Precisava? – Vicente Serejo

É possível que o senador José Agripino tenha razões não confessadas para abandonar a frieza do seu estilo e adotar…

É possível que o senador José Agripino tenha razões não confessadas para abandonar a frieza do seu estilo e adotar as palavras e os gestos mais duros contra amigos e correligionários de uma vida inteira, como fez no caso da cassação branca da candidatura da governadora Rosalba Ciarlini. Melhor será que tenha motivos reais do que arrastar o peso da servidão voluntária que talvez nem precisasse ter sido tanto assim, só para agradar a quem pode garantir a reeleição do seu filho a deputado federal.

É difícil medir até que ponto seria mais seguro ter ou não ter a candidatura Rosalba Ciarlini na disputa, na medida em que a chapa do deputado Henrique Alves abriga, no Senado, a ex-governadora Wilma de Faria, único símbolo autêntico de oposição ao governo rosalbista. O PMDB e DEM foram seus grandes eleitores e aliados ao longo de quase todo o mandato, e talvez tenha parecido mais fácil confinar a Robinson Faria o claro discurso de oposição a quebrar o silêncio cômodo de ex-aliados.

A virulência com que defenestrou a candidatura Rosalba Ciarlini, sem limite e sem fronteira, revelou um estilo que apesar de toda a sua inegável experiência política como lastro de uma história vitoriosa, não bastou nem mesmo para fazê-lo medir as consequências políticas. Agora, só a prática dirá se liquidá-la a todo preço era o caminho mais sábio, gerando um ressentimento incalculável, ou se a sabedoria, quem sabe, teria sido não subestimar tanto assim sua capacidade de reação ofensiva.

Em princípio, mesmo diante da imprevisibilidade da política, a vítima de um possível gesto de revanche será muito mais a ex-governadora Wilma de Faria que disputa com a petista Fátima Bezerra a vaga de Senador, até pelo prestígio que a governadora Rosalba Ciarlini mereceu durante o governo Dilma Rousseff. E estes sinais pareceram visíveis no vermelho que vestiu a imagem rosalbista e será certamente muito mais palpável com alguns resultados eleitorais que por acaso venham a se revelar.

Mas, a herança – para os árabes é melhor evitar que os pequenos se aliem e se tornem fortes – de certa forma pode ser posta na conta de Henrique, como se também fosse responsável pelo estilo na cassação da governadora Rosalba Cilarlini. Se acontecer, será injusto. Henrique foi sempre discreto na costura dos apoios e na relação com o governo Rosalba. Sem a arrogância que de repente tomou conta do senador Agripino, transformando-o, sem necessidade, em verdadeiro algoz. Precisava?

REAÇÃO – I

Escalões henriquistas, e principalmente wilmistas, temem uma reação surda da governadora Rosalba Ciarlini em favor da candidata Fátima Bezerra em Mossoró e junto a algumas lideranças no interior.

EFEITO – II

É bom não esquecer que a governadora sempre se disse prestigiada pelo Palácio do Planalto com uma boa liberação de verbas, e mesmo que várias tenham chegado pela luta do deputado Henrique Alves.

DAÍ – III

A reação da ex-governadora Wilma de Faria ao convocar sua legião e ativar sua militância em Natal e nas diversas regiões. Wilma é o único símbolo da oposição a Rosalba na chapa de Henrique Alves.

ACORDÃO

Pelas primeiras análises das pesquisas qualitativas que chegam à mesa dos candidatos o acordão não terá um peso determinante de desgaste. A não ser em parte dos setores conscientes das classes A e B.

RETRATO

A declaração de patrimônio dos candidatos não só revela as fortunas súbitas de alguns senhores da política, como justifica as intensas gratidões que movem as montanhas. Em política tudo se explica.

BUNDA

De um gaiato que acompanha os jogos da copa e o fracasso da Seleção Brasileira no pesadelo de sete a um que destruiu o sonho de tetracampeão: ‘Ora, o maior destaque da seleção foi a bunda de Huck’.

ALIÁS

A revista História, da Biblioteca Nacional, de instituição pública federal, não deixou de perguntar na sua capa: ‘Quem paga a conta?’. E mostra que os grandes eventos foi sempre uma obsessão nacional.

PAUTA

Neste julho a revista História anunciou que o tema de capa será os 110 anos do ensaio ‘Um Paraíso Perdido’, de Euclides da Cunha. No relato da viagem o abandono da Amazônia que perdura até hoje.

PAIXÃO

Enquanto isso, a Continente, principal revista cultural do Nordeste, mostra na matéria de capa que a paixão pelo futebol escamoteia o debate em torno da pobreza e das desigualdades sociais do Brasil.

RISCO

Excesso de talentos pode ser um veneno na estranha ciência do futebol. É o que revela uma pesquisa que está nas páginas da revista Psychological Science. Terá sido por isso a lavagem desmoralizante?

POR

Falar em desastre: Claudia Safatle, do jornal Valor, mostrou na sua coluna, com dados históricos: a distribuição de renda no Brasil não mudou desde 1960. E o bolsa-família? E a nova classe média?

LÍNGUA

Pesquisa realizada na Universidade de Campinas mostra as reviravoltas nas regras de concordância que antes pareciam rígidas na língua portuguesa. É matéria de capa da revista ‘Língua’, já nas bancas.

GLÓRIA

Sophia de Mello Breyner Andresen, a grande poetisa do mar português, a revolucionária dos cravos vermelhos, levada em carruagem puxada a cavalos ao panteão de Lisboa nos dez anos de sua morte.

ESTILO

Taciana Cinquetti ocupou este espaço ao longo de trinta dias mostrou que o jornalismo profissional aliado à formação em psicologia garante à visão o olhar maior sobre o mistério da condição humana.

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