Professor Erick Pereira: “Votos brancos e nulos levam maus políticos ao poder”

Segundo Erick Pereira, o crescimento no número de votos brancos, nulos e abstenções tem duas explicações diretas: a urna eletrônica e a qualidade dos políticos

Doutor em Direito Constitucional e especialista em Eleitoral, Erick critica nulos. Foto: Divulgação
Doutor em Direito Constitucional e especialista em Eleitoral, Erick critica nulos. Foto: Divulgação

Enquanto para a Justiça Eleitoral o problema do número de votos brancos e nulos é o prejuízo financeiro causado pela estrutura montada e que não teve uso de maneira válida, o doutor em Direito Constitucional, Erick Pereira, acredita que o maior prejuízo, na realidade, é individual. Isso porque, a partir do momento em que o eleitor não participa do processo eleitoral, ele dá para o outro a responsabilidade de definição e, também, facilita que um político com menos voto assuma o poder.

De São Paulo, onde esteve nesta sexta-feira na condição de professor da faculdade de Direito IESB, o especialista avaliou: “Não vejo como prejuízo financeiro, porque o objetivo final é alcançado. As eleições acontecem e há um vencedor eleito, ou vencedores. O prejuízo, ao meu ver, é individual. Se o eleitor vai lá votar em branco ou nulo, na verdade, está colaborando para que um candidato que ele não escolheu assuma o poder, porque de todo jeito a eleição vai acontecer”, analisou Erick Pereira.

Segundo o doutor em Direito Constitucional, o crescimento no número de votos brancos, nulos e abstenções tem duas explicações diretas: a urna eletrônica e a qualidade dos políticos. “O primeiro motivador é a dificuldade que se tem com a urna eletrônica. se fizer uma analise, você vai digitar 20 vezes numa urna, o que torna a possibilidade de errar muito mais elevada, principalmente para quem não tem tanta prática. Isso é um ponto. É um critério objetivo pelo qual se tem um aumento dos votos nulos”, analisou.

“O segundo é o descrédito que a classe política brasileira conseguiu passar para sociedade, pela conduta e pelos exemplos que a grande maioria dos políticos está dando nos últimos tempos. Honestidade, probidade e responsabilidade com a coisa pública são exceções”, acrescentou Erick Pereira à sua análise sobre a situação.

O doutor, no entanto, não acredita que a difusão, nas redes sociais, de que o voto nulo poderá anular uma eleição. “Voto branco ou nulo não é protesto. Pelo contrário: você está dando a oportunidade de um mau político administrar. No instante que não se participa do processo eleitoral, ao invés de protestar, o cidadão cria a possibilidade de que mau político assuma o poder”, analisou Pereira.

“Ficando fora do processo democrático, na verdade, o eleitor só está contribuindo para diminuir a qualidade dos políticos brasileiros. Só quem pode cobrar a melhoria do sistema político é o cidadão ativo, que vota, que analisa os candidatos antes de votar, não o passivo”, acrescentou Pereira.

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