Posições de Wilma e Fátima definem chapas majoritárias no pleito de 2014

Ex-governadora e deputada são cobiçadas por pré-candidatos para composição das chapas majoritárias

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Ciro Marques

Repórter de Política

No Dia da Mulher, comemorado internacionalmente neste sábado, uma realidade está visível para todos: duas mulheres vão definir os rumos da política potiguar nos próximos meses, Wilma de Faria (PSB) e Fátima Bezerra (PT). Com popularidade em alta junto ao eleitorado, as duas podem ser colocadas como as “noivas” do pleito e, não por acaso, estão sendo disputadas de forma acirrada pelos partidos e pré-candidatos para a composição de chapas majoritárias. Os caminhos escolhidos por elas poderão confirmar candidaturas e, até mesmo, vencedores da disputa política que está por vir.

Para quem duvida, a confirmação é simples e pode ser facilmente testada pelas condições políticas que as duas atravessam. Fátima Bezerra, deputada federal mais votada em 2010, vive a expectativa de disputar pela primeira vez o Senado Federal, apoiada por um grande número de potenciais eleitores, graças aos trabalhos feitos no setor da educação, sobretudo, com a conquista de diversos IFRNs para o interior do Estado.

Dessa forma, a candidatura dela, por sinal, é quase uma imposição do PT nacional para aumentar o número de senadores do partido em 2015. Agora, a aproximação dela do PSD começa a fortalecer a candidatura do vice-governador e pré-candidato ao Governo, Robinson Faria. Afinal, acaba por ser o “apoio de peso” que Robinson procurava desde que afirmou que tinha interesse em disputar o governo, ainda em 2013.

Ainda há dúvida de que Fátima é forte? Pois bem: na última pesquisa de intenção de voto publicada pela Consult, em dezembro de 2013, a ex-governadora e atual vice-prefeita de Natal, Wilma de Faria, ganharia com boa margem de votos de todos os adversários – incluindo o ministro Garibaldi Filho, o presidente da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves, o empresário Fernando Bezerra e o vice-governador Robinson. A vitória mais apertada, quase um empate técnico, seria, justamente, se ela disputasse o Senado contra Fátima.

Essa situação, inclusive, pode ser um dos fatores que atrasa a definição sobre o destino da própria Wilma de Faria. Ela aceitaria disputar o Senado contra Fátima, desde que não seja para compor uma chapa contra um candidato “fraco” para o Governo. Porque se isso for acontecer, para Wilma, é melhor disputar o próprio Governo, onde teria mais chances de ganhar.

E se a ex-governadora não se decide, o PMDB – partido que já confirmou que lançará um nome ao Governo, mas não disse quem – não escolhe o candidato. Isso porque, para a sigla, ter o apoio de Wilma de Faria (ou melhor, tirá-la da disputa para o Governo) é fundamental para que o projeto possa ser confirmado. Hoje, o partido de Henrique, Garibaldi e Fernando Bezerra sabe que uma disputa direta contra a ex-governadora significa uma redução das chances de vitória.

Dessa forma, pode-se dizer que está nas mãos de Wilma e Fátima Bezerra a definição do pleito de 2014 – ou, pelo menos, de quem serão os candidatos. Se confirmar o apoio a Robinson e a composição da chapa disputando o Senado, Fátima confirma a candidatura do PSD. Consequentemente, deixa Wilma mais “exigente” com relação a quem ela vai escolher para ficar ao lado dela na disputa deste ano (e se vai escolher alguém para disputar o Governo ou vai ela mesmo para o pleito). Se a ex-governadora for para a disputa pelo Senado, deixa o caminho livre para o PMDB. Se for para o Governo, pode forçar os peemedebistas a lançarem (a contra gosto) o ministro e ex-governador Garibaldi – e pode até fazer Robinson Faria pensar duas vezes antes de concorrer ao Executivo.

EFEITO DILMA

A pergunta que pode ser feita diante disso é: se Wilma e Fátima são tão fortes, porque as duas não se juntam para a disputa de 2014? Porque há outra mulher impedindo isso, a presidente da República, Dilma Rousseff. Tendo o PSB pré-lançado a candidatura própria à Presidência e o PT decidido proibir o “fortalecimento do palanque adversário”, as duas siglas estariam proibidas de se aliar para o pleito deste ano.

Sendo assim, o PT no Rio Grande do Norte veta a presença de Wilma numa chapa majoritária, o que impede uma eventual composição entre Fátima para o Senado e Wilma para o Governo. Ou mesmo uma composição de Wilma para o Senado e outro nome para o Governo, apoiado pelos petistas (com indicação de vice-governador ou suplente de senador).

Pedido da mulher de Garibaldi foi fundamental para decisão

Por sinal, quando se fala em mulheres decisivas para a política, é importante lembrar que há outras, em posições não tão destacadas, mas que podem sim influenciar a escolha de grandes agentes políticos. O caso de Garibaldi Filho, por exemplo, que tem dito e repetido que não quer ser candidato ao Governo em 2014. A posição não é, exclusivamente, do atual ministro da Previdência Social.

Garibaldi tem, dentro de casa, uma forte resistência para ser novamente candidato: a mulher dele, Denise Alves. Ciente de que o companheiro já cumpriu o papel dele no Governo do Estado, a opinião dela é um dos principais motivadores para que o ministro negue, com tamanha veemência, uma nova candidatura ao Governo. Dessa forma, inclusive, deixa o PMDB em situação mais difícil, uma vez que os nomes que têm, Fernando Bezerra e Henrique, não convencem de maneira tão fácil a ex-governadora a abrir mão do Executivo. Concorrendo contra Garibaldi, também ex-governador, Wilma sabe que seria preciso um investimento maior e, consequentemente, poderia ser mais facilmente convencida a seguir pelo Senado.

Por sinal, Wilma de Faria também sofre a influência de outra mulher na sua decisão: a filha, Márcia Maia. Dentro de uma coligação ao lado de partidos como o PMDB e o PROS, as duas maiores bancadas na Assembleia Legislativa, a deputada estadual teria uma reeleição mais facilitada neste ano. Se o PSB de Wilma decidir lançar candidatura própria para o Governo, isolando-a desses dois aliados, a reeleição de Márcia poderia ser mais difícil e, principalmente, mais cara.

Nesse aspecto, aparece novamente um ponto favorável à aliança com o PMDB. Uma vez que, comenta-se, o partido estaria disposto, até, a ajudar financeiramente na eleição de Márcia Maia se isso convencesse Wilma a abrir mão do Governo e apoiá-los no Senado. Essa informação, porém, não é confirmada dentro do PSB.

“Fator Rosalba Ciarlini”

Se há uma terceira mulher que pode ser decisiva nesta eleição, mesmo sem ser candidata ou ter qualquer relacionamento familiar com alguns dos potenciais nomes em disputa, essa mulher é Rosalba Ciarlini. Condenada na Justiça Eleitoral, a atual governadora do Estado ainda não definiu se disputará a reeleição ou não. Mesmo assim, o status de desaprovação que o Governo dela alcançou poderá influenciar os candidatos da mesma forma como a ex-prefeita Micarla de Sousa influenciou.

O PT de Fátima Bezerra e o PSB de Wilma de Faria, pelo menos, podem dizer que jamais apoiaram o Governo que alcançou mais de 80% de desaprovação. E Wilma, inclusive, poderia ir até mais longe, sendo a última referência de administração antes do Governo Rosalba Ciarlini e, consequentemente, aproveitar a mesma popularidade que facilitou o retorno do atual prefeito, Carlos Eduardo Alves, ao poder municipal.

Robinson Faria e o PMDB, porém, não têm essa mesma sorte. O primeiro apoiou Rosalba, ajudou na eleição dela mas, pelo menos, deixou o Governo ainda no primeiro ano, criticando-o pela centralização do poder. Os peemedebistas fizeram pior: aderiram à gestão estadual depois do primeiro ano e, só no ano passado, romperam com a gestão estadual, justificando, para isso, o mesmo motivo dado por Robinson ainda em 2011.

E lembrar que o PMDB sofreu da mesma forma em 2012, por ter participado da gestão Micarla de Sousa. Essa, por sinal, foi a estratégia utilizada por Carlos Eduardo durante o segundo turno para derrotar o adversário peemedebista, Hermano Morais: relacionar o partido dele ao fracasso da gestão da ex-prefeita.

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