Prêmio Jorge Banda de Cultura

Dando prosseguimento ao que comecei no último dia de 2012, publico hoje fechando 2013 a lista com os artistas que…

Dando prosseguimento ao que comecei no último dia de 2012, publico hoje fechando 2013 a lista com os artistas que foram destaque e que merecem a homenagem da coluna por terem realizado neste ano que termina memoráveis trabalhos em nome de suas artes específicas e da cultura em geral.

Jorge Macedo, também chamado carinhosamente por Jorginho ou Jorge Banda, foi um guitarrista virtuoso, um músico de incrível capacidade instintiva, ou “de ouvido” como se diz, e também tecnicamente eclético na leitura e feitura de composições com partituras.

Vamos aos vencedores de 2013.

 

MÚSICA

KHRYSTAL
A performance musical da cantora em 2013, as tantas apresentações em Natal e fora daqui, já seriam mais que suficientes para fazê-la merecedora da menção da coluna. Mas na reta final de 2013, eis que Khrystal surpreende não só a nós potiguares, mas a todos os brasileiros, surgindo feito um furacão na tela da TV Globo, cantando no concurso do reality show The Voice Brasil. Sobressaindo-se como única representante do RN entre oito cantoras inscritas, a “cajuína cristalina de Natal” (nas palavras do mestre Guinga) balançou a nação, estremeceu o palco global, foi notícia na Europa e se apresentou definitivamente ao Brasil como uma artista de amplitude universal.

 

ARTES VISUAIS

JOSÉ HUMBERTO
Apesar da velha tese de que o talento vem do berço, nem sempre a veia criativa se apresenta saliente no alvorecer da vida de alguém. Às vezes, a criatividade e o virtuosismo explodem quando a idade parece dar sinais de que a missão foi cumprida e nada mais há para ser feito. Deve ter sido assim com José Humberto, que só após os 60 anos descobriu-se artista plástico e saiu por aí pintando em ritmo acelerado e oferecendo ao público o talento que só estava dormindo num cantinho da alma. Entre maio e junho, centenas de trabalhos de José Humberto ganharam a luz do dia numa bela exposição na Galeria de Arte do IFRN, no Centro.

 

LITERATURA

MARCELO ALVES
Eu vi in loco o cenário inspirador do procurador regional Marcelo Alves Dias de Souza quando perambulei na sua companhia em Londres nos vários endereços literários que ele me apresentou, sempre demonstrando que já tinha escaneado cada quarteirão histórico da cidade de Charles Dickens. Foi dali e das aulas do doutorado na King’s College que vieram as crônicas da trilogia “Ensaios Ingleses”, “Retratos Ingleses” e “Códigos Ingleses”, este último lançado em 2013. Sua obra faz uma sincronia do Direito com as artes, a ciência e a filosofia. As referências a Shakespeare, Agatha Christie, Bernard Shaw e outros escritores são frutos dos seus passos e do olhar cirúrgico sobre o ar literário de Londres.

 

DRAMATURGIA

QUITÉRIA KELLY
Só deu ela em 2013. Não faltou palco, nem platéia, para esta paraibana que desabrochou atriz em Natal ao apagar do século XX e espalhou seu brilho pelo acender do século XXI. Se há bailarino que dança conforme a música, Quitéria Kelly interpreta o que der e vier no roteiro; da comédia ao drama, do auto à arte circense, do musical ao stand-up. Fundadora do Grupo de Teatro Carmin ao lado de Titina Medeiros, a moça bombou esse ano com a peça “Jacy”, com o auto de Natal “A Estrada ou o Milagre da Fé”, no espetáculo “Vinícius – Uma Canção Pelo Ar”, que festejou os 100 anos do poetinha, e até no passeio público na pele de “Dasdô”, personagem da peça “Pobres de Marré” (2007), visitando mendigos na Ribeira.

 

EMPREENDEDORISMO CULTURAL

MANOCA BARRETO (in memorian)
Um grande músico entre tantos bons, um bom maestro na unanimidade dos músicos. Assim era Manoca Barreto, o guitarrista que afinou a percepção de outros artistas e transmitiu a arte instrumental para muitos. O que é o maestro, senão o mestre na língua italiana, o cara que rege o conhecimento, o professor musical dedicado, que mais do que canções compõe um legado no aprendizado dos alunos. Manoca se enquadrava no conceito do poeta Goethe: “um professor que pode despertar sentimento de uma boa ação individual para um bom poema único”. E acima de tudo, era um bom cara, um modelo na fala de Paulo Freire: “me movo como educador, porque primeiro me movo com gente”.

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