Potiguar Renan Barão acha injusto ganhar menos que seus rivais no octógono

Bolsa do norte-americano Urijah Faber foi 5 vezes maior que a do brasileiro

Barão: "Gosto de mostrar que no Nordeste também tem cultura, que não é só os Estados Unidos". Foto: Wellington Rocha
Barão: “Gosto de mostrar que no Nordeste também tem cultura, que não é só os Estados Unidos”. Foto: Wellington Rocha

Diego Hervani

diegohervani@gmail.com

Invicto há oito anos, campeão do UFC e considerado um dos melhores lutadores de MMA do mundo. A fase do potiguar Renan Barão dentro do octógono dispensa comentários. Mesmo com o bom momento, ainda existe um assunto que deixa o natalense, nascido e criado no bairro das Quintas, um pouco chateado.

Na última luta, quando defendeu pela primeira vez e manteve o título linear do peso-galo (até 61kg) ao derrotar o americano Urijah Faber por nocaute, Barão recebeu cerca de R$ 52 mil, enquanto o rival derrotado ganhou mais de R$ 200 mil. Apesar de se mostrar focado nos objetivos e afirmar que isso não o incomoda, Renan afirmou que se sente um pouco ‘injustiçado’. “O Faber é um cara mais conhecido do que eu. Ele é o ‘California Kid’, o queridinho do UFC e dos americanos. Então acho que é mais por causa disso. Claro que poderia ser maior (a bolsa), mas isso não me preocupa. Vou continuar trabalhando para vencer cada vez mais e conseguir aumentar a minha bolsa”, afirmou.

Após o confronto com Faber, outras duas polêmicas ganharam destaque. A primeira foi a decisão do árbitro da luta em encerrar o combate, quando o adversário alegava que ainda estava bem para continuar. “Antes da luta, o árbitro veio falar comigo no vestiário. Ele disse que falaria duas vezes para o lutador reagir e caso não houvesse reação ele iria encerrar a luta. Então, durante a luta eu fiquei lá, batendo no Faber e olhando para o árbitro. Aí o árbitro parou a luta. Foi isso que aconteceu”.

Outro fato que chamou atenção foi um depoimento do cantor da banda Detonautas Roque Clube em uma rede social, que falou que Renan Barão não tinha um “bom gosto musical”, pelo fato de o potiguar ter entrado no octógono com a música da banda Grafith. Barão tratou o assunto com bom humor.

“Grafith é uma banda que eu gosto há bastante tempo e não é por ter entrado no UFC que eu irei deixar de gostar. Acho que ele queria que eu entrasse com a música dele, por isso que ficou chateado. Mas isso não me incomoda. Ele pode falar o que quiser. Gosto de mostrar que no Nordeste também tem cultura, que não é só os Estados Unidos”.

Mesmo ‘varrendo’ a categoria, a luta contra Dominick Cruz, que era o dono do cinturão, mas perdeu depois de ficar mais de dois fora de combate por conta de uma lesão, ainda faz parte dos planos de Barão. “Eu falava em enfrentar o Dominick Cruz por ele ser o campeão da categoria. Mas agora ele que tem que correr atrás de mim. Não só eu, como todo mundo está querendo essa luta. Espero que em um futuro bem próximo ele possa se recuperar e nós possamos nos enfrentar para fazer o gosto de todo mundo”.

Sobre a realização do UFC em Natal, no dia 23 de março, Renan contou que tem desejo de participar do evento. “Eu queria muito lutar aqui em Natal. O calor do público iria ser muito bom, mas eu acho que está muito perto do evento. Espero que agora os lutadores daqui consigam mais patrocínios para continuarem lutando”.

 

MORTE DE UM AMIGO

Durante a coletiva realizada nesta terça-feira (11), Barão também falou sobre a morte do lutador Luiz de França, de 25 anos, que foi morto a tiros na porta da academia em que dava aula na manhã de ontem (10). “Olha, eu recebi essa notícia ainda no Rio de Janeiro e fiquei muito abalado. O Luiz era um grande amigo meu. Treinava com ele desde o começo. Ele era uma pessoa muito do bem. Eu estou sem acreditar até agora na violência que está acontecendo aqui em Natal”.

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