Professor usa WhatsApp para ensinar literatura aos seus alunos em Natal

Ideia inovadora está sendo implementada em escola particular de Natal e já rende melhoras nas notas

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Alessandra Bernardo

alessabsl@gmail.com

Um dos principais aplicativos de troca de mensagens instantâneas online do momento, o WhatsApp deixou de ser um problema dentro de sala de aula para se tornar uma nova ferramenta de estudos em Natal. A ideia, desenvolvida pelo professor de literatura Walter Freitas em seu projeto de Mestrado em Educação, transformou a forma como os alunos do 1º e 2º anos do Ensino Médio de uma escola particular vêem e usam o aplicativo no seu cotidiano e também a metodologia de estudos durante as aulas.

“O objetivo é tirar o professor do centro do conhecimento e colocar os alunos como sujeitos ativos do processo de aprendizagem, o que vem ocorrendo de forma positiva. Formamos 26 grupos de alunos no WhatsApp, cada um com uma responsabilidade própria e todos interagem de acordo com o andamento dos estudos, sempre baseados em livros exigidos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Deixo que eles trabalhem à vontade, mas sempre faço intervenções quando solicitam ou quando percebo que é necessário”, explicou o professor.

O resultado destes três meses de trabalho foi apresentado no último sábado (24) à comunidade escolar, com a realização do I Festival Literário da Escola Doméstica/Henrique Castriciano. As peças teatrais, produzidas pelos próprios estudantes, foram baseadas em livros como Madame Bovary, Inocência, Os Miseráveis, Memórias de um Sargento de Milícias e outros, e receberam notas que foram acrescentadas às demais avaliações realizadas durante o trimestre escolar.

“Durante todo esse tempo, eles tiveram que cumprir rigorosamente o prazo de 30 dias para a leitura das obras recomendadas, a adaptação do texto, a revisão final do texto, ensaios e apresentação. Isso foi importante porque o número de livros exigidos pelo Enem é muito grande e inviável para se trabalhar em sala de aula. E também temos a conscientização dos alunos para a importância do auto estudo e do uso pedagógico das mídias sociais, como o WhatsApp”, explicou Walter Freitas.

Alunos aprovam medida inovadora

O que antes era um problema grave para alunos e professores, agora é uma ferramenta poderosa de estudos, aprovada por todos. “Isso facilitou muito o contato com o professor, que nos atende também fora da sala de aula, quando precisamos de alguma orientação sobre o trabalho que temos que desenvolver. E também é interessante porque podemos interagir com mais rapidez”, disse a estudante Ana Tamires Medeiros, do 2 º ano.

A possibilidade de discutir e tirar dúvidas sobre os trabalhos passados pelo professor em sala de aula, com os demais colegas, foi um dos benefícios citados por Rafaela Nogueira, também do 2º ano. “Como é uma ferramenta bastante usada por todos, ficou muito mais fácil ter contato com os outros alunos para discutirmos o conteúdo dos trabalhos. Foi uma boa ideia”, afirmou.

Para o professor Walter Freitas, além de auxiliar no aprendizado de seus alunos, o uso pedagógico do WhatsApp também diminuiu os ruídos em sala de aula, provocados pelo uso do aplicativo, o que prejudica bastante a concentração e notas dos estudantes. “É um trabalho inédito no mundo acadêmico e que tem também ajudado a melhorar as notas escolares e o relacionamento em casa. Já teve casos de pais que tiveram que tomar o celular do filho, por causa de notas baixas na escola, e que se surpreenderam com a melhora destas após o início do projeto”, enfatizou.

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