“Policiais estão sendo caçados por criminosos no Rio Grande do Norte”

Nos últimos meses têm aumento o número de policiais militares vítimas de ações crimonosas

 Categoria cobra melhores equipamentos de segurança para trabalhar. Foto: José Aldenir
Categoria cobra melhores equipamentos de segurança para trabalhar. Foto: José Aldenir

Vinte e sete ataques, com 19 policiais militares feridos e oito mortos de janeiro até ontem, em todo o Estado. Os dados, divulgados pela Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar do Rio Grande do Norte (ACS-PM/RN) estão preocupando os profissionais potiguares, que denunciam a existência de uma “caçada” à categoria. A prisão de um homem acusado de integrar uma quadrilha de traficantes que planejavam a execução de policiais civis e militares, que usava um veículo blindado em suas ações, no mês passado, reforçou a tese e aumentou a insegurança entre os agentes de segurança pública.

“Os policiais do Estado estão sendo caçados pelos criminosos sim. Uma prova é o alto número de atentados e de mortes envolvendo policiais durante seus expedientes e também os que estão de folga, como foram os últimos casos. O pior é que, apesar da cúpula da Segurança Pública potiguar ter ciência do que vem acontecendo, ninguém faz nada para tentar reverter essa situação”, afirmou o presidente da Associação de Subtenentes e Sargentos Policiais Militares e Bombeiros do Rio Grande do Norte (ASSPMBM/RN), Eliabe Marques.

Para ele, as precárias condições de trabalho enfrentadas pela categoria e a constante exposição dos profissionais no combate aos criminosos os tornam alvos fáceis dos bandidos, que, melhor equipados, são ousados nos ataques, quase sempre quando os policiais estão de folga. Prova disso foram os sete atentados ocorridos contra a categoria nas últimas três semanas na Região Metropolitana de Natal. Destes, apenas um praça estava em serviço.

“Os bandidos são bem armados, bem equipados e com veículos novos e potentes, enquanto isso, os policiais trabalham com viaturas cheias de problemas e armas velhas. Sem contar que, como os militares estão todos os dias se expondo no combate ao crime, os bandidos os reconhecem fácil e podem segui-los e atacá-los”, explicou Eliabe.

Um desses ataques, ocorrido no último dia 27 contra um soldado lotado no 3º Batalhão da Polícia Militar, em Parnamirim, os dois agressores foram reconhecidos pela vítima, que estava de folga e escapou sem ferimentos. Em entrevista a um site de notícias, ele afirmou que há uma quadrilha empenhada em executar policiais militares no Estado e que os dois homens que o atacaram seriam os chefes. “Descobrimos que eles estão montando um grupo perigoso, que planeja a morte de alguns policiais”, desabafou, na ocasião.

A denúncia do soldado atacado em Parnamirim é a mesma que o comando do 5º BPM, na zona Sul, recebeu dias antes, ao efetuar a prisão de um homem acusado de integrar uma quadrilha de matadores de policiais e ligada ao grupo criminoso paulista Primeiro Comando da Capital (PCC). Com o suspeito, foi apreendido 30 quilos de cocaína, armas e um veículo de luxo blindado, que seria usado em ações criminosas na Região Metropolitana.

 

Exposição diária aumenta perigo

“Já percebemos que os policiais potiguares estão sendo caçados pelos criminosos e isso, além de ser uma afronta à segurança, também é uma desmoralização grande para o Governo do Estado, que não dá uma resposta efetiva contra a bandidagem”, desabafou o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar (ACS-PM/RN), Roberto Campos.

Ele disse que a violência contra policiais está aumentando a cada ano e que, até ontem, o número de policiais feridos em atentados já supera em quase 73% o total notificado em 2012, quando 11 militares saíram feridos. Já o registro de mortes – oito até o momento, está próximo de se igualar ao do ano passado, quando nove policiais morreram vítimas de ataques criminosos.

“Não existe nenhuma outra categoria que é tão exposta quando a militar e uma que seja tão desprotegida também, já que a maioria dos ataques acontece nos horários de folgas das vítimas. E esses números são apenas de policiais, sem contar os que saíram ou foram expulsos da corporação e que são expostos duas vezes, a primeira antes da expulsão e a segunda, após serem mantidos, muitas vezes, nas mesmas celas que os bandidos que eles prenderam antes da saída da PM”, explicou Roberto.

Para ele, o mais grave é a omissão do governo estadual em relação aos casos notificados até então e que, apesar de tudo, não são combatidos como a categoria gostaria. “Toda a cúpula da Segurança Pública sabe o que está acontecendo no Estado, mas não dá uma resposta efetiva ou, muitas vezes, crédito às denúncias feitas pelos próprios policiais. Isso, além de ser uma desmoralização, também é uma falta de atenção com os profissionais, que arriscam suas vidas diariamente para proteger a sociedade e não recebem a devida proteção que precisam para executarem suas atividades”, desabafou.

Comandante desconhece grupo de extermínio

Na ocasião do ataque ao soldado em Parnamirim, o comandante geral da Polícia Militar, coronel Francisco Canindé de Araújo Silva, disse que desconhecia a existência de um grupo criminoso específico para executar policiais militares no Estado e que todos os casos registrados são remetidos à Polícia Civil para investigação.

Ele disse ainda que todas as vítimas estavam de folga, com exceção do militar baleado no dia 27 passado durante uma tentativa de prisão, próximo ao Viaduto do Baldo, estava trabalhando. “Desconheço, por enquanto, que exista uma situação dessas, mas como todos os casos são repassados para a Civil, vamos aguardar o desenrolar das investigações para descobrirmos se realmente isso está acontecendo no Rio Grande do Norte”, explicou.

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