Planos, planos – Vicente Serejo

O Brasil gosta de planos, Senhor Redator. E de bons planos, diga-se. Nas gavetas de Brasília dormem os maiores e…

O Brasil gosta de planos, Senhor Redator. E de bons planos, diga-se. Nas gavetas de Brasília dormem os maiores e melhores planos do mundo. Aqui fora, nas ruas e nos sítios, esses bons sonhos ainda todos irrealizados. Como há quinhentos anos: a saúde não é digna para todos; a educação não produz uma verdadeira cidadania e o desenvolvimento não gera emprego. Sobra plano e falta vontade de executá-los. Vontade política, como quando construímos doze arenas da Copa em tempo recorde.

Nossos planos são preferencialmente ambiciosos. A presidente Dilma Rousseff, nesta véspera da luta pela reeleição, assinou o novo Plano Nacional de Educação com metas para os próximos cem anos. Uma beleza. Como escreveu o professor Naercio Menezes Filho, no artigo ‘O Plano Nacional de Educação’, é uma proposta nascida dos ‘movimentos corporativistas para conseguir transferir mais recursos da sociedade sem que haja uma cobrança de eficiência na aplicação desses recursos’.

E a seguir vai aos dados que lastreiam seus argumentos como, por exemplo, a proposta de ter em dez anos um país com 50% dos seus professores da educação básica com pós-graduação quando hoje ainda temos 22% deles com apenas o ensino médico, ou seja, sequer cursaram a graduação. Se ainda temos um contingente a ser graduado, como, em dez anos, todos estarão pós-graduados além do superior? Temos um programa de formação capaz de garantir uma meta tão grande numa década?

Mais. O plano define que o salário dos docentes da educação básica, independentemente de sua formação, deverá se aproximar dos salários dos docentes com nível superior. É justo, mas a meta, em números reais, exigirá passar os salários dos atuais R$ 1.874 para R$ 3.623, ou seja, a injeção de R$ 45 bilhões por ano, considerados, como adverte o articulista, os dois milhões de professores na educação básica. A garantia é conquista de 10% do PIB, limite a ser atingido em 2020. É confiável?

O novo PNE, segundo o professor Naercio Menezes Filho, só alcança as próprias metas se o governo investir mais R$ 180 bilhões. E pergunta: ‘De onde viriam esses recursos?’ Ele questiona: ‘Atualmente, o governo federal é responsável por 20% dos gastos totais com educação, sendo que suas despesas estão concentradas no ensino superior. A sua contribuição, ‘corresponde a apenas 11% do total, incluído a complementação do Fundeb, Pronatec e recursos que vão direto para a escola’.

Sem rigor no PNE e no controle de qualidade, não há como garantir que os investimentos nos próximos dez anos promovam uma educação de qualidade. A carga financeira maior será federal, mas, como adverte Menezes, há uma previsão de R$ 134 bilhões de receita para um investimento previsto de R$ 180 bilhões, enquanto ‘várias pesquisas mostram que a abundância de recursos dificulta a aprovação de reformas que melhore a eficiência do sistema’. São planos. Muitos planos.

MACAÍBA – I

Já não é bem aquele o quadro de Macaíba como nas primeiras notícias que chegaram a esta coluna. Há números que apontam uma altitude boa e mais alta do avião pemedebista com novos passageiros.

REFLEXO – II

O prefeito Fernando Cunha é, sem dúvida, a liderança mais expressiva junto aos macaibenses, mas a sua capacidade de transferência pode não ser tão grande quanto seu desempenho quando é candidato.

REAÇÃO – I

A aguerrida vereadora Amanda Gurgel não gostou nem um pouco da perspicácia da candidata Wilma de Faria propondo a Lei do Passe Livre nacional, votada pelo Congresso e se eleita senadora federal.

ESTILO – II

Muito nova, a professorinha Amanda cumpre aquela puberdade política dos jovens que se julgam a medida de todas as coisas. Com o tempo descobrirá que a política não é de brincadeira. Como a vida.

ALIÁS – III

Para se ser justo, é preciso dizer que a governadora assumiu a bandeira do prefeito Carlos Eduardo que assinou a Lei do Passe e seu candidato a presidente, Eduardo Campos que deseja nacionalizá-la.

PESQUISAS

A experiência como articulador tem sido a melhor arma do candidato Henrique Eduardo aliada a uma forte estrutura partidária de deputados federais e estaduais somando um acervo considerável de votos.

EFEITO

O prefeito Carlos Eduardo aderiu cedo e sem fixar condições compatíveis com seu peso político. É como explicam as fontes políticas quando avaliam seu papel, até agora, de pouca relevância na cena.

ATENÇÃO

Fátima Bezerra contabilizou bem o que tem sido marca sua: a luta pelo VLT – Veículo Leve sobre Trilhos. A liberação de R$ 53 milhões para Natal mostra que ela está na pauta do Planalto do Planalto.

FICHA

Com mais de 70% de aprovação na capital, num eleitorado de difícil conquista, o prefeito corre o risco de sair da luta sem um acervo compatível com seu peso. Preservar-se em excesso pode ser ruim.

DISPUTA

Os olhos que andam pelas bases do interior atestam: Walter Alves e Rafael Mota disputam a cabeça da chapa de deputado federal numa faixa que hoje oscila, pelas previsões, entre 180 e 200 mil votos.

TRIZ

Câmara Cascudo é a fonte na Blogosfera, na edição de Veja desta semana, na explicação da origem de ‘por um triz': Vem de uma anedota de Cícero, o romano e tem a ver com a ‘Espada de Dâmocles’.

GRAVE

O recorde de mil homicídios, antes que o ano acabe, é o sinal evidente de que as nossas polícias não controlam nada. De um lado a ausência da militar; do outro a impunidade já que a civil não investiga.

BIBLIA

O céu e o inferno, com seus anjos e demônios, estão todos na edição especial de Mundo Estranho que está nas bancas. O céu e inferno com suas capas, bem separadas, como há de ser na vida e na morte.

GUERRA

Na edição de julho de História, a revista da Biblioteca Nacional, os cem anos da primeira guerra e a reportagem sobre a expedição de Euclides da Cunha para fixar as fronteiras brasileiras na Amazônia.

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