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Pitangui tem fim de semana de música, dança e esporte

Data: 12 janeiro 2013 - Hora: 18:55 - Por: Conrado Carlos

Antes de chegar a Extremoz, o trecho da avenida Moema Tinôco que cruza o conjunto Parque das Dunas e o bairro de Pajuçara, cumpre a risca o papel de inimigo para turistas e veranistas que planejam chegar a Pitangui. Com lixo e buracos a cada metro percorrido, o motorista faz um perigoso malabarismo na pista de mão dupla, até chegar à estrada carroçável conhecida como Gramorezinho, trajeto alternativo e mais curto que a estrada de Genipabu rumo às praias do Litoral Norte. A via de barro é ponto conhecido de desova de cadáveres, devido ao inóspito matagal que cobre a área.

A reportagem tinha um destino: a praia de Pitangui, onde a Prefeitura de Extremoz, através do projeto Verão Legal 2013, oferece uma gama de serviços e entretenimento para uma população que, segundo a ONU, tem o mesmo Índice de Desenvolvimento Humano de países como Botsuana, na África, e o vizinho Suriname. É a primeira etapa de um total de quatro, organizadas nos pontos de destaque na pauta do turismo do município da Grande Natal (além de Pitangui, Barra do Rio, Balneário da Lagoa de Extremoz e Genipabu). Na manhã deste sábado (12), foi realizada a  festa de abertura.

Pelo quinto ano consecutivo, ações das secretarias de saúde, cultura, esporte e ação social são voltadas para nativos e visitantes, durante o verão. Frequentadores do primeiro dia de Verão Legal seguiram o roteiro de um passeio ciclístico, acompanharam um torneio de futebol de praia, viram exibições de um grupo de capoeira e da banda marcial da cidade, para, enfim, encerrarem ao som de Adson dos Teclados. Uma tenda ao lado da palhoça Zanzibar faz a vez de posto de saúde improvisado, onde pressão arterial, nível glicêmico, índice de massa corpórea, postura, peso, tamanho são medidos por uma equipe da respectiva secretaria municipal.

Enquanto isso, voluntários perambulam pela areia e distribuem panfletos explicativos sobre dengue, doenças sexualmente transmissíveis e  cuidados com a pele e alimentação durante os meses mais quentes do ano. O operador de som gritava palavras sem sentido, no momento em que o coordenador de eventos da prefeitura, Domingos Sávio, falou à reportagem. “Esse ano nós temos um diferencial que é o local escolhido. Agora estamos mais próximos à praia e, consequentemente, dos banhistas. Temos mais envolvimento com a comunidade, que está participando do evento”.

Com o intervalo na passagem de som, o berimbau e as palmas do grupo de capoeira Nossa Terra ressoam feito um chamado festivo. Comandados pelo jovem professor Jair Valério, 19 anos, 14 alunos ensaiam os últimos movimentos antes da apresentação de 20 minutos da roda com saltos jogos de luta. “Hoje tem muita importância para a gente, pois mostraremos nosso trabalho para a criançada, que pode estar se envolvendo com droga por aí, e ainda ficamos conhecidos na cidade. Com isso, podemos chamar o jovem para uma atividade afrobrasileira”.

Até que o mestre de cerimônia anuncia que em cinco minutos terá início o torneio de futebol à beira mar. Doze times com cinco jogadores de linha, mais o goleiro, disputarão os troféus para quem ficar entre os três melhores. Em seu mandato de estréia, o vereador Josias de Oliveira Farias (PMN) é o responsável por conduzir a peleja desportiva, na atividade com maior concentração de pessoas. Jovens de todas as idades aguardam ansiosos em ver a bola rolar. Um deles é Leanderson Nascimento, de 18 anos.

“Isso é bom demais. Vim com uns amigos e estou doido para jogar. Ganhando ou não, vale pelo dia aqui na praia com a galera”. Dois tempos de dez minutos delimitam as partidas. Do lado de fora, os competidores têm a disposição água de côco, salada de frutas e caipirinha. No campo marcado na areia com uma mangueira verde, um grupo de idade variada trava uma pelada preparatória para o torneio oficial. O atraso vigente força uma nova investida do anunciador: “Agora, com vocês, a banda marcial da cidade de Extremoz!”.

Formada por 25 músicos criados entre os oito bairros e 29 distritos que compõem Extremoz, a banda liderada pelo maestro Tony Weskley, afina instrumentos das sessões de sopro e percussão, em preparação para o show prestes a começar. O repertório executado há dois anos ganhou dois ensaios, antes de ser executado no palco de Pitangui. Temas de Tim Maia, The Fevers, um pot-pourri de músicas eletrônicas e marchinhas clássicas, como Saca Rolha, Cabeleira do Zezé e Maria Sapatão.

Sentada em uma cadeira diante do palco, a clarinetista Alcilene de Moura do Nascimento observava os colegas de banda. Com o instrumento quebrado, ela virou parte da platéia. “Logo hoje, né? A gente toca em todo evento da Prefeitura, e esse aqui é o mais legal. Mas, infelizmente, vou só olhar”. A jovem de 25 anos conheceu o clarinete na igreja evangélica que freqüenta. “Eu não gosto das músicas que tocamos, como evangélica que sou, mas temos que ser ecléticos e tocar o que o povo gosta”.

O Verão Legal 2013 está agendado para ocorrer nos fins de semana, até o dia 02 de fevereiro. Como incremento da economia praiana local tem atingido objetivos, ainda que a divulgação entre a população tenha sido escassa. Para Maria das Dores Lima de Almeida, dona de um misto de uma cigarreira adaptada como bar, o movimento “está bom. Eu nem sabia desse evento. Mas acho que vou vender o que pretendi quando sai de casa, que são umas cinco caixas de cerveja”. São 60 anos entre Pitangui e Genipabu. Como ação preventiva para problemas de saúde e entretenimento, “até que está bom”.

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