A pop bossa de Sônia Delfino

Uma caixinha de sabonete Eucalol e cinquenta cruzeiros. Foram os prêmios da garotinha carioca de 9 anos que cantou nos…

Uma caixinha de sabonete Eucalol e cinquenta cruzeiros. Foram os prêmios da garotinha carioca de 9 anos que cantou nos estúdios da Rádio Poti, nas famosas domingueiras dos anos 50/60, o sucesso da diva Dalva de Oliveira, “Que Será?”.

Era 1951, e Sônia Delfino viera do Rio de Janeiro, onde nascera em novembro de 1942, para visitar a avó. Por influência natural da tia Ademilde Fonseca, adquiriu gosto pela música e não pensou duas vezes quando viu em Natal o cartaz do programa radiofônico.

Nem bem entrou na adolescência e já era estrelinha constante nos concursos e programas musicais, cantando profissionalmente pela primeira vez aos 13 anos no “Clube do Guri”, espaço da Rádio Tupi que mexeu com a cena carioca a partir de 1955.

Antes de completar 18 anos, em meados de 1960, conquistou o prêmio de “Cantora Revelação”, recebendo a honraria das mãos do então governador da Guanabara, Carlos Lacerda. E logo veio o primeiro LP “Sônia Delfino Canta Para a Mocidade”.

Não havia no seu repertório uma referência determinando o estilo a assumir, mas Sônia navegava nas ondas de dois movimentos que ocupariam a mesma conjuntura musical dos anos 50/60: a Bossa Nova de João Gilberto e a Jovem Guarda de Roberto Carlos.

Antes de qualquer intérprete bossanovista, gravou “O Barquinho”, de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, e conheceu em primeira mão algumas composições de João Gilberto. Viu nascer e participou do rock ‘n’ roll nacional e do ritmo sambalanço.

No início da década de 1960, bem antes de Roberto e Erasmo tomarem conta da juventude brasileira, Sônia Delfino já era a musa pop do Rio de Janeiro, contraponto da rainha dos brotos em São Paulo, Celly Campello, cinco meses mais velha que ela.

A edição de 15 de abril de 1961 da Revista do Rádio, publicação com grande circulação no Sudeste, dedicou a reportagem de capa à batalha de fãs emulada nas canções e nas apresentações das duas cantoras, que viraram versão musical do Torneio Rio-São Paulo.

“A verdade é que os cariocas acham Sônia Delfino um estouro. E os paulistas entendem que Celly Campello é a nova namoradinha do Brasil”, diz o texto abrindo a matéria da revista cujo título era “Brigam Rio e São Paulo por causa dêstes dois brotos”.

Ainda no primeiro parágrafo, a rivalidade futebolística entre cariocas e paulistanos serve de parâmetro: “A coisa se afigura assim como um duelo de popularidade entre o Garrincha e o Pelé”. Ambas disputavam também passo a passo a venda de discos.

Versões rock ‘n’ roll da briga radiofônica entre Emilinha Borba e Marlene, as duas rainhas do novo tipo de juventude que surgia no Brasil – influenciada pelo ritmo americano que logo depois seria expandido via Inglaterra – dividiam a gurizada.

Enquanto os fãs estabeleciam a guerra, as cantoras seguiam gravando e cantando sem qualquer aproximação, como se os ânimos de paulistas e cariocas impedissem o contato. Até que a Revista do Rádio juntou ambas num programa de TV, ao vivo para o Brasil.

O retrato daquele tempo remoto, gênese do som pop que explodiria com a Jovem Guarda e se consolidaria depois como o rock brasileiro, está na velha reportagem da saudosa revista: “Sônia é uma nova campeã de discos, e Celly também”.

Com o advento da TV, as duas artistas ampliaram o domínio sobre a juventude, atuando na pequena tela. Enquanto a moça de Taubaté comandava um programa de auditório com o irmão Tony Campello, a carioquinha fazia dobradinha com Sergio Murilo.

Os paulistas curtiam na Record o “Celly e Tony em Hi-fi” e os cariocas se ligavam na TV Tupi com “Alô Brotos”. Também no cinema foram iguais, a primeira contracenando com Mazzaropi e a segunda com Ankito, dois monstros da comédia nacional.

Um casamento precoce tirou Celly Campello dos palcos para sempre. Um casamento programado fez Sônia Delfino se afastar da música por quase duas décadas. O legado de Celly como “mãe do rock” brasileiro deve muito a Sônia, um ícone pop nacional. (AM)

 

Ah, ah, ah!
Vai entender a petralhada. Os mesmos twiteiros e “blogayros plogleçistas” que enalteciam a revista IstoÉ semanas atrás por causa de reportagens contra os tucanos, hoje vomitam ira contra a publicação em defesa da Caixa Econômica Federal.

Confisco
A IstoÉ publicou que a Caixa confiscou em 2012 meio milhão de cadernetas de poupança, afanando R$ 719 milhões, de acordo com uma auditoria da Controladoria-Geral da União. Desde ontem, a assessoria do banco e os petistas batem na revista.

Canalhice
Poucas horas depois do corpo de João Faustino descer ao túmulo, a canalhice esquerdopata de alguns doentes com desvio moral tratava de tripudiar a imagem do morto. É ridículo fazer dos próprios recalques um esgoto intelectual de agressões.

Propaganda
Não será fácil, como eu já disse, para o Governo e a Assembleia voltarem a anunciar em 2014, por causa de atrasos constantes nas licitações. Um mesmo questionamento que adiou o trâmite na Assembleia, deverá remarcar nova data na concorrência do Governo.

Bob Fields
Vem aí, com o selo da Editora Resistência Cultural, o livro “O Homem Mais Lúcido do Brasil”, um mosaico textual organizado por Aristóteles Drummond que exibe o perfil do economista Roberto Campos. Poucos nesse país tiveram mesmo sua lucidez.

Voyeurismo online
Um juiz inglês está travando uma batalha quase perdida contra a Internet por causa de garotinhas ucranianas e croatas que andam enlouquecendo rapazes britânicos. Proliferam os vídeos com as teens (entre 12 e 16 anos) acessados por toda a Inglaterra.

Peitos e calcinhas
As meninas dos países do leste parecem sedentas de uma liberdade sexual que as ditaduras comunistas cercearam à geração dos seus pais. E se exibem no YouTube numa mistura de inocência e veneno feminino, em trejeitos provocadores de pernas e bocas.

Caso Neymar
O Barcelona publicou hoje em seu site oficial uma dura nota em resposta ao Fisco espanhol que continua tratando como crime a compra de Neymar ao Santos. Parece que tão cedo o clube e o jogador terão tranquilidade junto à Receita Federal da Espanha.

Messi x Diego
Atlético de Madrid e Barcelona disputam logo mais (17h ao vivo no Brasil) um clássico de líderes que definirá o campeão de inverno, referente ao primeiro turno da Liga BBVA. Todos os olhos no duelo Lionel Messi x Diego Costa, os destaques.

El Matador
O técnico da seleção da Espanha, Vicente Del Bosque, disse ontem que as vaias que o atacante Diego Costa vem tomando em algumas cidades irão se dissipar quando o artilheiro do Atlético de Madrid começar a fazer gols com a camisa da Fúria.

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