Por que dar uma de Dilma e manter dinheiro em casa é roubada grande

Veja 10 razões citadas por especialistas em finanças pessoais que explicam por que guardar dinheiro em espécie é besteira

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Esse costume poderia passar despercebido, não fosse o fato de que a quantidade de dinheiro vivo mantida por eles dificilmente caberia embaixo de um colchão.

Somente da parte da presidente Dilma Rousseff são 152 mil reais. Outros chegam a guardar valores que batem a casa dos milhões de reais e todos juntos somam 269,7 milhões de reais em espécie, conforme noticiou o jornal o Globo.

Por mais que as explicações dos candidatos sobre o assunto façam algum sentido para você, especialistas em finanças pessoais não recomendam tentar fazer isso em casa.

Veja a seguir por que os hábitos dos políticos não devem servir como inspiração dessa vez e entenda por que guardar dinheiro em espécie não é uma boa ideia:

1 – Você pode ser roubado

Por mais segura que seja sua residência, certamente um ladrão conseguirá roubar mais facilmente o dinheiro que você guarda em casa do que aquele depositado em sua conta bancária.

Além do risco de ter o dinheiro levado se sua residência for invadida, guardar uma grande quantia em espécie pode ser exatamente o fator motivador do roubo. “A pessoa corre o risco não só de perder o valor se isso se tornar público, como pode expor sua família”, diz Gilberto Braga, Professor de Finanças do Ibmec/RJ.

Ele acrescenta que os assaltos a banco diminuíram muito nos últimos anos justamente porque as instituições não costumam mais guardar tanto dinheiro em espécie. “Hoje, em vez de assaltar bancos, ladrões explodem caixas eletrônicos”, comenta Braga.

2 – O risco de o banco sumir com seu dinheiro é mínimo

Por mais que nada tire da sua cabeça que o banco pode quebrar, a probabilidade de perda do dinheiro é menor com a quebra do banco do que com um assalto.

Mesmo se o banco quebrar, existe uma garantia sobre o crédito de até 250 mil reais, que vale tanto para contas correntes, quanto para a poupança e outras aplicações. Essa garantia é oferecida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade mantida pelos próprios bancos que tem o objetivo de proteger os clientes e prevenir crises bancárias.

Conforme explica Rafael Paschoarelli, professor de finanças da USP, nosso sistema de segurança bancária é referência mundial. “Basta comparar quantos bancos americanos e quantos bancos brasileiros faliram nos últimos anos. Aqui as regras bancárias são muito estritas e não permitem diversas coisas que são permitidas outros países.”

3 – Você perde dinheiro

Ao guardar dinheiro em casa, sobretudo se a quantia for alta, você perde dinheiro. A explicação está no custo de oportunidade: mesmo que as notas continuem intactas, ao manter o dinheiro em casa, você perde a oportunidade de rentabilizar seu dinheiro.

“Ao manter o dinheiro em espécie, a pessoa paga no mínimo 6% ao ano, que é o quanto o dinheiro renderia na pior aplicação de renda fixa possível, que é a poupança. Se forem guardados 100 mil reais, são 6 mil reais perdidos em um ano”, compara o professor da USP.

A presidente, por exemplo, ao guardar 152 mil reais em espécie perde em um ano pelo menos 9.954 reais, que seria o rendimento obtido na poupança com a Selic nos atuais 11% ao ano e considerando uma Taxa Referencial (TR) de 0,03%.

Se ela fizesse um investimento mais rentável, como nos títulos de dívidas do governo – do seu governo, diga-se de passagem – ela ganharia em um ano 12.975 reais a mais com o título público mais conservador, a Letra Financeira do Tesouro (se investisse em uma corretora que não cobra taxas).

4 – Você não se protege contra riscos muito maiores do que o risco de o banco quebrar

Com a garantia do FGC, para que o dinheiro mantido na conta corrente do banco – dentro do limite de 250 mil reais – não fosse reembolsado seria preciso ocorrer um colapso financeiro para que diversos bancos quebrassem ao mesmo tempo e o FGC não fosse capaz de socorrer todos os clientes.

Guardar dinheiro em espécie para se prevenir sobre esse risco, portanto, é o mesmo que tentar se proteger de uma crise como a ocorrida em 2008, uma vez que mesmo esse evento não foi capaz de provocar uma crise sistêmica no Brasil.

O professor da FEA faz uma analogia: “Bater em um Rolls Royce é algo mais provável do que o sistema bancário quebrar e mesmo assim muitas pessoas não pagam um seguro que cobre o dano de uma batida em um carro desses. Então, pagar para se proteger contra o risco de um colapso financeiro guardando dinheiro em espécie não faz o menor sentido”.

E não é preciso ir muito longe. Algumas pessoas não contratam nem mesmo um seguro de residência, cujos riscos de prejuízos podem ser maiores e mais prováveis do que o risco de uma perda causada, por exemplo, por um novo congelamento das poupanças.

5 – Sua saúde pode ser ameaçada

Desde cedo nós aprendemos que dinheiro não é nada higiênico, mas o buraco é mais fundo: as cédulas possuem um alto nível de contágio de doenças, sobretudo em países tropicais, como o Brasil.

Essa constatação foi tema do livro “Dinheiro Sujo”, de João Carlos de Oliveira Tórtora, professor de Microbiologia da Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro. Em entrevista à TV Globo, o professor relatou que uma cédula de real pode carregar mais de 1000 bactérias por centímetro quadrado.

“O dinheiro é um dos itens mais sujos e pessoas que levam dinheiro para casa tendem a escondê-lo em lugares de difícil acesso. Por mais incrível que pareça, muitos guardam o dinheiro em meio a roupas e casacos, aumentando o risco de doenças”, comenta Gilberto Braga.

7 – Nem o banco guarda dinheiro em espécie

Pense no melhor investidor que você conhece. Muito provavelmente ele nunca será um investidor tão bom quanto a tesouraria de um banco.

Basta apenas dizer que esse é o departamento que gerencia o caixa do banco buscando maximizar seu retorno. Ou seja, em vez de alguns milhares ou milhões de reais, elas fazem decisões de investimento que envolvem bilhões de reais.

“A tesouraria de um banco é quem mais entende de dinheiro. Se elas não deixam o dinheiro em espécie parado de um dia para o outro, fica mais do que claro que essa não é uma boa estratégia”, diz Paschoarelli.

8 – Essa pode não ser a melhor forma de organização

Algumas pessoas têm o hábito de sacar dinheiro para controlar melhor os gastos. De fato, ver o dinheiro sumindo da carteira, do cofre ou do colchão, pode ser algo mais palpável do que ver a diminuição do saldo em conta.

No entanto, se o intuito é não gastar o dinheiro reservado para as contas do mês, abrir uma conta poupança para os gastos essenciais pode ser uma alternativa menos arcaica. Como ela fica separada da conta sobre a qual são debitados os gastos no cartão, você não gastará seu dinheiro de forma tão simples.

Para o professor do Ibmec, no entanto, as pessoas que têm propensão a gastar por impulso o farão de qualquer forma, independentemente de estar com o dinheiro na mão ou com um cartão.

“A verdade é que essa pessoa precisa de educação financeira. Pessoas que não se controlam geralmente têm problemas psicológicos que as levam a gastar para compensar outro tipo de frustação e ter dinheiro em espécie não resolve o problema”, diz Braga.

9 – Você terá que declarar de qualquer forma

Conforme explica Samir Choaib, advogado especialista em imposto de renda, dependendo da quantia, o dinheiro em espécie deve ser declarado e existe um código específico para isso na declaração, o “Código 63 – Dinheiro em espécie – moeda nacional”, na ficha de “Bens e Direitos”.

Como em muitos casos os valores em espécie mantidos pelos contribuintes são irrisórios, não é comum que sejam declarados. “A Receita diz que bens abaixo de 5 mil reais não precisam ser declarados, mas qualquer quantia em espécie superior a 5 mil reais deve ser declarada”, diz Choaib.

10 – Se o valor for alto, você pode chamar atenção do Fisco

Todo ano a Receita cruza as informações declaradas pelos contribuintes para avaliar qual foi sua evolução patrimonial de um ano para outro e para checar se as despesas realizadas naquele período são compatíveis com as receitas declaradas, ou se houve algum tipo de omissão.

Isto é, se for declarada uma alta quantia de valor em espécie, o contribuinte deve também demonstrar qual foi a fonte desse rendimento. “Não é comum guardar altas quantias em espécie, então se o valor for muito alto eventualmente o contribuinte pode chamar a atenção da fiscalização”, diz Samir Choaib.

Ele acrescenta que a Receita pode inclusive solicitar que o contribuinte explique qual é a origem do valor em espécie declarado, apresentando os extratos bancários que comprovem os saques dos valores correspondentes.

 

Fonte: Exame

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