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População de Morro Branco reclama dos problemas causados pela Lagoa do Jacaré

Data: 28 fevereiro 2013 - Hora: 18:11 - Por: Roberto Campello
Fossas clandestinas, falta de limpeza, saúde e segurança são as principais reclamações dos moradores. Foto: Heracles Dantas

Fossas clandestinas, falta de limpeza, saúde e segurança são as principais reclamações dos moradores. Foto: Heracles Dantas

Em Morro Branco, a situação de abandono da Lagoa dos Potiguares, popularmente conhecida como Lagoa do Jacaré, tem trazido sérios problemas de saúde pública e segurança aos moradores da região. A lagoa foi criada para receber exclusivamente águas pluviais, mas recebe clandestinamente esgotos há anos, o que provoca fedentina e criadouro de mosquitos, prejudicando os moradores da vizinhança. Com isso, o mau cheiro, insetos, pernilongos e muito lixo já fazem parte do cenário da lagoa e, comumente, das residências da circunvizinhança.

Na Lagoa do Jacaré, as águas são esverdeadas, sinal do acúmulo de bactérias, decorrente da decomposição de matéria orgânica. Os moradores, revoltados com a situação, protestam e cobram do poder público a imediata solução dos problemas. Com a chegada do período chuvoso, normalmente a partir do mês de março, a preocupação aumenta com um possível transbordamento das águas da lagoa, além da proliferação do mosquito transmissor da dengue.

O presidente da Associação Potiguar em Defesa da Cidadania e morador de Morro Branco há mais de 21 anos, Mario Emerenciano, acredita que a situação em que se encontra a lagoa é devida a falta de limpeza e manutenção no entorno da lagoa. “São muitas fossas clandestinas que lançam os dejetos na lagoa. É necessário além de manutenção e limpeza, a fiscalização por parte dos órgãos competentes”.

Na manhã desta quinta-feira (28), apenas dois garis estavam na lagoa, fazendo a limpeza. “É impossível apenas dois garis fazerem a limpeza dessa lagoa toda. É muito lixo e  ela é muito grande, além disso, eles mandaram alguém para limpar porque denunciamos. Não queremos limpeza por um dia, e sim uma limpeza permanente e constante”, afirmou Mario Emerenciano. Ele relata que as bombas estão quebradas e não há responsáveis pela manutenção da lagoa.

O presidente da Associação também reclamou do excesso de valas pelas ruas de Nova Descoberta que despejam águas servidas vindo das residências diretamente na Lagoa do Jacaré. Mario conta que existe uma ação tramitando na 4ª Vara da Fazenda Cível para que o Município tome providências quanto aos problemas da Lagoa do Jacaré.

A dona de casa Josita Azevedo mora na rua Tarcísio Galvão, que fica paralela à lagoa. Sua casa é bem próxima a lagoa e ela é obrigada a conviver diariamente com o mau cheiro e insetos que, vez por outra, entram em sua residência. “Amanhecemos o dia sentindo esse mau cheiro e à noite além de dormir com ele, os insetos, principalmente os pernilongos, incomodam bastante. É um problema que vai além da sujeira. É de saúde pública. Se chover, a situação vai piorar e tememos que isso venha a acontecer”, afirmou.

Questionado sobre a quantidade de pernilongos, o aposentado Modrach Lyra ironizou. “Quantos quilos de pernilongos você quer”, disse o aposentado referindo-se a grande quantidade de insetos. “O incômodo é grande. Se a pessoa passar um tempinho aqui já percebe, imagine quem mora aqui e tem que conviver com isso diariamente”, afirmou o morador.

A dona de casa Zilmar Borges, uma das moradoras mais antigas de Morro Branco, lembra que no local onde hoje é a Lagoa do Jacaré, estava prevista, na planta do bairro, a construção de uma praça, destinada ao lazer da população. “Tinha tudo para ser uma praça linda, e hoje se tornou uma fossa a céu aberto”, afirmou.

A assessoria de imprensa da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) informou que a Lagoa dos Potiguares é de responsabilidade do Município e que compete aos órgãos municipais a fiscalização das lagoas de captação de drenagem de águas pluviais. A assessoria informou que a rede de esgoto das residências de Morro Branco e Nova Descoberta, que foi concluída, nunca lançou dejetos na lagoa, pois os resíduos são jogados na Estação de Tratamento de Esgoto do Baldo.

Aqueles moradores de Morro Branco e Nova Descoberta que têm ligação de esgoto clandestina devem providenciar à ligação de esgoto à rede que foi concluída pela Caern. A ligação é de responsabilidade do usuário, que inclusive arca com os custos da mesma. O serviço do proprietário do imóvel é ligar o esgoto domiciliar até a caixa implantada pela Caern na calçada. As pessoas que não se ligarem à rede estão sujeitas às penalidades previstas na legislação. Entre os benefícios que o saneamento destes dois bairros oferece é a despoluição das lagoas conhecidas como Preá e Jacaré.

O secretário adjunto de Planejamento e Obras da Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (Semopi), Tomaz Neto, disse que foi dado início ao processo licitatório para contratação dos serviços de limpeza de todas as lagoas de captação que são de responsabilidade do Município, bem como a recuperação das bombas.

“Mas é preciso não apenas o Município fazer o que lhe cabe. É necessária uma ação conjunta dos órgãos competentes, inclusive do Ministério Público, para, numa espécie de força tarefa, conseguimos limpar e manter limpas essas lagoas. É necessário também um forte trabalho de conscientização junto à população para que o resultado possa ter eficiência. Hoje, a população despeja todo tipo de lixo nas lagoas, além das ligações de esgoto clandestino que é comum, mas precisamos combater”, afirmou o secretário.

Segurança

Os moradores de Nova Descoberta e Morro Branco também reclamam da falta de segurança, principalmente no entorno da lagoa, que serve de esconderijo para os bandidos. Oito residências na rua Tarcísio Galvão já foram invadidas. O presidente da Associação Potiguar em Defesa da Cidadania disse que a comunidade carece, inclusive, de um posto policial, desativado há cerca de oito anos. Segundo Mario Emerenciano, o posto da PM que foi desativado ficava entre as ruas da Saudade e Tarcísio Galvão, já próximo à Lagoa do Jacaré. Nos próximos dias, o presidente da associação se reunirá com representantes do Ministério Público, da Polícia Militar e da Secretaria Estadual de Segurança Pública “para resolver o problema de forma definitiva”.

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