Policiais civis do RN trabalham, pasmem, com munições e coletes vencidos

Denúncia foi feita pelo Sinpol, que terá reunião com secretário de segurança

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Diego Hervani

Repórter

Nos últimos meses, o Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública do Rio Grande do Norte (Sinpol-RN) tem feito uma série de denúncias sobre o atual momento pelo qual passa a segurança do Estado. Desta vez o Sinpol afirma que policiais estão trabalhando com coletes e munições vencidas.

“Infelizmente estamos passando por uma situação realmente complicada. Crítica mesmo. As munições têm validade de seis meses e tem policial com a mesma munição há anos. Os coletes tem validade de 5 anos e tem policial com colete de 2007. Corre o risco de o policial ir em uma operação e o revólver não disparar, já que a bala está vencida. É uma situação muito preocupante”, afirmou Djair Oliveira, presidente do Sinpol-RN. O sindicato tinha marcado um ato público para esta terça-feira (3), onde os coletes e munições seriam entregues na Delegacia Geral da Polícia Civil (Degepol), mas a categoria resolveu suspender a ação depois do contato do secretário de segurança do RN, o general aposentado do Exército, Eliéser Girão, que marcou uma reunião com o sindicato para às 10h30 desta quarta-feira (4).

“Como houve essa abertura por parte do secretário Eliéser, que se mostrou interessado em conversar com o Sindicato, vamos suspender o ato. Vamos ouvir o secretário da nossa pasta e ver qual seu posicionamento em relação ao que está sendo pleiteado e, depois, apresentar o resultado do encontro para os policiais. Só então poderemos definir atos futuros. Por enquanto, a categoria permanece em estado de mobilização. O secretário nos informou que irá apresentar um calendário com algumas situações. Ele disse que novos equipamentos já estão chegando”.

Nessa segunda, o Sinpol também destacou que algumas delegacias localizadas em área de litoral de Natal terão funcionamento de plantão, durante a Copa do Mundo, ocasião na qual a capital potiguar deverá receber grande fluxo de turistas. No entanto, as unidades estariam longe de atender aos padrões internacionais de qualidade. O sindicato visitou duas e constatou problemas como computador quebrado, infiltrações em paredes e até mesmo em rede elétrica, estrutura física deteriorada e falta de efetivo suficiente para atender a demanda. “Se um dos turistas que vier a Natal for assaltado na Praia do Meio e a polícia conseguir prender algum suspeito, o turista terá que fazer o reconhecimento olhando por um buraco feito em uma porta”, explica Judas Tadeu, chefe de investigação da 2ª DP.

No encontro com Eliéser Girão, o Sinpol irá aproveitar para cobrar soluções para todos os problemas que a polícia civil vem passando, além de esperar respostas para as reivindicações que vêm sendo feitas nos últimos tempos. “Temos a questão do Estatuto do Itep, valorização profissional, retirada dos presos das delegacias. São todas situações que ainda não tivemos respostas. Das categorias do sistema de segurança que fizeram reivindicações, a única que não foi atendida foi a Polícia Civil”, explicou Djair.

Proibidos judicialmente de paralisarem as atividades, os policiais civis têm feito diversas manifestações nos últimos meses, como visitas nas comunidades para conversar com a população de vários bairros sobre o atual quadro da segurança. Além disso, o Sinpol contratou carros de som para pelas ruas de Natal e interior com mensagem sobre a realidade da Polícia Civil e ITEP. Outras ações que estão sendo feitas são panfletagens em áreas estratégicas, como universidades e locais públicos, e também nas próprias delegacias. “A população cobra muito a questão da segurança, mas muitas vezes ela não sabe qual a realidade da polícia. Fazemos esses atos para que a população entenda que a culpa não é dos policiais”.

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