Polícia Federal realiza operação contra BBom em 3 cidades paulistas

Empresa, suspeita de pirâmide, deixou de fornecer dados pedidos pela Justiça em investigação criminal

João Francisco de Paulo, proprietário da Embrasystem (BBom), suspeita de pirâmide financeira. Foto: Divulgação
João Francisco de Paulo, proprietário da Embrasystem (BBom), suspeita de pirâmide financeira. Foto: Divulgação

Escritórios da Embrasystem, dona da marca BBom, foram alvo de batidas policiais nesta terça-feira (1º) após a empresa se negar a fornecer dados à Justiça Federal.

As buscas foram realizadas em três cidades: Indaiatuba – onde fica a sede da Embrasystem –, Barueri e São José do Rio Preto. A BBom é acusada de ser uma pirâmide financeira que atraiu mais de 300 mil pessoas.

Segundo um funcionário da Polícia Federal em Rio Preto, foram apreendidos documentos solicitados pelo juiz Marcelo Costenaro Cavali, da 6ª Vara Criminal de São Paulo, e que não foram entregues pela empresa.

O juiz vê indícios de prática de crime financeiro no negócio e pediu a apresentação documentos que permitissem analisar a viabilidade financeira dos produtos e serviços da Embrasystem e das condições econômicas da empresa antes do lançamento da BBom.

Em despacho publicado em janeiro, Costenaro pedia declarações de imposto de renda, demonstrativos de receitas, cópias de notas fiscais de produtos e serviços e dados sobre funcionários da Embrasystem.

Em nota, a PF informou que o inquérito policial está sob segredo de Justiça e não informou o conteúdo dos documentos e arquivos digitais apreendidos.

As investigações criminais contra a Embrasystem começaram em 2013 e, em maio passado, foram questionadas numa decisão provisória do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Procurados, os representantes da BBom não se manifestaram. Eles sempre negaram irregularidades.

Empresa é acusada de maquiar pirâmide com marketing multinível

A BBom foi lançada em fevereiro de 2013 como braço de marketing multinível da Embrasystem. O objetivo declarado era captar representantes autônomos para ampliar as vendas de um serviço de rastreamento de veículos.

Em julho, quando o negócio já havia atraído cerca de 300 mil pessoas que pagaram de R$ 600 a R$  3 mil para aderir, a BBom teve as atividades bloqueadas por suspeita de ser uma pirâmide financeira.

Segundo o Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO), o faturamento da BBom  decorria das taxas pagas pelos representantes e não dos serviços de rastreamento.

Além desse processo, em que o MPF-GO pede a extinção da BBom, a Embrasystem e seus responsáveis passaram a ser investigados por suspeita de delitos financeiros na 6ª Vara Criminal de São Paulo.

Uma das suspeitas nesse caso é que a Embrasystem tenha lavado dinheiro. Como revelado pela reportagem, a Justiça considera suspeitas transações em que a BBom transferiu R$ 82,7 milhões a empresas e pessoas.

Desse montante,  R$ 61,5 milhões dizem respeito a negócios fechados semanas antes do bloqueio. Outros R$ 20 milhões foram parar na conta de uma companhia com ligação a um paraíso fiscal.

Em novembro, o desembargador Reynaldo Azevedo, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região – com sede em Brasília – liberou parcialmente as atividades da empresa. Em maio, o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) descongelou parte dos bens bloqueados e questionou a investigação criminal.

Fonte: IG

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