Laboratório de Comunicação da UFRN se transforma em babel de jornalistas

Credenciamento para utilização do centro de imprensa supera expectativas da organização

PressPoint--HD

Marcelo Lima

Repórter

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) é a única instituição de ensino superior a possuir um centro de imprensa para dar apoio a jornalistas brasileiros e estrangeiros durante da Copa do Mundo. Nesse espaço, profissionais de comunicação têm acesso à internet, computadores para redação, edição de imagens e áudio.

Um desses profissionais é Chris Kudialis. Ele e seu colega de trabalho vieram do Michigan, Estados Unidos, enviados por um jornal católico (National Catholic Register) com circulação nacional. Eles não conseguiram o credenciamento da Fifa para cobertura os jogos, mas mesmo assim vieram cobrir o Mundial.

Chris acredita que não conseguiu o credenciamento oficial porque não é de um veículo especializado ou da grande mídia. Mas mesmo assim, eles estão acompanhando os jogos. “Como não estamos credenciados, estamos torcendo. Mas já fiz entrevistas com os jogadores da seleção [dos EUA] por telefone”, disse.

Além disso, eles planejam produzir uma reportagem sobre as origens católicas da cidade-sede potiguar. “Vamos fazer uma reportagem sobre a cidade de Natal no geral. Como somos um jornal católico, talvez falando sobre as raízes católicas de Natal”, acrescentou o jornalista.

O estadunidense e seu assistente ficarão no Brasil enquanto a seleção dos EUA permanecer por aqui também. “Vai ser muito difícil. Se no nosso grupo, os EUA avançar todo mundo vai ficar muito feliz no EUA. Com a vitória sobre Gana, a gente fica com mais esperança”, analisou.

A dupla de estadunidenses está há duas semanas no Brasil. Já passaram por Rio de Janeiro, Recife e agora estão em Natal. Eles fizeram questão de elogiar a receptividade dos potiguares. “As pessoas aqui estão sempre com um sorriso no rosto, sempre dispostas a fazer de tudo para ajudar os estrangeiros”, comentou.

O mais interessante é que o jornalista estadunidense fala português quase fluente, mas, obviamente, com um sotaque norte-americano. “Eu aprendi em casa. Tem um programa que a gente pode aprender coisas básicas e também uma página na internet você fala com nativos de outros idiomas” disse, destacando que já havia morado na Espanha e que isso tinha facilitado a compreensão de outra língua de origem latina.

Embora a China não tenha se classificado, o jornalista da terra de Mao Tsé-tung Jiaxin Huang veio a Natal cobrir o mundial na cidade. No seu jornal, ele ficou incumbido de acompanhar as seleções asiáticas como Japão e Coréia do Sul. A sua torcida também é para os vizinhos. Mas como setorista de esportes, ele reconhece que as oportunidades estão mais para os times ocidentes. “Mas acho que quem tem mais chances de ganha a Copa é o Brasil, Alemanha, França e Argentina”, disse.

Huang vai passar três dias em Natal. Ele pretende fazer reportagem sobre os clubes de futebol locais e com descendentes de japoneses que moram em Natal, uma vez que é o povo oriental com a maior quantidade de descendentes no país.

 

Contrapartida

acadêmica

Uma das condições para a utilização do Centro de Imprensa da UFRN é que os jornalistas ofereçam palestras e workshops para os estudantes de Comunicação Social da universidade. Além disso, 50 alunos se dispuseram a dar apoio aos jornalistas no uso do PressPoint. “Os alunos auxiliam os jornalistas no que eles precisam como um contato, como chegar a um lugar da cidade, mas não fazer o trabalho deles”, explicou a professor Emily Araújo, uma das coordenadoras do projeto de extensão.

Também cinco bolsistas fluentes em inglês e espanhol dão o suporte aos credenciados. Um deles é Oscar Forner estudante do 5º período da habilitação de Jornalismo. Ele já está adaptado a essa babel, pois nasceu na Espanha, é filho de um inglês com uma brasileira e mora aqui desde 11 anos de idade. “Pra mim deu certinho”, considerou.

O estudante acredita que o contato com profissionais de todo o mundo no PressPoint é uma grande experiência e até pode ajudar a abrir os caminhos para um dos seus sonhos: jornalismo internacional ou esportivo. “Eu tenho o sonho de ser jornalista de guerra, mas é bem difícil. Mas o jornalismo esportivo é outro sonho. Quando fiquei sabendo, não tive dúvidas em participar”, disse.

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