PMs aumentam denúncias de viaturas sem condições de uso

Relatos de equipamentos danificados são cada vez maiores no RN

Roda de viatura se desprendeu  do veículo durante policiamento pelas ruas da cidade, denuncia PMs. Foto: Divulgação
Roda de viatura se desprendeu
do veículo durante policiamento pelas
ruas da cidade, denuncia PMs. Foto: Divulgação

Alessandra Bernardo
Repórter

O movimento “Segurança com Segurança”, iniciado há uma semana pelas entidades representativas dos praças da Polícia Militar do Rio Grande do Norte em Natal e Parnamirim, está se espalhando pelos municípios do Estado e já é realizado também em Mossoró, Caicó e Currais Novos. Ontem, militares que faziam policiamento ostensivo na zona Norte foram surpreendidos pelo desprendimento da roda dianteira de uma viatura da Força Tática do 4º Batalhão.

“Felizmente, como o veículo estava passando devagar em policiamento, foi só o susto. Mas, se os quatro policiais estivessem em uma perseguição, em alta velocidade, teria acontecido uma tragédia. Isso é só uma amostra de como estão as viaturas da Polícia Militar hoje. Há veículos novos sim, mas também há muitos velhos ou com irregularidades que podem colocar a vida dos policiais e da própria população em risco, sem contar que estão em desacordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB)”, explicou o presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos Policiais Militares e Bombeiros do Estado (ASSPMBM/RN), Eliabe Marques.

Em Mossoró, os policiais também enfrentam problemas graves, como veículos com pneus carecas ou buchudos (provocados pelas constantes acelerações e frenagens), sem estepes, extintor, placas, faróis, documentação atrasada e outras situações, conforme o presidente da Associação dos Praças Militares de Mossoró e Região Oeste (Apram), Tony Nascimento. Ele disse ainda que desde terça-feira passada, apenas três viaturas estão circulando.

“A adesão foi completa nos dois batalhões do município e há muitos policiais fazendo o patrulhamento a pé, por falta de viaturas em ordem. Para se ter uma ideia, todas as motocicletas da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) estão paradas, assim como a do Grupo Tático Operacional (GTO) e da Força Tática. Mas, como não estamos em greve, continuamos fazendo nosso trabalho, de uma forma ou de outra, para não prejudicar ainda mais a população que precisa de proteção”, explicou Tony.

Ele disse que os comandantes dos dois batalhões entenderam e compreenderam a posição e as reivindicações dos praças e não os obrigaram a sair em policiamento nos veículos reclamados pela tropa. Além disso, ele afirmou também que há cidades sem viaturas e com apenas um policial para patrulhar todo o município, a pé, como é o caso de Felipe Guerra e Severiano Melo. “Só para dizer que tem polícia. Sem condições totais”, disse Tony.

No caso ocorrido ontem na zona Norte, no conjunto Cidade Praia, a roda dianteira da caminhonete da Força Tática do 4º BPM se soltou do veículo, fazendo com que a viatura tombasse em frente à Igreja de São José Operário. “Vejam o estado das viaturas em que o governo quer que os policiais militares arrisquem suas vidas e atendam à população”, desabafou um militar, que não quis se identificar por temer represálias.

 

Policiais de Caicó e Currais Novos também se mobilizam

Além de Natal e Parnamirim, onde começou o movimento “Segurança com Segurança” na última quinta-feira, e Mossoró, que entrou na terça-feira passada, os municípios de Caicó e Currais Novos, no Seridó, também atenderam ao chamado das entidades representativas dos praças e aderiram à ação. Em ambas, a situação das viaturas é a mesma encontrada nas demais cidades.

Conforme a Associação dos Praças da Polícia e Bombeiros Militares do Seridó (APBMS), em Caicó, pelo menos cinco viaturas de Rádio Patrulha, Trânsito e da Cipam apresentam alguma irregularidade denunciada e, por isso, estão paradas em frente às suas unidades militares. Com isso, os militares estão fazendo o policiamento a pé.

Além de problemas com pneus e de ordem mecânica ou elétrica, há ainda a questão documental dos veículos, já que, conforme a APBMS, a maioria das viaturas apresenta algum tipo de pendência com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran). “Estamos dentro da lei, mas, infelizmente, enfrentamos sérios problemas com os equipamentos de trabalho, causados pela falta de atenção e cuidados do Governo do Estado com a Polícia Militar, que é uma corporação honrada e também sofrida. Apesar disso, estamos nas ruas protegendo a população da forma que podemos”, afirmou Eliabe Marques.

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