens e produtos que sairão indigestos para o freguês. Mas os bancos nasceram para lucrar sobre a humanidade e não vale reclamação de quem sabe as regras e joga de acordo com elas.

Acho o errado o legalismo furioso para punir o Jogo do Bicho. Aí eu sou contra porque ninguém investiga as loterias oficiais do Governo Federal. O Jogo do Bicho é popular, emprega muita gente e não me recordo de ninguém reclamando por não ter recebido o prêmio. O paralelo da violência, é outra história.

Nem conheço bicheiro e nem faço minha fezinha, que está frágil no mundo de hoje, onde não cabe crédulo nem bom, termos constantes do telegrama de Djalma Marinho a Aluizio Alves quando este venceu a disputa radical pelo Governo do Estado em 1960.

Aluizio viu picardia no crédulo e no bom, adjetivos atribuídos por Djalma ao povo e nunca respondeu. Para Aluizio, Djalma estava chamando o povo de ingênuo, o que não acredito, pela fleuma e a diplomacia presentes em sua história.

Djalma reclamava do gesto de Aluizio, mas sabia que ambos haviam saído de uma luta renhida, de separar amigos e famílias, portanto, também não deveria reclamar de regras que não existiam naqueles tempos de paixão ensandecida. O sangue ainda fervia quando o telegrama foi enviado.

Se você sabe o que existe, as perspectivas desfavoráveis a enfrentar ou os perigos iminentes, é masoquista se insiste em partir para encarar o complicado. Na dúvida, fique quieto, permaneça no 0x0 do silêncio, partida na qual ninguém vence ou perde, nem goza nem dá vexame nos duetos íntimos.

Vai passear com cordão de ouro em área de risco, cheia de marginal? Está pedindo para ser roubado. Na Europa em geral, continente civilizado, a própria polícia e os hotéis previnem os turistas sobre locais perigosos. A insegurança é geral por aqui, é quase unanimidade, porém nunca haverá um policial para cada habitante.

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É o caso de quem está irritado com os preços cobrados na Arena das Dunas, estádio da Copa do Mundo em Natal. Dizem que um saco de pipoca custa 10 reais por lá, tornando inviável a presença de famílias de classe média baixa, a designação nobre de pobre. Fora a pipoca, vem o refrigerante, um sanduíche para agradar a namorada(dois, se o caboclo comer também) e a conta sai por uns 20% do salário mínimo ao final da peleja, incluído o passaporte, ops, ingresso.

O público pequeno verificado nos jogos disputados até agora no palco do Mundial, decantado em discursos e inflamadas opiniões da mídia isenta é a constatação prática: quem pode pagar para entrar na Arena das Dunas é a minoria, é a classe de maior poder aquisitivo.

Saltita animada e desvairada a turma do deslumbre, disposta a atrasar contas básicas de sobrevivência para conhecer o monumento fincado às margens da BR-101. É opção preferir uma partida a quitar a tarifa de energia elétrica. É direito de quem faz a opção. Nada paga espalhar a foto no Instagram ou no Facebook.

Ocorre que não se pode reclamar dos preços e normas da Arena das Dunas. De forma alguma. Tudo o que está sendo feito, está sendo imposto e ainda for determinado, é para ser cumprido candidamente por quem sabia que na iniciativa privada, quanto mais sob a batuta de uma empreiteira, o buraco é direto no bolso.

Para construir a Arena das Dunas, o poder público deu como garantia do empréstimo para custear a obra, o filé do seu patrimônio, como o Aeroclube, o Parque Aristófanes Fernandes em Parnamirim, o antigo Vale das Cascatas na Via Costeira, a Academia de Polícia ali na Avenida Alexandrino de Alencar, o terreno do DER onde está o Batalhão de Choque da PM, toda a área do Bope na Zona Norte, outros terrenos em áreas nobres, ações e royalties.

Tudo por quatro jogos, um deles clássico, Itália versus Uruguai. Depois, a conta continuará sendo paga por anos além. Preste atenção no que a sua vida vai mudar depois.

Amigo da pipoca, é tarde pra chiar do cardápio de shopping center na Arena das Dunas. Você já sabia, se vai na teimosia é porque quer. O que é luxuoso é caro e o que é caro ficou para quem tem dinheiro. Se você não tem, coma sua pipoquinha em casa. Calado.

 

ABC em Mossoró

O ABC joga em Mossoró e a vitória contra o Baraúnas, mais do que as chances matemáticas de continuar acreditando no segundo turno, seria decisiva para o resgate da dignidade do clube. ABC em 6o lugar num campeonato com o do Rio Grande do Norte é inadmissível.

Lucio Curió

É melhor começar o jogo com o atacante Lúcio Curió, esgotar seu fôlego e talento e garantir placar para vencer, ou colocá-lo para salvar o time? A primeira opção parece agradável, mas quem decide é o técnico Roberto Fernandes.

Alfredo

O América perderá caso o atacante Alfredo não jogue amanhã contra o CRB. Uma hipótese seria adiantar o meia-atacante Rafinha para jogar ao lado de Adriano Pardal. A ausência do goleiro Andrey pode ser compensada por Dida, que foi bem contra o ABC. Fernando Henrique conclui avaliação médica.

Arara em dificuldades

Ponta-esquerda habilidoso do América brilhante nos anos 1970, Ivanildo Arara passa por graves problemas de saúde. Fez cirurgia de câncer na próstata e no dia 10 de março, vai para a faca outra vez, corrigir uma lesão no fêmur.

Bicampeão

Autor do gol de falta que garantiu o bicampeonato rubro em 1975, Ivanildo conquistou ainda o título de 1977. Lembrou o ex-presidente José Rocha. Aos 63 anos, mora em Recife e lembra com saudade dos clássicos jogados para 40 mil pessoas. “Futebol era naquele tempo. Casa cheia e muito craque”, ele me disse. Faz tempo, Ivanildo, tempo encerrado.

Qualidade

Em entrevista ao Sportv, Zico disse que a falta de qualidade é motivo para pouca gente nas arenas.

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