PMDB, o acólito – Vicente Serejo

Os pemedebistas, Senhor Redator, não gostam quando esta coluna fala do fisiologismo de uma legenda que, viciada nas fofas alcatifas…

Os pemedebistas, Senhor Redator, não gostam quando esta coluna fala do fisiologismo de uma legenda que, viciada nas fofas alcatifas do Palácio do Planalto, aderiu ao poder desde Tancredo Neves, antes e depois de morto, e até hoje, sempre em nome da governabilidade. A grandeza de estrutura e de historia do partido não serve para conquistar o poder ou combatê-lo, seria legítimo, mas para moeda de troca e garantia de uma maioria parlamentar sem a qual não se governa na democracia representativa.

Seria exagero pensar assim tão cedo se os guerreiros das legiões em luta nem descansaram suas lanças? Não. Ontem mesmo, a mais de trinta dias da urna, o jornal Estado de S. Paulo abriu manchete na sua página cinco – a coluna reproduz na ilustração – com declarações de pemedebistas da direção do partido – seriam dissidentes de Dilma Rousseff ou de um governo no qual seus cinco ministros se refestelam? – dizendo que se eleita Marina Silva, o PMDB tem as ‘condições de dar governabilidade’.

Claro que na democracia com sistema bicameral – Câmara e Senado – cabe ao Executivo buscar o apoio da maioria levando ao parlamento ideias e ações imprescindíveis à gestão do governo. Mas o apoio não pode ser transformado, de forma sistemática, numa barganha de vantagens políticas voltadas para a ocupação de ministérios. Apoio não caracteriza, necessariamente, fisiologismo. Mas, também pode ser mais que simples adesismo se virar oportunismo e traição ferindo a ética de aliados políticos.

Se é verdade que o espírito de alguns dos principais líderes pemedebistas é aquele revelado na quinta página do Estadão, não há como pensar diferente. O PMDB cumpre seu destino de ser apenas o acólito do poder vitorioso, o que no mínimo é um desrespeito à sua própria história e de seus grandes nomes que no passado lutaram pelo partido. Do MDB, aquele de Alencar Furtado, Teotônio Vilela e Ulisses Guimarães, resta um PMDB a trocar sua altivez pela vantagem de ser governo a vida inteira.

Quem apurar o olho, aliás, verá que a perda de fronteira contaminou há muito tempo o próprio PT, como se fosse uma maldição do poder. Hoje abriga nas suas hostes, antes tão raivosas, cavaleiros de tristes figuras, como José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros. Por isso talvez pague cedo uma fatura que até seria injusta, não fosse resultado do fisiologismo populista digno das artimanhas de Getúlio Vargas nos melhores anos do populismo do Catete com aquele seu ‘Trabalhadores do Brasil’.

Aliás, o fisiologismo do PMDB sequer cumpre, pelo menos no plano nacional, o modelo antigo dos partidos que se aliavam em busca de conquistar o poder. Pelo contrário: é o triste fisiologismo dos acólitos. Dos viciados no assento das cadeiras de espaldar ao lado do poderoso. Como se as vantagens bastassem e fosse pasto para uma fome que não passa nunca, mas também nunca é capaz de acender a chama da indignação. A fadiga da classe política é a moléstia que hoje infecta sua própria dignidade.

REAÇÃO

Há petistas convencidos de que a declaração da governadora Rosalba Ciarlini de que Fátima Bezerra é a sua candidata ao Senado não é positiva. Pelo menos junto a setores até mais exigentes do eleitorado.

DERROTA

Já é de derrota o sentimento dos assessores mais íntimos de Aécio Neves, esse estadista de matéria plástica inventando pelo marketing que sabe fazer alguém ser moderno assumindo as idéias dos outros.

AQUI

A paz nas trincheiras da campanha política parecer viver seus últimos dias. Dizem que até sábado, no mais tardar, teremos as primeiras escaramuças. E sob o sol luminoso de setembro anunciando o verão.

MÍSSEL

Bombardeio de mísseis com ogivas inteligentes as declarações do candidato Roberto Ronconi, do PSL, acusando o PT de ser o partido ficha suja com seus ex-dirigentes condenados pelo Supremo. E presos.

EXEMPLO

Que sirva de exemplo a quem acredita em milagre: a gerentona Dilma Rousseff está perdendo no atrito dos debates na tevê. Parece desmilinguir. Nem o bruxo do marketing, João Santana, consegue evitar.

TRISTE

Para Luiz Fernando Vianna, da Folha, se eleita, Marina Silva terá que governar com o PT ou o PSDB e/ou com o que chama de enorme bancada do PMDB. Para ele, esta é ‘a dura e triste verdade tropical’.

VARGAS

Lira Neto, o grande biógrafo de Getúlio Vargas, fala amanhã na Feira do Livro de Mossoró sobre a arte de escrever biografias. Quinta tem bate-papo com Bráulio Tavares e na sexta-feira com Xico Sá.

HISTÓRIA – I

Perfeito e por isso um depoimento que fica na história dos cem anos o discurso de Manuel de Medeiros Brito na solenidade do centenário da Escola Doméstica. Seus grandes nomes foram todos lembrados.

EMBORA – II

Digno o discurso de desembargador Aderson Silvino em nome dos agraciados com o Mérito Henrique Castriciano, mas no centenário da Escola Doméstica a voz feminina teria peso e o sentido da harmonia.

ÍCONE – III

A mulher a ser escolhida estava entre os próprios nomes agraciados e se chama Eleika Bezerra. Não é apenas uma ex-aluna, mas também um ícone nosso na defesa da educação. Uma voz forte e legítima.

ALIÁS – IV

Não foi culpa da direção da ED a quebra do ritmo com fala inoportuna, não convidada e recheada de lugares comuns a ferir a noite. A cultura de primeira dama faz parte do pantim da pobreza intelectual.

VALOR- V

O livro a ser entregue aos dez agraciados em nome da Liga, e em favor do Hospital Varela Santiago, seu benemérito, seria o álbum de fotos dos 100 anos organizado por Lalinha Barros e Nídia Mesquita.

INVEJA

Do filósofo Luiz Felipe Pondé, na sua coluna da Folha de S. Paulo, no alvo das cabeças que invejam e nem notam a miséria que arrastam: ‘Conviver com alguém melhor do que você é sempre insuportável’.

AVISO

Deus, ao ter feito este cronista nascer sem beleza e sem charme não seria tão injusto a ponto de fazê-lo temer caras feias. Não o teria dotado do sentimento de ternura diante dos líricos papangus no carnaval.

Compartilhar: