Preço das diárias de hotéis pode aumentar até 290% durante a Copa

Valor em Fortaleza, durante a partida Brasil e México, passaria de 179 reais para 697 reais

Três milhões de brasileiros devem viajar durante a Copa. Foto: Divulgação
Três milhões de brasileiros devem viajar durante a Copa. Foto: Divulgação

Conseguir um hotel a preço justo durante a Copa do Mundo pode se tornar um grande desafio aos milhões de torcedores que assistirão às partidas da competição. Um estudo divulgado nesta semana aponta que o preço das diárias pode aumentar até 500 reais nas cidades-sede onde a seleção brasileira irá jogar. No caso de Fortaleza, local da partida Brasil e México, o valor de 179 reais em um dia comum pode chegar a 697 reais entre os dias 15 e 20 de junho.

O levantamento realizado pelo comparador de viagens Mundi entre julho de 2013 e março de 2014 considerou datas fora do pico da Copa do Mundo. Os usuários realizaram as buscas com ida em 27 de abril e retorno no dia 30 do mesmo mês. O site também usou como base o preço mínimo de diárias de estabelecimentos acima de três estrelas em quatro cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Brasília. De acordo com o estudo, há aumento de preço nos hotéis de Brasília e do Rio de Janeiro.

Na capital federal, as buscas foram feitas entre os dias 21 e 26 de junho. A seleção enfrentará Camarões no dia 23. Neste caso, a diferença pode chegar a 346 reais – de 110 reais (dia comum) para 456 reais. No Rio, o valor entre os dias 11 e 16 de julho (período da final da Copa) salta de 120 reais para 320 reais.

Contrato

Segundo Enrico Fermi, presidente nacional da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), os preços das diárias são definidos por contrato, entre a Match Services (operadora ligada à Fifa há 32 anos) e 840 hotéis. “A tarifa em reais está definida há sete anos, desde 2007″, ressalta.

Fermi explica que a Match, inclusive, está revendo o número de apartamentos solicitados. A definição ocorrerá até o próximo dia 30 e a quantidade de quartos deve cair em todas as cidades-sede. “Podem existir casos pontuais de aumento de preço. Isso pode acontecer com os não associados”, disse.

A ABIH representa 93,6% dos hotéis do País. A associação não prevê nenhuma punição ao hotel que aumentar os preços. “O próprio mercado, o próprio consumdor vai punir, porque o estabelecimento vai ficar vazio”, afirmou Fermi.

Já o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) disse, em nota, que o mercado hoteleiro, em todo o mundo, segue a lei da oferta e da procura. A associação que reúne 25 redes e 600 hotéis deu como exemplo a Copa do Mundo 2006, na Alemanha, onde a oscilação de preço também ocorreu.

“No caso da Copa do Mundo, assim como qualquer evento esportivo mundial, a questão dos preços está diretamente ligada à atratividade dos jogos e também está relacionada com a infraestrutura e o equipamento turístico das cidades-sede”, afirmou.

EMBRATUR

Em julho do ano passado, a Embratur divulgou um estudo apontando que o aumento das diárias poderia chegar a 376%. Segundo o órgão do governo federal, o acompanhamento dos preços continua, assim como o diálogo com a iniciativa privada. “o objetivo é buscar caminhos para que o Brasil seja competitivo.”

O Brasil receberá 600 mil turistas estrangeiros durante os 32 dias da Copa do Mundo. Além disso, mais de três milhões de brasileiros vão viajar pelo País em função do Mundial.

São Paulo

No levantemanto da Mundi, São Paulo registrou três valores abaixo para os preços em um dia comum. A cidade, porém, também apresentou preços maiores no período do Mundial. Segundo Bruno Omori, presidente da ABIH-SP, a taxa de ocupação na capital paulista apresentará queda de até quatro pontos percentuais durante a Copa. “Todos os eventos corporativos do período foram adiantados ou adiados”, disse.

Dessa forma, segundo ele, o possível aumento de preço pode ocorrer somente na abertura do Mundial. Na oxasião, os 105 mil leitos da cidade devem ser ocupados. “A taxa deve cair para 30% dias depois”, ressalta Omori.

O presidente da ABIH-SP ainda disse que o caso de São Paulo é diferente. No nordeste, por exemplo, a taxa de ocupação no mês de junho deve ser maior que o normal, pois a alta temporada recomeça no começo de julho.

Fonte: Estadão

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