Porta-retratos

O Rio Grande do Norte tem coisas ótimas e é por isso que viver aqui, sob esse sol a aquecer…

O Rio Grande do Norte tem coisas ótimas e é por isso que viver aqui, sob esse sol a aquecer a nossa imaginação, é tão instigante. Ontem, saído enfim das entranhas mais íntimas, e depois de três longos anos de meditação e construção, o doutor Demétrio Torres, graças a Deus, matou, num golpe, a pobre melancolia que ameaçava nossa amanhã, ao reconhecer que não temos futebol para viabilizar a Arena das Dunas. A descoberta chega tarde, mas ainda arde nas nossas consciências.

Menos por mim, Senhor Redator. Ainda no tempo do Governo Wilma, e diante do desvario que se desenhava no céu desta aldeia, na ilharga desses morros e no beiço desse rio e desse mar, chamei de estádio delirante. Não cabe na cabeça de ninguém erguer uma ilha de riqueza, cercá-la de pobreza por todos os lados e depois festejar uma dívida de R$ 1,2 bilhão. A ser paga ao longo de vinte anos ou cinco governos, uma conta que vai até 2034 para gáudio de alguns poucos senhores.

Somos assim, Senhor Redator. No passado, um dos nossos governadores criava macacos nos salões do Palácio Potengi e, de lá pra cá, vivemos essa maldição de sonhos e devaneios nesta vila que também foi, por puro delírio, a capital espacial do Brasil. Nos nossos delírios, construímos a maior fábrica de barrilha do mundo, uma marina para matar de inveja o Principado de Mônaco e uma ponte nos ligando a Fernando de Noronha, um sonho morto unicamente pela inveja de alguns.

Ora, tivemos o ar mais puro do mundo segundo atestaram os mais modernos telescópios do inativo Instituto Nacional de Atividades Espaciais e até hoje estão aí, cercados, sem serventia e sem uso, centenas e centenas, talvez milhares de hectares no nosso litoral mais caro, segundo acredita o mercado imobiliário. E tivemos – seria bom mantê-los com soberba? – um tal e delirante dominó de ocorrências que de suas fontes jorrariam riquezas como uma bela e majestosa cornucópia gigante.

Ontem, com flechas e arcos, bordunas e tacapes, lutamos com ira e destemor e enfrentamos os mais terríveis invasores. Enxotamos daqui os franceses, os holandeses e, por fim, os portugueses. Para não citar que lá de Mossoró Lampião saiu correndo, cheio de pavor, e ainda fotografamos, com a nossa frieza, as vísceras expostas de Jararaca como uma miséria humana, arfando, quase morto, depois canonizado nas ladainhas sobre sua cova rasa e pobre, pelo mesmo povo que o arcabuzou.

Por três dias tivemos um governo comunista com um jornal que se chamou A Liberdade, e, se durou tão pouco, a culpa não foi do heroísmo dos nossos heróis socialistas, mas da covardia o nosso povo. Se hoje temos um colosso de estádio, pronto para servir aos nobres forasteiros de todas as origens, acredite, não é por maldade. É da nossa natureza essa falta de amor próprio. Daí essa Arena das Dunas erguida para o futebol dos nobres. Posto que, pelo nosso, ficaria entre às moscas.

 

VICE – I

O levante do PDT pode até não ir muito longe, mas adiou a confirmação de João Maia no chapão liderado pelo PMDB. Como no poema famoso de Drummond, tem uma pedra no meio do caminho.

E… – II

Essa pedra não é o prefeito de Parnamirim, Maurício Marques. Ele não tem pedra na sua pedreira para fechar um caminho tão largo de um acordão dos grandes. É a voz de uma garganta mais forte.

CLIMA – III

Acordão entre estranhos tem dessas coisas: o PMDB, pelo sim pelo não, decidiu não adiar mais o anúncio da chapa com Wilma de Faria para o Senado já temendo alguma mudança de última hora.

COMO? – IV

Ontem o deputado João Maia declarava ter ouvido que sua presença no chapão, como vice, seria essencial. Hoje o PMDB anuncia Henrique e Wilma. O arranjo sempre precisa de bom aparador.

ALIÁS – V

Pode ter mais dissidência no G-10, o grupo dos pequenos partidos que ao somarem seus tempos de tevê chegaram a um capital de quatro minutos. E não é fácil acomodar a todos na mesma gamela.

ATENÇÃO

Tem gente encalacrada nos descaminhos da Urbana, a empresa municipal responsável pela coleta do lixo. O prefeito já foi informado do passado de traquinagens. E a Justiça vem apurando o olho.

ATENÇÃO II

O prefeito Carlos Eduardo pode pagar nas ruas de junho, na anunciada nova jornada de protestos durante a copa pela imobilidade, o demorado passe livre, tarifas e a má qualidade dos transportes.

CARTEL

O cidadão tem pouquíssimas chances de vencer a fúria do cartel dos combustíveis não só em Natal, mas em todo Estado. É que os manipuladores dos preços dos combustíveis têm costas muito largas.

IMÓVEL- I

A concorrência dos transportes só no final deste ano e a bilhetagem única não sai antes de 2015. A imobilidade no seu abraço tentacular vem paralisando pouco a pouco a tal da mobilidade urbana.

NEMO – II

Daqui a pouco, para enfrentar o polvo, prefeito convocará o Capitão Nemo, lendário personagem de Júlio Verne em Vinte Mil Léguas Submarinas, com seu submarino Náutilus na sua ilha misteriosa.

PERIGO- I

Vem aí a antologia lampiônica: cinquenta poemas sobre Mossoró, depois daquela que reuniu cem novos poetas mossoroenses de uma só vez e num só volume. Deus salve Mossoró do mau gosto.

PIOR – II

Com a perda de Dorian Jorge Freire e Jaime Hipólito Dantas a literatura mossoroense paga hoje um preço medonho. Da literatura mergulhou na literatice e da literatice caiu nesses jogos de sabidos.

OITENTA – I

Sábado, depois de amanhã, às 20h30, nos salões do Versailles – Rua Coronel Milton Freire, 2919 – na Cidade Jardim, a festa dos oitenta anos de Afonso Laurentino. Reunindo a família e os amigos.

GESTO – II

Quem desejar presentear Afonso: ele pede que procure a Cooperativa Cultural do Campus da UFRN para escolher um dos livros selecionados nas suas estantes para uma doação ao Instituto Kennedy.

A…

Que ponto chegamos neste país que sempre o lugar do futuro protegido por Deus: a matéria de capa da revista TRIP mostra que os jovens brasileiros a cada dia desejam mais tentar a vida noutro país.

ÁGUA

De um gaiato ao saber que a Caern perde R$ 6 milhões todos os meses com ligações clandestinas: ‘O pior: não é por generosidade com os pobres. Mereceria aplauso. É por declarada incompetência’.

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