Presidente Nacional da ABIH se revolta e manda recado ao Governo

Copa: "não devo satisfação a governo", diz diretor de associação de hotéis

"Não devo satisfação a governo nenhum", afirma  Enrico Fermi, Presidente Nacional da ABIH. Foto:Divulgação
“Não devo satisfação a governo nenhum”, afirma Enrico Fermi, Presidente Nacional da ABIH. Foto:Divulgação

Enrico Fermi, presidente nacional da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), anda revoltado com a discussão iniciada entre governo e o setor hoteleiro sobre potenciais abusos em tarifas cobradas durante a Copa do Mundo. “Não devo satisfação a governo nenhum”, afirma.

O representante da classe hoteleira rebate as críticas que começam a surgir com a divulgação das diárias que estão sendo fixadas para a hospedagem nas cidades que sediarão jogos da Copa.

Segundo levantamento do site de comparação de preços de hotéis Trivago, a diária média para casal cobrada atualmente na cidade do Rio de Janeiro hoje é de R$ 430. No Mundial de Futebol esse valor chega a R$ 1.142 – diferença de 165,5%. Nem no Carnaval o preço médio da diária de hotel no Rio é tão alta. De acordo com o Trivago, nessa época o valor médio é de R$ 865 por dia de hospedagem.

Fermi se defende da discussão ao dizer que 840 hotéis firmaram, em 2007, parceria com a agência de viagens da Fifa, a Match, para comercializar pacotes para o evento. “A Fifa não faria a parceria se as tarifas não estivessem de acordo”.

Segundo o executivo, o acordo com a Match prevê que a política de preço é definida com cada rede hoteleira e está sob acordo de confidencialidade. Não há teto, e os parceiros da Fifa apenas não podem cobrar uma hospedagem mais barata que a Match.

Sobre como tratar os hotéis que ficaram fora do acordo, Fermi diz que não há preocupação sobe possíveis abusos. “O governo pode até fiscalizar. Mas é necessário entender o livre comércio”. Ele ressalta que não há um acordo feito entre o setor e o governo.

Governo cita consenso e ação preventiva

No último dia 16 de janeiro, a ABIH do Rio de Janeiro se reuniu com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), pertencente ao Ministério da Justiça, para discutir a política tarifária para o evento esportivo, a fim evitar cobranças abusivas nos valores das diárias.

O encontro, acompanhado por representantes da Casa Civil, Procon Estadual e Municipal do Rio de Janeiro, acontecerá em todas as cidades-sede da Copa. A reunião já foi realizada em Natal e no Recife.

Segundo a secretária Nacional do Consumidor, Juliana Pereira, as associações das três cidades já se comprometeram a dar transparência para as tarifas, que irá consistir em dar a possibilidade do consumidor comparar as tarifas praticadas durante o evento esportivo com os períodos de maior demanda no calendário das cidades.

A ação, explica Juliana, é preventiva, e baseada na boa fé dos empresários. Segundo a secretária, não houve imposição. “Algumas pesquisas de preços saíram e decidimos conversar com o setor”, explica. “Abusos são ruins para todo mundo. Os empresários fizeram investimentos e precisam de turistas o ano todo. Não dá para trabalhar de maneira a macular a imagem do Rio”.

Se o que foi acertado não for cumprido, diz, Juliana, a Senacon poderá agir, por exemplo, aplicando multas em quem praticar abuso de preço. A base legal será a análise do caso específico e o Código de Defesa do Consumidor. “Iremos fiscalizar o setor a partir de denúncias de consumidores, e temos ferramentas para comprovar abusos. A oscilação de preços é natural, mas não pode ser subjetiva, sem base em eventos anteriores.”

A vice-presidente da ABIH-RJ, Sonia Chami, concorda que os hotéis devem dar transparência às tarifas para a Copa. “Caso sejam identificados preços abusivos em função de comissões colocadas sobre os preços, a Senacon e os Procons estadual e municipal terão os dados para esclarecer quem está prejudicando o consumidor”, aponta.

Preços até 56% mais altos que o Carnaval

Os argumentos dos representantes do setor hoteleiro mostram uma realidade diferente da apontada por levantamento feito pelo site comparador de preços de hotéis Trivago. Os dados apontam que a variação do preço de hospedagem variam até 56,78% entre o período do Carnaval e da Copa do Mundo.

A maior variação é encontrada em São Paulo. Na capital paulista, a média de hospedagem durante o Carnaval é de R$ 228. Durante a Copa a diária média, segundo o Trivago, é de R$ 620. O comportamento é parecido em Porto Alegre e Belo Horizonte.

Porém, em Salvador e Rio de Janeiro, cidades com Carnavais tradicionais, durante a Copa os preços ficam, em média, de 17% a 24% acima do feriado popular, respectivamente.

Em Salvador, os hotéis irão cobrar, em média, R$ 730 no Carnaval. Na Copa, a tarifa média sobe para R$ 881.

Empresários declaram que tarifas são compatíveis

Um gerente de uma grande rede hoteleira do Rio de Janeiro, que não quis se identificar, questiona se essa variação é razoável. “Como o governo irá apontar isso? Não dá para comparar com outra Copa”, argumenta. “Além disso, não há oferta que supere a demanda aqui na região”, diz.

Ele aponta, porém, que não é objetivo de ninguém “cobrar algo que não seja razoável e deteriorar as relações com atuais clientes”. E aconselha: “o consumidor que se planejar vai pagar menos”.

Segundo Frank Pruvost, diretor de operações na América Latina da marca econômica ibis, pertencente ao grupo Accor, a tarifa cobrada durante o evento será “mais ou menos a mesma” fixada para feriados como o Carnaval e Ano Novo. “Em apartamentos no Rio, cobramos em períodos normais entre R$ 200 e R$ 250. No Carnaval, o preço pode chegar a R$ 400″, conta.

A ideia, conta Pruvost, é respeitar o cliente que passam pela rede durante todo o ano. “Queremos que ele também aproveite a Copa do Mundo”. Na sua opinião, é interessante que o governo busque coibir abusos que possam prejudicar a imagem do País e afastar turistas que podem voltar posteriormente.

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