Prefeitura obedece Justiça e começa a interdição de avenidas no Baldo

Município promete recorrer da decisão para liberar vias

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Marcelo Lima

Repórter

Como se não bastasse todas as dificuldades do trânsito nas zonas Oeste e Sul de Natal em função de obras para Copa do Mundo de Futebol, os natalenses ganham hoje mais um gargalo viário para chamar de seu: a interdição sob o viaduto do baldo.

Depois de ação do Ministério Público Estadual, uma decisão judicial determina que as avenidas Marechal Deodoro da Fonseca e Rio Branco sejam interditadas em função do risco que o Canal do Baldo oferece em ceder.

De acordo com o inspetor chefe de trânsito da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), Carlos Eugênio Barbosa, a secretaria recebeu a notificação ainda na quinta-feira passada. “Foi no final do expediente. Dizia que tínhamos cinco dias para cumprir, mas não disse se eram úteis ou não, por isso estamos correndo”, disse, explicando que a interdição completa começa a partir da tarde de hoje. Ele afirmou ainda que havia a previsão de uma multa, caso a decisão não fosse atendida, mas não soube especificar o valor.

Segundo Carlos Eugênio, o prazo para interdição é indeterminado. O inspetor chefe de trânsito municipal comentou também que as mudanças planejadas no tráfego deram prioridade ao transporte coletivo. “Muitas empresas [de ônibus] já disseram que o tempo de viagem vai aumentar, a viagem vai ficar 1 quilômetro mais longa”. Por isso, Carlos Eugênio Barbosa pede para que os condutores particulares evitem a região, se possível.

Mas para quem tem inevitavelmente que transitar pelo centro da cidade, o inspetor explicou as mudanças e as inversões de fluxo. Os motoristas que vierem pela Avenida Coronel Estevam e todas as ruas confluentes no sentido centro deverão contornar o baldo. “Eles vão pegar uma rua ao lado da Escola Adventista, a Rua Ernani Silveira, para voltar pela Rua Mermoz”, explico. Isso significa que os carros fazem um retorno ainda nas imediações para só então chegarem à Avenida Deodoro. Já quem vier da avenida Deodoro da Fonseca no sentido Alecrim deverá entrar numa rua à direita imediatamente antes do viaduto e seguir pela Rua Mermoz já ao lado da Cosern. Neste trecho da rua, haverá uma inversão do sentido para atender as adaptações a essa interdição. Mais à frente, os condutores deverão entrar na Avenida Governador Rafael Fernandes à esquerda. A partir daí, eles poderão seguir normalmente para voltar a sua rota normal quando chegarem ao lado do Cemitério do Alecrim.

PREFEITURA IRÁ RECORRER

Em reportagem publicada ontem n’O Jornal de Hoje, o secretário de municipal de Obras Públicas e Infraestrutura de Natal, Tomaz Neto, disse que com os estudos feitos pela Prefeitura não seria necessária a interdição das avenidas sob o viaduto. Hoje pela manhã, ele reafirmou a posição e acrescentou que a Prefeitura do Natal está se preparando para recorrer da decisão judicial. “Fui chamado pela Procuradoria do Município para ir lá, em posse de uma série de documentos, inclusive os laudos do doutor Hugo, para possibilitar o município de se defender”, disse o titular da Semopi. Hugo Mota, a quem o secretário se refere, foi um dos engenheiros que participaram do planejamento inicial de toda a estrutura.

A decisão para interdição foi da juíza de primeira instância Francimar Araújo da Silva da vara da fazenda pública. A iniciativa da ação foi da promotora de Defesa do Meio Ambiente Rossana Sudário. Vale destacar que o Viaduto do Baldo está interditado desde outubro de 2012 depois da intervenção do Ministério Público Estadual, e só na segunda quinzena de julho de 2013 houve o início das obras. Mas não durou muito tempo e no início de setembro foram paralisadas.

Mas agora, a preocupação é com a estrutura do Canal do Baldo. A Prefeitura de Natal tem 30 dias para recorrer da decisão em segunda instância. A Procuradoria Geral do Município, órgão responsável pela defesa judicial da Prefeitura, havia entrado com um embargo de declaração dessa ação, que não foi deferido pela juíza Francimar Araújo da Silva. Só por esse motivo a decisão ainda não havia sido aplicada.

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