‘Assassino do Chevette’ já havia sido preso por estupro e pretendia fugir para o Rio de Janeiro

Acusado de matar mulher na Bernardo Vieira, Wagner Gomes, estava no regime aberto, condenado por estupro. Foto: Cedida
Uma denúncia anônima ajudou a Polícia Civil a prender o “Assassino do Chevette”, como ficou conhecido o acusado de assassinar uma mulher a facadas e ferir gravemente o filho dela na noite de segunda-feira, em Natal. O presidiário do regime aberto Wagner Gomes de Lima foi detido em flagrante escondido na casa de um familiar, no município de Nova Cruz, ontem à noite. O veículo e a arma usada no crime foram apreendidos com o acusado.
O acusado revelou à polícia que, na verdade, estava atrás da ex-namorada e do atual companheiro dela no momento em que se envolveu no acidente de trânsito na Avenida Bernardo Vieira. Ele alegou ainda que pensou que Ruthenio Antônio Wanderley Montenegro fosse o homem que ele procurava e que por isso, o atacou com uma faca de mesa.
“Eu ia para o shopping na Bernardo Vieira quando vi, acidentalmente, minha ex-mulher e o namorado dela dentro de um Palio, perto de um supermercado na Redinha e aí, passei a segui-los. Eu tenho certeza que eram eles e também não estava sob efeito de álcool não, eu também estou confuso, só sei que não esfaqueei mulher nenhuma”, disse Wagner.
Segundo o delegado adjunto de Homicídios, Roberto Andrade, o acusado teria seguido o Palio em que a ex-namorada estava e, em determinado momento, acabou perdendo o veículo de vista. Depois de algum tempo, viu um carro semelhante, com três pessoas dentro e passou a segui-lo também, até o semáforo próximo ao bairro das Quintas, onde aconteceu o fato. “Ele disse que viu o casal e que, por isso, retornou já com a faca nas mãos e agrediu Ruthenio, pensando ser o namorado da ex-mulher dele. Ele tinha certeza que os dois estavam lá e que iria matá-los, porque não aceitava o fim do relacionamento e o novo romance da ex. Diante destes fatos, podemos até dizer que foi um crime passional”, explicou Roberto.

Após ser preso em flagrante, Wagner Gomes, tentou distorcer o motivo que o levou a esfaquear mãe e filho na noite dessa segunda-feira, na Av. Bernardo Vieira. Foto: José Aldenir
O delegado afirmou ainda que a ex-namorada do acusado, identificada apenas como Jennifer, prestou depoimento ontem mesmo e que revelou ter sido agredida várias vezes por Wagner, durante os oito meses que passaram juntos. Além disso, ele já respondia a um processo por violência doméstica cometido contra outra ex-companheira, anos atrás. “A jovem disse que estava na casa de um parente no bairro da Redinha, no momento do crime”, afirmou.
Durante seu depoimento, o acusado deu algumas versões contraditórias sobre o crime. Em uma delas, afirmou que só esfaqueou o homem porque este teria atacado ele antes. Depois, disse que atacou a vítima pensando que era o atual companheiro da ex-namorada. “Ele quer justificar o injustificável”, disse Roberto.
O acusado cumpre pena no regime aberto, por estupro, no Complexo Prisional João Chaves e estava em liberdade desde 2011, quando foi beneficiado. O veículo do mecânico, um Chevette de cor bege, ficou apreendido na delegacia de Nova Cruz e deve ser periciado.“Sei que o que eu disser, não vai servir para nada. O que posso dizer às vítimas é que não era para vocês estarem ali, eu estava fora de mim, fiquei apavorado e, em nenhum momento, pensei em fazer isso. Peço perdão à família da vítima e vou pagar o que eu devo. Não me lembro de ter ferido mulher nenhuma”, disse Wagner.
O delegado geral da Polícia Civil no Rio Grande do Norte, Fábio Rogério da Silva, disse que a polícia só conseguiu chegar até o acusado após receber uma denúncia anônima, revelando que Wagner estava escondido na casa de um familiar, na cidade de Nova Cruz, no Agreste Potiguar. Ele ainda pretendia fugir nos próximos dias para o Rio de Janeiro, onde ficaria escondido na casa de um familiar. “Graças ao empenho da nossa equipe e do auxílio da população, conseguimos retirá-lo das ruas. Homicídios acontecem todos os dias, mas este nos chocou por causa da covardia com que foi cometido”, disse.
VÍTIMAS NÃO TIVERAM CHANCE DE DEFESA
Lúcia Maria Wanderley Montenegro, de 56 anos e seu filho, Ruthênio Antônio Wanderley Montenegro, de 26, estavam em um Ford Fiesta parados na Avenida Bernardo Vieira, na altura do bairro das Quintas, esperando o sinal abrir, quando o acusado tentou avançar o sinal vermelho e forçou passagem entre o carro das vítimas e um Fiat Palio que estava ao lado, amassando os dois.
Após passar pelos dois, Wagner Gomes de Lima retornou pela contramão e, já armado com uma faca, atacou Rutênio, que observava os estragos causados pelo acusado. Ao ver seu filho sendo esfaqueado, Lúcia Maria desceu do carro e tentou proteger o rapaz, quando também foi atacada pelo desconhecido com um golpe no tórax.
Rutênio foi atingido por 12 golpes de faca-peixeira no abdome, braços e pernas e foi socorrido em estado grave para o Complexo Hospitalar Clóvis Sarinho, no Tirol.
Já Lúcia Maria ainda chegou a receber os primeiros socorros prestados pela equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas faleceu.
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