Porto de Natal sofre com falta de estrutura e descaso público

Navio com trigo dos EUA espera dias para descarregar

Falta de estrutura do Porto de Natal preocupa a Codern. Foto: Divulgação
Falta de estrutura do Porto de Natal preocupa a Codern. Foto: Divulgação

Marcelo Hollanda
hollandajhornalista@gmail.com

O navio Takeshio, de bandeira panamenha, espera desde sábado passado (21) para desembarcar um carregamento de 14 mil toneladas de trigo no porto de Natal por causa de um problema recorrente: a falta de um segundo rebocador, necessário para ajudar embarcações mais antigas, que não disponham de sistema de propulsão lateral, tenham 10 metros de calado e estejam acima de 190 metros de cumprimento.

Não é a primeira vez este ano que isso acontece, mas é a primeira que um rebocador vem de tão longe para prestar esse serviço – de Itaqui, em São Luiz do Maranhão. Este ano já vieram rebocadores de Fortaleza e de Cabedelo, na região metropolitana de João Pessoa, no trabalho de ajudar navios a atracarem num dos três berços do terminal. Toda vez que isso acontece, o custo para o armador é de US$ 35 mil por dia, informaram ao JH fontes ligadas ao porto. A expectativa é que se o Takeshio não entrar na tarde de hoje, o faça ainda nesta quarta-feira de Natal.

É mais uma das muitas consequências da desativação do píer das Dunas, que garantia a presença de pelo menos quatro navios todos os meses no porto, trazendo combustíveis para a antiga área de tanques da Petrobras, em Santos Reis, desativada desde o fim de 2012 e desmontada em setembro último. De uma tacada só, sem a operação, Natal ficou sem uma base de abastecimento – fundamental para qualquer estrutura portuária – e sem o apoio de dois rebocadores.

Hoje, o presidente da Companhia Docas do Rio Grande do Norte, Pedro Terceiro, reconheceu a gravidade do problema. Ele informou  que as negociações com a Wilson Sons para manter dois rebocadores envolvem “custos excessivos para a Codern” e que em janeiro ele pretende levar essa questão ao Ministério dos Portos para ver o que é possível fazer. “É um problema que nos preocupa muito”, acrescentou.

Da mesma forma, preocupa o presidente da Codern a falta de uma base de combustíveis extinta com a desativação dos tanques de Santos Reis. Sobre isso, Terceiro disse que pretende solicitar à Petrobras um serviço constante de balsas trazendo combustíveis, já que o problema afeta especialmente quem vive da atividade pesqueira – empresas e pescadores.

Antigamente, o porto se beneficiava de dois rebocadores por causa do contrato nacional que a Petrobras mantém com a Wilson Sons. Quando acabou a atividade no píer, os rebocadores da empresa foram embora. Como os navios da CMA/CGM, que fazem as exportações de frutas, entre outros carregamentos menores, prescindem desse serviço, não há demanda que justifique manter dois rebocadores.

Com uma ponte de modesta envergadura, que liquidou qualquer possibilidade de Natal receber grandes embarcações; com um terminal pesqueiro com obras paralisadas há mais de dois anos e um terminal de passageiros que começará a operar no improviso,  2014 sinaliza muitos problemas pela frente.

A estrutura atual do porto de Natal pode receber três navios simultaneamente ao longo dos 500 metros de cais, divididos em três berços. A construção do quarto berço foi considerada fundamental para ampliar essa atividade. O problema é que os recursos federais não estão vindo e o projeto da construção do quarto berço continua paralisado.

Mas há outros problemas. Com a construção do terminal de passageiros já deveria ter iniciado as obras de mudanças dos acessos ao porto, colocando em lados opostos a movimentação de passageiros e a de carga. Ao longo deste ano, várias reuniões com o a presença da prefeitura e do Patrimônio Histórico da União debateram essa questão e ficou-se de se trabalhar no projeto dessas mudanças. Até agora, nada.

Dias atrás, a governadora Rosalba Ciarlini confirmou que um navio mexicano, com três mil torcedores, que atracaria na cidade em junho, não poderia entrar no porto por ter 66,8 metros de altura, quase 12 a mais que o vão da Ponte Newton Navarro.

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