População de Macaíba sai às ruas e cobra atitude do governo

Município amarga altos índices de criminalidade e já registrou 103 assassinatos apenas neste ano de 2013

Município amarga altos índices de criminalidade e já registrou 103 assassinatos apenas neste ano de 2013. Foto: Divulgação
Município amarga altos índices de criminalidade e já registrou 103 assassinatos apenas neste ano de 2013. Foto: Divulgação

Roberto Campello
Roberto_campello1@yahoo.com.br

A população de Macaíba cansou dos altos índices de criminalidade que assola a cidade, localizada na Região Metropolitana de Natal, e saiu às ruas na manhã desta quinta-feira (19) em caminhada pelas principais ruas do Centro da cidade com o tema ‘Defesa da vida, pela paz e contra a violência’. A caminhada reuniu mais de 500 pessoas e contou com a presença do prefeito Fernando Cunha, vereadores, familiares de vítimas, que cobraram uma ação mais efetiva da Secretaria Estadual de Segurança Pública no município para solucionar o problema da insegurança. Em 2013, Macaíba amarga uma triste estatística: 103 pessoas já foram assassinadas no município.

O prefeito de Macaíba, Fernando Cunha, explicou que a segurança pública é uma obrigação do Governo do Estado e do Governo Federal. Apesar disso, diante das dificuldades, a Prefeitura tem procurado ajudar para melhorar a segurança de Macaíba. Desde o início deste ano, o prefeito Fernando Cunha vem se reunindo com a governadora Rosalba Ciarlini, e com o secretário de Segurança Pública, Aldair da Rocha, para tratar da questão da segurança em Macaíba. Desde então já foram três encontros, reivindicando a colocação de mais um delegado da Polícia Civil.

“O problema de Macaíba é a falta de estrutura para a Polícia Militar e Civil. Temos vários inquéritos parados, pois a Polícia Militar não tem estrutura para resolvê-los. Macaíba já entrou no Programa RN Mais Seguro, mas as ações serão apenas para o próximo ano, mas precisamos de soluções para ontem, para resolver esse problema da impunidade”, destacou o prefeito Fernando Cunha.

O prefeito também reforçou a necessidade de intensificar o policiamento ostensivo na cidade. Mas até o momento nada foi feito. Pelo contrário. Quando o município de Macaíba tinha uma população de 45 mil habitantes havia um efetivo de 120 policiais, agora, com uma população estimada em 75 mil habitantes, o efetivo foi reduzido para 70 policiais. A prefeitura fez um convênio com o Governo do Estado e a Polícia Militar em que foram repassados recursos financeiros para atender despesas de combustível, aluguel de prédio e alimentação dos policiais. Também está sendo intensificada a melhoria da iluminação pública e dos acessos às ruas do município para assim, facilitar o trabalho da polícia.

“Estamos investindo no social para fazer com que os jovens saiam do ócio e pratiquem alguma atividade. Hoje, temos 1.500 pessoas na música, 150 na ginástica, 500 no teatro, 500 no xadrez. Queremos que o Governo Estadual e o Governo Federal tomem uma providência urgente para resolver esse clima de insegurança que hoje, infelizmente, assola a nossa cidade. Queremos que o Governo do Estado assuma, imediatamente, o seu papel”, afirmou o prefeito.

O presidente da Câmara Municipal de Macaíba, vereador Gerson Lima, considera que a caminhada de hoje foi um gesto simbólico e democrático, com o objetivo de chamar a atenção das autoridades estaduais e federais para os altos índices de violência nos municípios da Região Metropolitana de Natal, em especial Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Macaíba. “Não estamos aqui para protestar, mas para pedir ajuda. Para que façam algo por nossa cidade, para que não vejamos mais pessoas de bem morrerem. Não agüentamos e não aceitamos mais essa situação de impunidade que está imperando na nossa cidade”, afirmou o vereador.

A estudante de psicologia Clarice Mendes é prima de Cleiton Osório. O menino de 10 anos que foi assassinado na semana passada, quando foi usado como escudo humano em um confronto com bandidos, foi a 100ª vítima de assassinato em Macaíba. Ela conta que a família ainda não acredita no que aconteceu. “A ficha ainda não caiu. Do jeito que aconteceu, da forma violenta que foi, ainda não acreditamos que isso foi com a nossa família. Mas estamos levando a vida. A mãe dele ainda está dormindo à base de medicamentos, pois o sofrimento é muito grande”, destacou.

Clarice Mendes diz que a família está traumatizada e as crianças não podem mais ficar nas ruas com medo de que possa acontecer o pior. “As crianças estão sendo poupadas da infância delas, pois o medo não deixa mais ninguém ficar nas calçadas. Isso é horrível. Os adultos também se privam, pois quando escurece ninguém mais sai de casa. Da forma como aconteceu foi para acabar com tudo mesmo. É necessário que as pessoas que cometeram os crimes sejam punidas. Queremos apenas justiça”, afirmou a estudante de psicologia.

O comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar em Macaíba, Tenente Coronel Josimar de Lima, considera que os altos índices de criminalidade de Macaíba se devem a desorganização estrutural do Código Penal Brasileiro. “Prendemos um indivíduo armado, levamos para a delegacia e antes da viatura voltar para a guarnição ele já está solto, e quando ele sai com a arma na cintura o único objetivo é roubar ou matar. Em novembro, no RN, apreendemos mais de 90 armas, mas quantos estão presos? Nenhum. Desarmamos, mas eles voltam para a rua. Esta é a realidade brasileira que está matando o povo nas ruas”, destacou o tenente coronel Josimar de Lima.

O tenente coronel acredita que o município de Macaíba tem se destacado nos índices de criminalidade por ser uma cidade periférica. “Muitas pessoas que vivem no submundo do crime procuram Macaíba como refúgio e é por isso que o município aparece com altos índices. Se formos fazer uma análise, muito dos criminosos não moram nem aqui, ou são forasteiros”, disse. O comandante afirmou que o efetivo não consegue atingir 100% do território de Macaíba. Das 103 mortes registradas este ano, o comandante explica que apenas quatro mortes foram de pessoas inocentes, e as demais, 99, era de pessoas ligadas à alguma atividade ilícita.

“A segurança pública precisa fazer um novo redimensionamento de polícia, pois hoje não podemos ter uma guarnição que atenda vários bairros. O ideal é uma guarnição para cada bairro. A polícia de bairro tão bem criada e idealizada hoje não consegue dar suporte que a população merece”, destacou o comandante Josimar de Lima. Os bairros mais críticos de Macaíba são Morada da Fé e Campo das Mangueiras.

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