Politicamente correto – e chato – Sérgio Luiz Bezerra Trindade, professor do IFRN (slbtrindade@yahoo.com.br)
Há xiitas em todos os segmentos e para todos os gostos. Um dos mais chatos são os politicamente corretos (PC). A tudo acusam. Sobre tudo têm uma máxima moral ou política para dizer. No Brasil, por exemplo, essa turma persegue Monteiro Lobato, acusando-o de racista.
Os defensores do politicamente correto bombardeiam os programas de televisão há mais de uma década, acusam os programas de telejornalismo de estar a serviço da elite (?!), as novelas e programas de auditório/variedades de usar e abusar de palavrões e de pornografia.
Nada mais pode. Mostrar um garoto traquina, um homossexual, um esquizofrênico ou um psicótico é comprar briga feia com a turma do PC. Um racista, nem pensar, pois ofende a sensibilidade deles (anda que não ofenda a do telespectador).
É fato que agressões, ofensas e absurdos mostrados leviana e gratuitamente não acrescentam nada ao intelecto do telespectador e que muito do que a televisão mostra é nocivo e ofende a sensibilidade das pessoas. Mas propor o controle excessivo da linguagem, na televisão ou em qualquer outra mídia, é porteira escancarada por onde penetra as pretensões autoritárias. Basta olhar para o passado para aprender com ele.
Se quisermos educar corretamente os nossos filhos precisamos mostrar-lhes que no mundo real existem pessoas irritantes, racistas, covardes, traiçoeiras e autoritárias. Expurgar o mundo real da televisão equivale a não reconhecer que ele existe. Não é solução.
Bandidos e racistas devem ser combatidos, nunca esquecidos. Esquecê-los equivale a não reconhecê-los e, portanto, correr o risco de não saber como com eles lidar.
Essa turma chata do politicamente correto deveria trabalhar para que fosse possível expor de maneira escrachada e de fácil entendimento as mazelas do mundo. E isso só é possível, ensinou entre tantos Monteiro Lobato, se não houver um discurso engajado, chato e cheio de filigranas, não escondendo os defeitos que a sociedade carrega, não fugindo do fato inegável de que as pessoas são más, não maquiando as imperfeições da mentalidade humana e do mundo moderno. Fazer isso não é politicamente incorreto, pois nada é mais politicamente correto do que expor os problemas do mundo.
Desde que se exponha de maneira clara e direta. Sem subterfúgios.


