Praticar esportes ao ar livre em Natal exige destreza e, claro, muita sorte

Com calçadões esburacados, Via Costeira sem ciclovias e passeio público cheio de mato e lixo nas praças, fica difícil caminhar

Passeio público na Via Costeira já apresenta sinais de degradação. Foto: José Aldenir
Passeio público na Via Costeira já apresenta sinais de degradação. Foto: José Aldenir

Praia, praça, ciclovia, clube. Fazer exercícios ao ar livre é um bem feitio: promove uma integração com o meio ambiente, permite que se faça atividades em família ou entre amigos e ainda é uma forma barata de melhorar a forma física e a saúde. Porém, para realizar qualquer exercício ou prática esportiva ao ar livre, são necessários locais adequados, com vias exclusivas e bem estruturadas para os pedestres, coisa que Natal está longe de oferecer a população.

Nas áreas públicas da capital potiguar, é difícil de encontrar calçadas sem algum tipo de obstrução. Quando não são veículos sob quatro ou duas rodas, são desníveis, pedras, buracos, lixo e até mato para atrapalhar. O Parque das Dunas, em Tirol, é o único lugar que dispõe de espaço adequado, arborizado e com segurança para a realização de qualquer tipo de atividade física. Mas quem opta por outros ambientes, acaba perdendo a paciência.

O bancário Paulo Breno Martins, 34, experimentou a caminhada na Via Costeira de Natal como uma opção de fuga à falta de opções. “Essa é a primeira vez que vim caminhar aqui. Acho que é o único lugar mais tranqüilo e com uma boa extensão para a atividade. Mas, mesmo assim, ainda poderia ser melhor”, conta.

O maior problema para quem vai à Via Costeira fazer exercícios ao ar livre é ter que dividir espaço com os ciclistas. Sem ciclovias, bicicletas e pedestres precisam ficar sempre atentos para não entrarem em choque. “Eu tenho uma bicicleta e preferi deixá-la parada porque não temos condições para andar com segurança. Nem aqui, nem em canto algum. Estou analisando se dá pelo menos para caminhar, mas já vi que é preciso ter atenção. Se não é uma bicicleta que vem ao seu encontro, é um buraco que passa despercebido”, destacou Paulo Martins.

O lixo na Via Costeira de Natal costuma ser retirado rotineiramente, conforme a reportagem confirmou durante passagem pela área neste sábado. Homens da Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana) se dividiram por toda a via para recolher o lixo e cortar o mato que cresce pela calçada. Mas na Roberto Freire e no calçadão de Ponta Negra, além do lixo, os pedestres precisam dividir espaço com esgotos, areia, pedras e ferrugem.

Pior está o calçadão da orla. Melhor nem arriscar o cooper nesse local. Foto: José Aldenir
Pior está o calçadão da orla. Melhor nem arriscar o cooper nesse local. Foto: José Aldenir

O casal Vercy Dias. 77, e Andir Flor, 81, naturais do Rio de Janeiro, sentem a dificuldade de trafegar por Ponta Negra para um simples banho de mar. “Moramos aqui há 20 anos e nunca vimos uma situação tão ruim em Ponta Negra. Nós, que somos idosos, precisamos estar sempre cuidado da nossa saúde. Uma caminhada com um banho de mar no final faz um bem imenso. Mas muitas vezes as dificuldades nos faz pensar se vale a pena descer até a orla”, disse Vercy.

Andir, que sofreu um Ataque Vascular Cerebral (AVC) há dois anos, apresenta problemas físicos que lhe impedem de ser mais ágil. “Para ele, que tem a saúde debilitada, é muito complicado andar em Ponta Negra. Quase todo o calçadão está assim como vocês estão vendo, cheios de desníveis e buracos. Se não temos cuidado, ele desce para a praia, mas não sobe mais”, afirmou Vercy Dias.

A comerciante Rosineide Lima de Souza, 43, disse à d’O Jornal de Hoje é comum ouvir reclamações dos freqüentadores da praia. “Seja nativo ou turista, as reclamações ao sempre as mesmas. Não dá para caminhar, muito menos correr. Nós dizemos que as melhorias estão por vir, mas não sabemos dizer quando”, disse.

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