Pontos fracos de Marina Silva viram alvo de rivais na reta final da campanha

Adversários terão um mês para explorar as supostas contradições da candidata, que parou de crescer no Datafolha

Agora vidraça, Marina será alvo no último mês de campanha. Foto: Divulgação
Agora vidraça, Marina será alvo no último mês de campanha. Foto: Divulgação

Avião supostamente comprado com caixa 2, rejeição em seu Estado de origem, recuo em propostas para a comunidade gay. Por mais expostos que estivessem seus pontos fracos, nada parecia ter potencial para manchar a candidatura presidencial de Marina Silva, elevada à estrela desta campanha depois que um acidente aéreo matou o então presidenciável do PSB, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos. O fascínio quase imediato de grande parte do eleitorado com a ex-ministra do PT vinha blindando a popularidade da candidata. Mas agora no último mês de campanha ela terá de enfrentar forte pressão sob outros pontos polêmicos de sua candidatura.

A tragédia que se abateu sobre a campanha do PSB no dia 13 de agosto tomou não apenas Marina de surpresa, mas todos os seus adversários, que por semanas se viram impossibilitados de criticar a sucessora de Campos, rapidamente transformada em favorita.

A temporada de ataques contra a ex-senadora só foi aberta depois que o Jornal Nacional (Rede Globo) a sabatinou e escancarou algumas dúvidas sobre Marina: o jato que matou Campos foi comprado com dinheiro de Caixa 2? Por que no Acre, sua terra natal, ela ficou apenas em terceiro lugar na campanha de 2010? A que nova política ela se refere se tem como vice um político tradicional e ligado ao agronegócio?

Apesar da pressão, Marina conseguiu sair ilesa da entrevista e continuou a crescer nas intenções de voto. Agora, a um mês da eleição, uma nova onda de ataques mira fragilidades maiores, como a suposta falta de clareza  e incoerência de seu discurso, o que lhe aproximaria da “velha política” combatida por ela e que já lhe rendeu uma comparação com Fernando Collor de Mello.

Cientista político da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Benedito Tadeu acredita que a comoção nacional provocada pela tragédia deu visibilidade à promessa de Marina de por fim à polarização PT/PSDB, mas que seu verdadeiro trunfo em relação aos adversários ainda é o carisma.

“Ela diz e se contradiz sobre qualquer questão com tamanha firmeza que parte do eleitorado disposto a votar nela mal percebe a contradição”. Por outro lado, esta característica também pode fornecer munição para Dilma e Aécio. “Esse é um talento típico de um político tradicional.”

Mais uma contradição da presidenciável seria o programa de governo calcado no ideário “neoliberal”, numa contramão do passado ligado à esquerda. Professora de ciências políticas na Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), Maria do Socorro Braga entende que Dilma e Aécio já começaram a explorar essa “ambiguidade”.

Aécio, por exemplo, disse que a rival plagiou programas de Fernando Henrique Cardoso. O eleitor tradicional da pessebista pode não gostar dessa guinada, mas a maioria ainda não percebeu a contradição. “É preciso saber explorar.”

Outra fraqueza de Marina foi escancarada por Dilma, que em seu programa eleitoral gratuito comparou a adversária a Collor. A relação se deve ao fato de os dois terem prometido deixar de governar com “os mesmos”. Para a professora, é certo que o PSDB irá aderir em caso de vitória, a única forma de governar com maioria no Congresso em um sistema presidencialista de coalisão, como o brasileiro.

Queda nas pesquisas

Deixando de ser “novidade” para os eleitores, tendo que passar mais um mês sob ataque dos adversários, Marina pode cair nas intenções de voto. Na última pesquisa Datafolha, ela parou de crescer e sua vantagem no segundo turno sobre Dilma se estreitou para sete pontos percentuais.  Antes, a diferença entre elas era de 10%.

O professor lembra de Ciro Gomes, que terminou com 12% dos votos depois de atingir 32% na campanha de 2002. Sua queda se deveu a duas declarações. Na primeira, afirmou que o papel da sua então esposa (a atriz Patrícia Pillar) na campanha era “na cama”. Depois disse que só havia estudado em escola pública, o que nunca aconteceu. “O recuo da Marina na cláusula LGBT causa constrangimento parecido. A questão agora é saber até onde essa instabilidade poderá levá-la.”

Fonte: IG

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