PM e bombeiros esperam por resposta do Governo para decidirem sobre greve

Paralisação da categoria está prevista para começar na próxima terça-feira (22). Principal pauta é a criação da Lei de Promoção de Praças

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Diego Hervani

diegohervani@gmail.com

Se a segurança no Rio Grande do Norte passa por um momento complicado, a situação deve piorar na próxima semana. Reivindicando a homologação da Lei de Promoção de Praças e melhorias nas condições de trabalho, os Policiais e Bombeiros Militares só Irã esperar até o fim desta quarta-feira (16) por uma resposta do Governo sobre as reivindicações para decidirem se entram em greve na próxima terça-feira (22).

“Estamos acampados desde terça-feira da semana passada (8 de abril) e tivemos com o secretário de segurança (General Eliéser Monteiro). A única coisa que ele nos disse era de que não iria negociar conosco enquanto estivéssemos acampados na Governadoria. Achamos essa atitude totalmente autoritária. Ele está chegando agora, pegando o bonde andando e está tendo esse tipo de atitude. O nosso acampamento não está atrapalhando nada. O Governo encerrou o diálogo e iremos entrar em greve na próxima terça-feira”, destacou o presidente da Associação de Cabos e Soldados do Rio Grande do Norte, Roberto Campos.

A principal reivindicação segue sendo a homologação da Lei de Promoção de Praças, que estaria “engavetada” no Gabinete do Governo do Estado desde 2012. “Atualmente a pessoa que entra nas corporações não têm expectativa de ascensão. Com 30 anos de serviço um policial militar se aposenta, mas existem casos que a pessoa se aposenta como soldado. Queremos que isso mude. Essa Lei está desde 2012 e os governantes sempre falam que ela está perto de sair. Mas desde 2012 que ela está perto de sair”, afirmou o soldado Rodrigo Maribondo, presidente da Associação de Bombeiros do Estado.

“O Rio Grande do Norte é o único Estado do Brasil onde as corporações da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros são formadas basicamente por soldados. A Lei de Promoção de Praças está de acordo com o comando geral da PM e do Corpo de Bombeiros. Hoje um soldado da Polícia Militar recebe R$ 2200, é o menor salário da segurança. Um agente penitenciário recebe R$ 3200. Um policial civil recebe R$ 2800, que é o salário de um soldado quando ele vai para a reserva. É um absurdo. É completamente desproporcional. Temos a necessidade urgente de corrigir esse erro histórico”, completou Roberto Campos.

Apesar de a Lei de Promoção de Praças ser a principal reivindicação dos manifestantes, outros pontos também são questionados. Segundo os policiais, a condição de trabalho no dia a dia precisa melhorar. “Hoje várias viaturas da polícia estão totalmente erradas em relação às leis de trânsito. Sucateadas. Em condições que deixam os próprios policiais em risco na hora de trabalhar. Faltam equipamentos básicos, como coletes, armas e munições. Totalmente desacordo, o que prejudica o trabalho do policial e deixa a sociedade insegura”, frisou Eliabe Marques, presidente da Associação dos Subtenentes E Sargentos Policiais Militares e Bombeiros do RN (ASSPMBM-RN).

Além de tudo o que já foi dito, a alimentação também é motivo de grande revolta por parte dos manifestantes. Segundo eles, os vales para refeições foi cortado por parte do Governo e a qualidade das comidas tem deixado a desejar. “Atualmente nos alimentamos apenas por meio de quentinhas que são fornecidas. Porém, várias vezes os policiais reclamaram da qualidade da comida, que visivelmente estavam bem comprometidas e sem condições alguma de servir de alimento”, explicou Eliaber.

O Coronel Araújo, comandante geral da PM do RN, anunciou recentemente o possível retorno dos vales de alimentação para os PMs que trabalham nas Unidades Operacionais, afirmando que já existe uma licitação em andamento no valor de R$ 7 milhões para custear a alimentação dos policiais. O Jornal de Hoje tentou contato com o titular da Sesed, General Girão Monteiro, mas não conseguiu retorno.

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