Políticos do RN ressaltam o papel histórico de líder Nelson Mandela

Líder sul-africano, que enfrentou o racismo, morreu na noite de ontem

O líder político sul-africano Nelson Mandela, morto ontem aos 95 anos. Foto: Divulgação
O líder político sul-africano Nelson Mandela, morto ontem aos 95 anos. Foto: Divulgação

Ciro Marques
Repórter de Política

Ele representou uma fundamental força política e social para as rupturas paradigmáticas nos preconceitos étnicos da África do Sul nas últimas décadas. Sua luta contra o modelo de apartheid sul-africano fomentou novas conquistas pelos direitos de igualdade racial por todo o mundo. Diante da importância política do líder, políticos potiguares se manifestaram sobre ele hoje.

Ao participar na noite desta quinta-feira de um jantar de confraternização da FIFA, na Bahia, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) lamentou a morte de Mandela. Rosalba recordou que Mandela foi um dos maiores líderes do século XX e combateu como ninguém o preconceito racial, as diferenças sociais no seu país, no continente africano, e em todo o mundo. “Nelson Mandela deixa lições de vida, de lutas políticas, de defesa dos direitos humanos e de combate às desigualdades sociais que jamais serão esquecidas”, declarou a chefe do executivo estadual.

Nelson Mandela morreu em Pretória, na África do Sul, vítima de complicações pulmonares. Como presidente de seu país na década de 90, ganhou notoriedade internacional e contribuiu com seus pensamentos e ações democráticas para uma nova ordem social pós Guerra Fria. Para o senador Paulo Davim (PV), existem pessoas que vêm ao mundo com uma missão, e Mandela foi uma delas.

“Ele desempenhou maravilhosamente a missão que lhe foi dada. Foi o bastião contra as intolerâncias raciais, não só na África do Sul, mas no mundo. Passou de símbolo a ícone de enfrentamento à intolerância social, à discriminação, à segregação. E cumpriu seu papel. Faleceu com idade avançada, 95 anos. Mas cumpriu todo seu ciclo, resistiu a tudo, e o mundo inteiro está auferindo os dividendos plantados por ele. Sobretudo nessa questão da tolerância racial”, afirmou Davim.

Os atos de militância e as políticas públicas adotadas por Mandela amenizaram os problemas sociais e elevaram a África do Sul ao patamar de países em desenvolvimento emergente, influenciando diretrizes políticas para demais blocos do globo. Segundo o senador José Agripino Maia (DEM), Mandela criou com exemplos de altivez e humildade vividos no cárcere condições para o entendimento pacífico entre brancos e negros que hoje se somam para fazer da África do Sul o País que ele conseguiu ser.

O deputado Henrique Alves, presidente da Câmara dos Deputados, emitiu nota oficial em que lamenta a morte de Mandela: “Foi um dos grandes personagens da história contemporânea. Um líder autêntico, que marcou o Século XX ao combater o apartheid e conduzir a África do Sul na busca por mais justiça, liberdade e igualdade entre seus cidadãos”. Henrique também cita a vida de Mandela como exemplo: “Manter a serenidade e a honradez mesmo nos momentos de maior adversidade. Foi, sem dúvida, uma das maiores figuras políticas do nosso tempo, modelo para todos que lutam por um mundo mais justo”. O ministro da Previdência, Garibaldi Filho (PMDB), não atendeu aos telefonemas do Jornal de Hoje.

Certamente, o legado de Mandela ficará institucionalizado nos anais de luta democrática ocorridos no século XX e princípios balizadores para o XXI. O corpo de Mandela será enterrado em um vilarejo na África do Sul e o funeral, organizado pelo governo da África do Sul, deverá durar até 12 dias. Em prestígio, rivalizará com o do papa João Paulo 2º, em 2005, que teve a presença de cinco reis, seis rainhas e 70 presidentes e primeiros-ministros, além de 2 milhões de fiéis. O mais próximo disso que já se viu no Reino Unido talvez tenha sido o funeral de Estado dado a Winston Churchill em 1965.

O presidente sul-africano, Jacob Zuma, disse na noite de quinta-feira: “Nosso amado Madiba terá um funeral de Estado. Dei ordem para que todas as bandeiras da República da África do Sul sejam hasteadas a meio-pau e que continuem a meio-pau até depois do funeral”.

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