Preso por engano, ator dormiu no chão em cadeia e bebeu água do chuveiro

Vinícius Romão, de 27 anos, passou 16 dias preso após ser confundido com um ladrão

Romão agradeceu o apoio dos amigos ao sair da cadeia em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. Foto:Divulgação
Romão agradeceu o apoio dos amigos ao sair da cadeia em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio. Foto:Divulgação

Vinícius Romão, de 27 anos, contou que dormiu no chão durante os 16 dias em que esteve preso na cadeia Juíza Patrícia Acioli, em São Gonçalo, na região metropolitana. Ele foi preso por engano em 10 de fevereiro, após uma mulher se confundir e apontá-lo como autor de um roubo. O rapaz foi solto nesta quarta-feira (26).

Romão, que trabalha como vendedor em um shopping na zona norte do Rio e também é ator e formado em psicologia, diz que recebeu tratamento desumano na cadeia e matava a sede bebendo água do chuveiro, quando tomava banho.

Vaidoso e musculoso, o jovem deixou a prisão abatido e mais magro. Ele usava um penteado estilo “black power” antes de ser detido e, assim que entrou na penitenciária, teve o cabelo raspado. Apesar das humilhações, ele afirmou que perdoa a mulher que o denunciou.

“Eu não guardo rancor dela. Ela foi vítima de um roubo, estava nervosa e infelizmente me confundiu”.

Em vez de falar sobre um possível processo que abrirá contra o Estado, preferiu aproveitar a coletiva de imprensa que deu na casa dele, no Méier, na zona norte do Rio, para exaltar o carinho dos amigos, que, segundo ele, o ajudaram a sair da cadeia.

“Quero só matar a saudade de todos”, disse, chorando.

Romão afirmou que foi questionado pelos agentes penitenciários sobre a qual facção criminosa pertencia. Disse que não era ligado a nenhuma e foi colocado em uma galeria com detentos “neutros”. Ele dividiu a cela com 15 pessoas, entre eles suspeitos de tráfico de drogas e agressores. Durante as duas semanas, não teve desavenças com os detentos.

Copeira pede perdão

Em entrevista à Rede Record, a copeira Dalva da Costa se disse arrependida por apontar Romão como o homem que havia roubado a bolsa dela na zona norte do Rio.

“Eu peço perdão, desculpa, em nome de Jesus. Em momento algum eu tive intenção de prejudicar, nem ele nem ninguém”.

Romão afirmou que, em toda a confusão, o pior momento foi quando o policial militar, que estava acompanhando a copeira Dalva da Costa no dia 10 de fevereiro, apontou a arma para ele e perguntou para a mulher se ele era o culpado pelo roubo.

“Foi a parte mais revoltante”.

A Seap (Secretaria Estadual de Ordem Pública) afirmou que vai apurar a denúncia de Romão sobre as condições desumanas na cadeia.

Fonte:R7

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