Procura pela vacinação contra gripe ainda é baixa mesmo após prorrogação

Mitos de que a vacina contém vírus e restrições no atendimento afastam pessoas de grupos considerados prioritários da imunização

Normatic  vacinação - foto: Rogerio Theodorovy

A Campanha Nacional de Vacinação contra Gripe foi prorrogada pelo governo Federal em função da baixa procura da população pela vacina. O governo só havia conseguido pouco mais de 53% (23 milhões) da meta (49,6 milhões) até o anúncio da continuidade da campanha ontem. Na capital, o objetivo é vacinar 191 mil pessoas. Na cidade, os problemas de atendimento da rede podem ser um dos fatores que influenciam a baixa procura da população.

Em uma das unidades de saúde do bairro de Mãe Luíza, a sala de vacinação só funcionava duas vezes por semana. Isso ocorria em função da falta de funcionários. “Uns se aposentaram, outros foram para o PSF [Programa de Saúde da Família]. Foi saindo e ficando o buraco”, explicou Edna Barbosa, técnica em enfermagem responsável pela aplicação de vacinas da unidade.

A servidora interrompeu suas férias para cobrir o “buraco” e fazer a sala de vacinas funcionar todos os dias. Mas por enquanto, ela diz que o movimento ainda é fraco se comparado com a campanha de imunização contra a gripe do ano passado.”Tá mais fraco que no ano passado talvez a população ainda não saiba que funciona todos os dias”.

Durante a manhã de hoje, a maior procura foi de idosos na unidade: 76 pessoas acima dos 65 anos; 25 crianças de até cinco anos de idade e duas gestantes. A técnica em enfermagem envia diariamente os mapas que identificam de qual grupo faz parte cada pessoa que se vacinou.

Embora o maior número seja de idosos, outros ainda têm medo da dose. Exemplo disso é Maria da Conceição Pereira de 67 anos. “Nunca me vacinei nem vou me vacinar porque se a gente se vacina fica gripado, se não se vacina também gripa, então é melhor não se vacinar”, justificou.

Além disso, o mito de que a vacina é danosa a saúde também atormenta dona Maria da Conceição. “Eu tinha uma amiga em São Paulo que quando eu fui lá ela tomou a vacina e com dois dias morreu”, contou em tom de medo.

O pintor Antônio Roberto Dias Soares, de 55 anos, também está enquadrado nos grupos prioritários porque possui asma, doença crônica. “Eu vinha e depois voltava porque a fila era grande demais”, disse. Mesmo sendo um dos alvos da campanha de vacinação, ele nunca se vacinou contra a gripe e não tinha intenção de tomar a dose, mesmo já estando dentro da unidade de saúde para resolver outro problema.

Os grupos prioritários são: idosos com mais de 60 anos; crianças de seis meses até cinco anos de idade; pessoas com doenças crônicas não transmissíveis; agentes penitenciários; presidiários; gestantes; puérperas (mulheres com até 45 dias depois do parto); trabalhadores da saúde e indígenas.

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