Problemas administrativos em CMEIs deixam crianças da rede municipal sem aula

Já o CMEI Fernanda Jales possui 11 turmas, das quais sete dependem de auxiliares. Destas, apenas três iniciaram as aulas. Foto: José Aldenir
O ano letivo da rede municipal de ensino teve início no último dia 27 de fevereiro – para alguns alunos. O cumprimento do calendário escolar por todas as unidades foi garantido pela secretária Municipal de Educação, Justina Iva, mas problemas administrativos e de recursos humanos prejudicaram o começo das aulas de crianças matriculadas em alguns Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), caso relatado pela direção do CMEI Fernanda Jales, no Satélite, e do CMEI Arnaldo Arsênio, no Leningrado.
Para conseguir atender a todos os 244 alunos matriculados no Centro de Educação Infantil Fernanda Jales, a vice-diretora, Fátima Araújo, informou que é imprescindível a chegada de profissionais auxiliares de sala. “Fizemos reuniões com os pais e responsáveis pelas crianças e demos início às aulas das turmas parciais, que são com alunos de idade maior e que, por isso, não precisam de auxiliares”, disse Fátima Araújo. Ao todo, o CMEI possui 11 turmas, das quais quatro são parciais e sete dependem de auxiliares de turma.
“Dessas sete turmas, apenas três puderam começar as aulas. Na medida em que os auxiliares vão chegando, nós vamos dando início”, afirmou a vice-diretora. Na última administração municipal, os auxiliares de sala foram contratados pela Secretaria Municipal de Educação (SME) como profissionais de serviços gerais, pois a Prefeitura de Natal não podia criar um novo cargo para a categoria. Diante da irregularidade, a nova secretária de Educação decidiu extinguir a atuação dos auxiliares e firmar acordo com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Com o acordo, a Universidade disponibilizará graduandos do curso de Pedagogia, estabelecendo com a Prefeitura uma espécie de estágio remunerado. “Isso foi muito positivo para a gente. Além de serem pessoas mais capacitadas, o custo para o município diminuiu bastante”, afirmou Fátima Araújo.
Ainda segundo ela, a merenda, que também estava atrasada, já foi garantida, faltando apenas os produtos de limpeza. “A semana de planejamento pedagógico foi realizado normalmente e o período de adaptação das crianças já está todo organizado. Só precisamos agora dos materiais de higiene e das pessoas que nos ajudarão como auxiliares de sala”, disse.
Isaac Gregório, diretor do CMEI Arnaldo Arsênio, disse que o problema da unidade de ensino que dirige diz respeito à necessidade de uma dedetização. “Não começamos a receber as crianças ainda porque carecemos de uma dedetização na escola para garantir a segurança delas. Já apareceu escorpião, baratas, ratos. Até cobras nós já matamos aqui. Reunimos os pais e eles optaram pelo início das aulas apenas após a dedetização”, afirmou.
De acordo com o diretor, a setor de engenharia da Secretaria de Educação estará encaminhando um técnico ainda hoje para averiguar e mensurar a quantidade de veneno que será necessário, assim como o tipo de dedetização. “Feito isso, acredito que até a próxima segunda-feira estaremos começando o nosso ano letivo”, disse Isaac.
Perguntado sobre a demora para ajustar a situação da escola, o diretor do Arnaldo Arsênio informou que só tomou conhecimento dos problemas após assumir a administração do CMEI, no último dia 18 de fevereiro. “Como assumi a direção recentemente, não tivemos tempo hábil para solucionar isso. A administração anterior da escola não nos informou dos problemas, por isso não tivemos como agir antes”, afirmou.
Segundo Isaac, toda a merenda e produtos de limpeza já estão garantidos para início do ano letivo. “Mas também estamos esperando pela chegada dos estagiários que irão auxiliar nas salas. Essa necessidade já foi informada e esperamos que até segunda-feira nós possamos estar com tudo certo”, disse o diretor do CMEI, que comporta atualmente 180 crianças.
Só neste ano mais de 400 professores concursados foram contratados para reforçar a equipe de profissionais da rede municipal de ensino. Além disso, a SME informou que realizou uma licitação para compra de merenda escolar, a ser destinada para as escolas e CMEIs que não possuem Unidade Executora, setor da unidade escolar que não depende diretamente da secretaria para adquirir a merenda. Ao todo, a rede engloba 72 escolas de Ensino Fundamental e 69 Centros de Educação Infantil.
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