Presos do CDP/Candelária quebram celas e queimam colchões após fuga frustrada

Um motim provocado por presos do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Candelária na manhã desta terça-feira (17), após uma…

Depois do motim no início da manhã, 53 presos foram transferidos para a penitenciária de Alcaçuz. Foto: Wellington Rocha
Depois do motim no início da manhã, 53 presos foram transferidos para a penitenciária de Alcaçuz. Foto: Wellington Rocha

Um motim provocado por presos do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Candelária na manhã desta terça-feira (17), após uma tentativa de fuga que foi frustrada pela Polícia Civil, terminou com a transferência de 53 presos da unidade para a Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta. Durante a confusão, eles queimaram colchões, quebraram as paredes e tentaram arrancar as grades de cinco celas, deixando apenas duas intactas.

O motim teve início por volta das 6h30 de hoje, logo após os policiais civis da Delegacia de Plantão da zona Sul, situada ao lado do CDP da Candelária, terem flagrado o preso Edielson Francisco da Costa tentando fugir através de um buraco na parede que separa as duas unidades. Com isso, os demais detentos que estavam tentando fugir tiveram que retornar às celas e, irritados, tentaram pegar dois homens que estavam em uma cela isolados como reféns.

“Eles se revoltaram por não conseguirem fugir e começaram a agitar os demais, tumultuando tudo e iniciando o quebra-quebra. Ainda tentamos negociar, mas eles passaram a tocar fogo nos colchões para forçar a abertura das celas. No entanto, eles mesmos acabaram desistindo e apagando o fogo, por causa da fumaça. Diante disso, tivemos que acionar a Polícia Militar e o Grupo de Operações Especiais (GOE) do sistema penitenciário, para contê-los”, explicou o diretor do CDP, Canindé Alves.

O coordenador de Administração Penitenciária da Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Coape/Sejuc), major Castelo Branco, esteve no local logo após o início do motim e, diante da destruição das celas, ordenou a transferência dos detentos que estavam nas celas de números três a sete, que foram destruídas.

“Não temos como mantê-los custodiados no local, que foi completamente destruído, assim como aconteceu com o CDP da Ribeira há algumas semanas. Assim, os presos destas celas serão transferidos para Alcaçuz,enquanto realizamos a reforma da parte afetada, para que eles sejam trazidos de volta”, afirmou. Outros 34 presos devem continuar na unidade, já que as celas onde eles estão não foram afetadas durante a confusão.

Reforma de unidade deve durar 30 dias

As avarias provocadas nas celas devem demorar cerca de 30 dias para serem consertadas, conforme estimativa da presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Rio Grande do Norte (Sindasp), Vilma Batista. Ela esteve presente ao local por volta das 9h da manhã e disse que a transferência não será total porque não há espaço para todos os presos em Alcaçuz.

Vilma disse também que a estrutura do prédio impediu uma ação mais rápida dos agentes do GOE, mas que, ao final, o motim foi controlado sem que houvesse presos feridos. E que a tentativa de fuga dos presos através de uma delegacia demonstra o grau de ousadia e sensação de impunidade que toma conta dos bandidos no Estado. “Eles não temem mais nada”, enfatizou.

Durante o processo de transferência, dezenas de familiares dos presos se aglomeraram em volta da unidade, buscando notícias. Muitos se revoltaram quando souberam que eles seriam transferidos para Alcaçuz. “Estou aqui porque soube do motim e fiquei com medo de que façam algum mal para meu marido. Não deixaram a gente ver nada”, disse uma mulher de detento, que não quis se identificar.

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