Professor usa letra de ‘Lepo Lepo’ em prova e surpreende alunos

Segundo o professor, os alunos ficaram incrédulos com o que viram, mas depois perceberam que era sério

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Os professores brasileiros estão surpreendendo mais na hora de elaborar provas para alunos de nível médio no país. Após o caso do exame de filosofia em uma escola no Distrito Federal, com a música da funkeira Valesca Popozuda, apontada como “pensadora contemporânea”, nesta semana foi o caso de outra prova de filosofia, desta vez na rede estadual do Norte do Espírito Santo, fazer uma avaliação diferente. Um professor aplicou um exame com a letra da música “Lepo Lepo”, da banda Psirico.

Ao abrir a prova, alunos do 1º ano da Escola Estadual de Ensino Médio Manoel Duarte da Cunha, em Pedro Canário (ES), ficaram confusos com a questão, já que pensaram que se tratava de uma brincadeira. Na pergunta, o cantor Márcio Victor também foi apontado como “pensador contemporâneo”, e os estudante tiveram que responder sobre qual alternativa não fazia referência a letra da música.

“Segundo o grande pensador contemporâneo Márcio Vitor do Psirico: ‘Ah, eu já não sei o que fazer duro, pé-rapado e com o salário atrasado. Ah, eu não tenho mais para onde correr, já fui despejado, o banco levou o meu carro. Agora vou conversar com ela, será que ela vai me querer? Agora vou saber a verdade, se é dinheiro, ou é amor, ou cumplicidade’: O trecho da música refere-se a situações que cercam a nossa sociedade, assinale a alternativa que NÃO se refere ao tema proposto na canção: a) Desemprego; b) Dívida; c) Desabrigado; d) Lepo Lepo; e) Reforma agrária”

Segundo o professor Maurício de Menezes, que confeccionou a avaliação, os alunos ficaram incrédulos com o que viram, mas depois perceberam que era sério. O docente acredita que as maneiras dinâmicas de ensinar prendem a atenção dos estudantes, e eles conseguem aprender com mais facilidade.

‘Beijinho no ombro’

No início do mês de abril, a prova de filosofia aplicada na Escola de Ensino Médio 3, no Distrito Federal, provocou polêmica nas redes sociais. O alvoroço foi ocasionado por uma questão que chamava a funkeira Valesca Popozuda de “grande pensadora contemporânea”.

Após a repercussão, a cantora resolveu entrar na discussão e se manifestou através de sua página no Facebook. “Eu fiquei foi bem honrada me senti duas vezes homenageada tanto pela pergunta quanto com o título de pensadora”, escreveu Valesca.

No mesmo texto, a funkeira indagou diversos questionamentos sobre a polêmica. “O que criou essa confusão é esse tal de ‘pensadora’ que ele colocou. Mas todo mundo quer saber o que eu acho e vou dar minha opinião: (…) EU ACHO UMA BOBAGEM ISSO TUDO, talvez se ele tivesse colocado um trecho de qualquer música de MPB ou até mesmo de qualquer outro gênero musical (…) talvez não tivesse gerado tal problema (…) E se fosse MPB ou música americana que tanto é valorizada por nós? Será que daria a mesma polêmica?”.

Na ocasião, o professor de filosofia, Antônio Kubitschek, que elaborou a prova, afirmou que a atitude não teve a intenção de provocar discussões sobre métodos educacionais, foi sim um teste para verificar a atuação da imprensa e se ela dá destaque às atividades escolares em momentos positivos ou negativos.

“Tivemos um debate em sala de aula sobre a formação moral, a formação dos alunos, e veio a discussão de como a imprensa participa desses novos valores que vão surgindo. Isso gerou polêmica, e resolvi testar. Resolvi então colocar na minha prova uma questão que gerasse polêmica e chegasse na rede social, que aí, em algum momento, um órgão da imprensa iria pegar”, relata.

Para o professor, a grande repercussão que o assunto adquiriu demonstra que a imprensa está mais interessada em dar destaque a questões sensacionalistas. “Até então havia uma dúvida se a imprensa é sensacionalista ou não, e a dúvida foi tirada com a polêmica. A imprensa demonstrou que hoje está mais interessada no sensacionalismo e pouco interessada em uma boa formação”, avalia Kubitschek.

 

 

Fonte: O Dia

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