Porto Seguro
Paulo Porto é o novo técnico do ABC. Até aí, mais nenhuma novidade para o torcedor. As boas novas, mais do que esperadas, são pelo retorno do futebol que o elenco alvinegro chegou a apresentar em algumas partidas da Copa do Nordeste e que sumiu, assim como a paz no clube da Rota do Sol, após se tornar pública a notícia de que os salários dos jogadores estavam para lá de atrasados.
A chegada do treinador serve como um bastião de paz e segurança em vários sentidos. Financeiro, já que a escolha foi baseada especialmente no baixo custo em relação a outras opções avaliadas pela diretoria. Experiência, visto os anos de militância do técnico de 61 anos no futebol gaúcho, desafiando em algumas oportunidades, as forças maiores como Grêmio e Internacional com equipes de porte bem inferior. Eficiência com baixo custo, principalmente, por conseguir, com equipes de baixo investimento, chegar a duas finais consecutivas da Taça Piratini e, até mesmo, à final do Gauchão.
Uma preocupação – e que pode criar uma antipatia do torcedor abecedista – é o padrão de jogo geralmente utilizado pelo treinador. Semelhante ao estilo vencedor do ex-treinador abecedista Leandro Campos, responsável pela indicação, Paulo Porto não costuma arriscar em suas escalações e formações e chega a ser pragmático.
Não que o torcedor Alvinegro tenha do que reclamar do estilo, já que foi campeão brasileiro da Série C, bicampeão estadual e finalista da Copa do Nordeste em 2010, mas um padrão de jogo que não seduz é o tipo de segurança que o abecedista não esperava encontrar novamente tão cedo. Espera-se que, pela entrevista de tom ousado ao JORNAL DE HOJE, possa contaminar o estilo de jogo do treinador.
Pois se for, o ABC terá um comandante de personalidade e voraz por vitórias. Caso contrário, o sonho do treinador de ir pela primeira vez e do torcedor de voltar a Série A do Brasileiro continuará a ser um projeto sem data para ser posto em prática.
Baixas
A crise parece ter pego o ABC de jeito. Com atraso de salários que chega até quatro meses, o clube perdeu o técnico Givanildo Oliveira, o goleiro Andrey, agora o meia Raul. Em Recife, a contratação do jogador já foi anunciada pelo Santa Cruz no site oficial do clube. No ABC, ninguém comenta o assunto, mas o fato é que o jogador já está de malas prontas. O problema financeiro do clube teria sido o motivo para a saída do jogador do Alvinegro.
Elefante no buraco
Uma luz no túnel é vista pelo ABC para amenizar a crise que ronda o clube. Com R$ 600 mil da cota da CBF já antecipados, o Alvinegro tenta adiantar mais R$ 600 mil do total dos R$ 2,1 milhões que ainda restam a receber. Mas a ação emergencial será suficiente apenas como um afago às finanças do clube no momento, já que com o adiantamento, o planejamento para a Série B será inevitavelmente comprometido. Só um patrocínio real – e alto – para tirar o elefante do buraco estreito em que se enfiou.
Prova de Macho
O Potiguar de Mossoró perdeu no fim de semana uma invencibilidade que já durava 10 jogos no Campeonato Estadual. A última derrota havia sido no dia 30 de janeiro, diante do Alecrim. Depois, veio uma sequência de sete vitórias e três empates, com o time marcando 23 gols e sofrendo apenas quatro. O resultado negativo diante do Assu, no domingo, colocará à prova o poder de reação da surpreendente equipe do técnico Samuel Cândido. A boa campanha do Time Macho era fogo de palha ou vai voltar aos trilhos diante do América, na quarta-feira? É esperar para ver…


