Postura e território

Não deixa de ser uma tática de acuidade política a decisão do vice-governador Robinson Faria e da deputada Fátima Bezerra…

Não deixa de ser uma tática de acuidade política a decisão do vice-governador Robinson Faria e da deputada Fátima Bezerra ao anunciarem que irão à ex-governadora Wilma de Faria e ao prefeito Carlos Eduardo Alves. Deles dois querem ouvir, formalmente, o rompimento e a razão da decisão, agora que estão aliados e se lançaram ao Governo e ao Senado no mesmo campo de luta onde antes aqueles dois atuaram, e hoje aliados a quem, há dois anos, tentou derrotá-los nas eleições municipais.

O que parece óbvio, ou simples perda de tempo, a rigor, faz um absoluto sentido político e evita que o abandono de antigos compromissos passe sem a fixação do gesto e a demarcação do território. É hora, certamente, de deixar clara a legitimidade do posicionamento oposicionista da chapa que reúne Robinson e Fátima nas lutas deste ano e a quebra de postura. O gesto dará o tom das retóricas e das linhas de discurso, confinando Wilma e Carlos ao silêncio como caudatários de um grupo governista.

Aliás, Robinson e Fátima sabem das tensões que aquecem as relações de pesos e circunstâncias dentro do PMDB diante de um PSB wilmista e de um PDT carlista que tentam evitar uma presença do DEM do senador José Agripino e do PSDB de Rogério Marinho, ex-secretário do Governo Rosalba Ciarlini. Tê-los ainda que disfarçados como aliados apenas na chapa proporcional é deixar cair de vez a máscara de oposição de maiores aliados rosalbistas governando juntos ao longo de mais de três anos.

É essa nitidez que Robinson e Fátima irão produzir no encontro com Wilma e Carlos e que não seria assim se por acaso eles fossem candidatos ao Governo e Senado, posições legitimas. Não é bem o caso. Os dois aderiram ao projeto do PMDB e numa adesão tão nítida que sequer exigiram saber quem será o candidato ao governo, estilo que caracteriza o adesismo em toda plenitude e fere a tradição de Wilma e Carlos que sempre buscaram o apoio das forças populares e não das máquinas das famílias.

Como todos de repente ‘henricaram’ – O PSB de Wilma, o PDT de Carlos, o DEM de Agripino, o PSDB de Rogério, o PR de João Maia e mais dez pequenos partidos, cada um fixando a troca do seu gesto, o quadro político acabou tendo dois polos: de um lado os capitaneados pela força poderosa do deputado Henrique Alves e do outro, os que sobraram daquela resistência que em determinado instante contava com o apoio de Wilma de Faria e Carlos Eduardo, hoje rompidos sem motivos com os aliados.

O quadro revela que nem sempre uma habilidade política consegue esconder as tintas fortes dos arranjos engendrados nos gabinetes. Ninguém nega a eficiência prática dessa articulação do deputado Henrique Alves. Mas, também, ninguém – nem o próprio Henrique – pode garantir o controle da reação do olho popular diante do quadro que foi pintado ao longo das últimas semanas. Rebeldes sem causa já foram derrotados, assim como poderosos unidos caíram em desgraça nas urnas. É cedo para previsões.

 

CONVERSA

O prefeito Carlos Eduardo Alves passa o dia de hoje em Brasília. Além da agenda administrativa junto a ministérios, tem uma nova conversa política com o deputado Henrique Alves. A anterior foi sábado.

MARKETING – I

Até meados de abril, se tanto, a Prefeitura de Natal lança o edital de concorrência da verba publicitária que para o exercício de 2014 deve ser da ordem de R$ 12 milhões. Só para fazer seu marketing oficial.

RESTA – II

Saber se no Governo e na Prefeitura as verbas reservaram valores para campanhas de informação para a sociedade ou é para promover culto à personalidade, um abuso que já não cabe mais nos dias de hoje.

CIC – I

O Conselho Estadual de Cultura desaconselhou o tombamento do Colégio da Imaculada Conceição por não considerar edificação histórica, pactuando em carta-compromisso a preservar a capela e a fachada.

CERTO – II

Não se confunde valor afetivo de patrimônio imaterial com valor histórico para fins de tombamento. A decisão do conselho foi de acatar o parecer do seu conselheiro Jurandir Navarro. Venceu o bom senso.

ALIÁS – III

A sede do CIC além de ter sido submetida a reformas e ampliações desde 1947 sem obedecer a estilo e escolas arquitetônicas não tem importância histórica. É apenas símbolo das recordações de ex-alunas.

JUSTIÇA

O Tribunal de Justiça, pleno e unânime, absolveu o juiz Carlos Adel e Maurílio Pinto das acusações de escuta telefônica sem autorização. Desembargador Claudio Santos o relator e Cleto Barreto advogado.

CANUDO

Eduardo Abbott Galvão Serejo Gomes, filho de Sônia e Alberto, nosso Betuca, é agora o mais novo engenheiro. Recebeu ontem o seu canudo das mãos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

PMDB – I

De Elio Gaspari, ontem, na Folha: ‘Ganha viagem a Roma, com direito a hotel ‘padrão Dilma’, quem souber apontar uma só política pública associada ao desentendimento do PMDB com o governo atual’.

NA… – II

Na opinião de Gaspari, no governo atual, passados e futuros, os problemas do PMDB nas relações com o Planalto é sempre na busca de ministérios e cargos públicos. A fome dos pemedebistas é insaciável.

GOSTO

O caderno Comida, da Folha, mostrou esta semana que a presidente Dilma Rousseff é mais prosaica do que imaginam os gourmets e enólogos. Gosta de ovo caipira, frito – ‘estrelado’ – e de carne de panela.

NISIA

Ontem, no canal NBR, um dos destaques da agenda de cinema foi o filme de Tânia Quaresma sobre a vida e a obra de Nísia Floresta. Com fotografias históricas e as cenas gravadas na cidade onde nasceu.

CASCUDO

Diógenes da Cunha Lima trabalha na quarta edição do seu ‘Câmara Cascudo, um brasileiro feliz’ agora com a inclusão de um conjunto com as frases de humor do autor do Dicionário do Folclore Brasileiro.

REVISTA

A terceira edição da revista Grande Ponto vai ser lançada amanhã, sexta, dia 14, no Dia da Poesia, no Palácio Potengi, sede da Pinacoteca do Estado. E conta um pouco da história desta Aldeia de Camarão.

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