PRÊNTICE MULFORD BULHÕES
Mago:
E tu se foi; num teve foi jeito! Mais eu num me avexo não, pois Papai do Céu tava precisando de um cabra “da mió qualidade”, mode animá ais festança do lado de lá; e conhecedor de seus atributos morais e espirituais; não hesitou em vir te buscar… Estou misturando as duas linguagens, do matuto e a erudita; pois você é conhecedor profundo de todas duas. Provavelmente você ainda não encontrou nenhum dos nossos entes queridos que já se encontram por aí; pois tenho consciência que estás no hospital, se tratando da doença causadora de tua passagem. Mas tanto nossos pais como “a mundiça”; composta por aqueles (as) que “pintaram o sete e bordaram o oito” mais nóis do lado de cá; deve estar prá lá de ensiosa com esse reencontro contigo, que se avizinha… Imagino plenamente as exclamações de satisfações dos nossos queridos entes nesse reencontro. Zé Fufú; por exemplo, com certeza irá dizer ao te avistar: Pois é!… Efraim do violão, bem como seus irmãos Vavá Pombo e Lelé do trombone, com certeza dirão: Maaaaaaago! Cláudio de tio Luiz, certamente dirá como quando “encarnado”: Chegô Mufode!… Não quero aqui, lembrar teu sofrimento físico de pouco antes de tua passagem, mas “uis presépe” de outrora; como daquela vez que o ACOSTUME-SE À DERROTA, time de Ivan Arroz Doce (que você certamente irá encontrar…), foi jogar no campo do Marista; e quando passamos na casa de Efra, para ele ir com a gente, a irmã dele, Edinha, explicou na sua “calma”:
- Efrain num vai não; comeu uma panelada, depois trancou-se no banhêro cum uma revista de mulé nua prá “fazê patifaria”; aí foi batê no Pronto Socorro, passando mal… E a “dedada” que eu dei em Netinho, no dia em que Mário Moura noivou com nossa prima Laís; na ladeira da João da Mata; enquanto ele, Netinho, tentava riscar um fósforo prá atender um cigarro ?… Mas por falar em “dedada”; a mais famosa, foi daquela vez que William Cantídio parou um táxi cheio de “fazedoras de caridade lá de dona Maria Boa” em frente ao cinema REX, quando a sessão das oito às dez da noite havia acabado. Desceram as meninas, um safoneiro, um zabumbeiro e um trianguista tocando no meio do povo; vô barrá o Fechadô,/ vô barrá Pêdo Chinelo,/ com Walfredo e Clóvis Motta,/ Hernane e Aguinelo… Todo mundo prestando atenção às meninas com pouca roupa e muita animação; eu vim de lá e dei uma “dedada daquela de cego vê o mundo” no “buêro” do sanfoneiro; que abriu o fole da sanfona totalmente, produzindo um som esquisito; e vociferou:
- Peraí, fela da puta; “no meu leque, não”!…
E naquela madrugada de sábado; que o dia amanhecendo, nóis saímos numa canoa alugada, lá do cáis da Tavares de Lira para a Redinha, e tu em pé, na proa da canoa, tocando violão e cantando; que triste madrugada foi aquela,/ que eu perdi meu violão… E ais rapariga do alpendre do Wonder Bar ou Boate Plaza, como queiram, tudo apludindo a gente passando ?… E as pulhas de teu pai, o saudoso Dioclécio Bulhões com nosso tio Zé Fufú ? Dioclécio, depois de uns vinhos, dizia:
- Fufú tem rima e fede!
Ao que Zé Fufú respondia com outra pergunta:
- E Bulhões rima com quê ?!
E lá no Marista; na sala da 3ª. Série ginasial; 1963, tu lembra da confusão prá descobrir quem tinha cagado na gaveta do birô de irmão Francisco ?! E no dia que Jailton Fernandes entrou no banheiro e Olavo, irmão de Piaba, jogador do ABC; jogou uma bomba de pirulito acesa, por cima da parede ? Jailton saiu levantando as calças debaixo de vaia… É, meu Bróid; se eu fosse falar em tudo que vivenciamos juntos; era uma série de matérias que dariam para um ano todo… É assim que te recordo; a gente era feliz; “e sabia”!…


