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PIQUENIQUE DE ONTEM E DE HOJE

Data: 23 março 2013 - Hora: 11:44 - Por: Bob Motta

Tai um assunto gostoso e hilariante de ser tratado ?!… Piquenique, cenário de todo e “quaiqué presépe” que a mente humana seja capaz de imaginar… E como eu já “tô canso de falá” para vocês, queridos e queridas leitoras do Cantinho do Zé Povo; essas “arrumação parece qui me percura”!… Ais munganga num iscói o tipo de piquenique mode aparicê; pode ser piquenique de escola, de reunião de família, de colegas de trabalho, de comunidades de bairros; seja qui danado de tipo for… Mas vamos começar falando pelos piqueniques de outrora; das antigas; alguns dos que tive a felicidade de participar e/ou tomar ciências das “acuntecença” duis mêrmo. Na década de 50, por exemplo, meu pai só tinha a Fazenda Lucas, em Campina Grande; a Malhada de Roça, em São João do Cariri; o Riacho do Padre, Poço e Riachão de Boa Vista, entre os municípios de Gurjão-PB e Campina Grande; município do qual, Boa Vista era apenas e tão somente um Distrito. Papai, nas férias do meio do ano; sempre passava 15 dias no Lucas e 15 dias na Malhada de Roça. Quando estávamos numa, fazíamos piquenique para a outra e vice versa. O caminhão, dirigido por Givaldo Malaquias, era transformado num pau de arara melhorado, com direito à carroceria forrada com colchões, almofadas e tudo o mais. De véspera, mamãe, cumade Zefinha e cumade Luzia; passavam o dia trabalhando, fazendo “ais cumiduria” prá nóis se deleitá. Saíamos bem cedinho e voltávamos no entardecer, felizes da vida com tudo o que tivesse ocorrido; principalmente com as gafes que serviam de motivo para mexermos uns com os outros. Aí falei de um piquenique familiar. Nessa mesma época, aqui em Natal, vez por outra, papai emprestava o caminhão para os funcionários do curtume fazerem seus piqueniques. Os mais famosos eram para a Lagoa do Bonfim; como esse do qual vou falar. Foi a rapaziada toda, sob o comando de seu Valério Motorista, do Véio Fulêro, ainda muito jovem e presepeiro. Aí já apareciam umas mungangas mais fortes… Desta feita, ao chegarem à Lagoa do Bonfim, já se toparam com a dificuldade para estacionar o caminhão com a rapaziada e suas famílias, eram “n” comunidades que tiveram a mesma idéia naquele dia. Valério era um sujeito bacana, mas inocente “inté a raiz duis cabelo da cabeça de cima”…  E um do meio da mundiça nossa, não lembro bem se foi Milton Zerino, aquele mesmo Miltinho que foi lateral direito do Alecrim F.C, a quem deu muitas alegrias; mas parece que foi… Acercou-se de uma jovem meia avantajada de coxa, bunda, peito e tudo o mais esborrotando pelo maiô; pois não havia biquíne naquela época; e quando Valério mergulho perto da jovem, ele mergulhou também, meteu o dedo com toda força no meio “dos morros gêmeos da bunda da jovem” e saiu do mergulho lá na frente… A jovem entre indignada e espantada, ficou à cata do autor da façanha, quando o pobre do Valério emergiu bem pertinho dela; que não contou conversa:
- Cabra senvergonha; tarado, fela da p…
E Valério, inocente e espantado; perguntou abestalhadamente:
- Por que você está me maltratando se eu não lhe fiz nada ?
- Não fez nada o quê, seu nojento; meteu o dedo no meu “butico” e ainda diz que não fez nada ?!
O irmão da jovem, que ouviu a discussão; não quis nem conversa; dano uma pedra na boca de Valério; o que gerou uma puta de uma confusão entre os componentes das duas turmas… Já nos piqueniques de hoje; não é muito diferente; no que pese as melhores condições de locomoção, a “farofada é do mesmo jeito” e as confusões são quase as mesmas… Logo que chegam ao destino; procuram logo onde armarem o acampamento, de preferência à sombra de um cajueiro. Depois de meio dia, quando a rapaziada já está “a mais de meio lastro”, começam os cús de burro; e na hora de voltar, alguém grita:
-Tá faltando fulano; ramo procurá.
Outro, para por lenha na fogueira, emenda:
-Ele saiu cum a namorada de Tônhíin; todos dois bebo; lá prá detráis daquele morro; devem tá “chimbando”!…
E durante o trajeto de volta, a resenha; num sei quem cumeu num sei quem; fulano tava fumando maconha; a namorada de fulano deu in riba de um home casado e a muié “s’ispoletô”; e às vezes, tem a pior descoberta:
- Pegaro fulano dando o frande e ninguém sabia qui ele era viado!…
Pode perguntar a quem quer que seja e tenha participado de algum… Se num fô assim; como dizia a finada Maria Rita (cozinheira da Fazenda Pocinhos); “eu dê um colápi”!..

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