Profissionais aproveitam viagens de trabalho para fazer turismo

Cerca de 47% dos americanos que viajam a negócios incluíram dias de lazer a pelo menos uma de suas viagens em 2011

Executivos aproveitam viagens de negócios para conhecer outros Estados e países. Foto:Divulgação
Executivos aproveitam viagens de negócios para conhecer outros Estados e países. Foto:Divulgação

Em uma viagem de negócios para Londres no outono passado, Caroline Michaud escolheu o último voo do Aeroporto de Heathrow para Chicago (EUA), em uma noite de sábado, para ter tempo de visitar a National Portrait Gallery, passar pelo Palácio de Buckingham e conhecer o Saint James Park.

“Estou sempre tentando achar uma maneira de esticar a viagem”, afirma ela. Mesmo se isso significar apenas seis horas a mais em uma cidade. “Você não precisa ficar uma noite adicional para obter a sensação real do lugar”, considera.

Michaud, diretora de Relações Públicas no Preferred Hotel Group, faz parte de um grupo cada vez maior de viajantes que procura aproveitar suas viagens a trabalho ao máximo ao usufruir algum tempo para eles mesmos.

“Essa é uma tendência muito comum entre os viajantes a negócios nos últimos anos”, explica Nick Vournakis, vice-presidente da empresa de gestão de viagens Carlson Wagonlit Travel.

Isso é conhecido nos EUA como “bleisure” (uma junção das palavras “business”, negócios, e “leisure”, lazer), ou “misturar lazer e negócios como uma forma de tornar a viagem de negócios um pouco mais palatável e aceitável”, segundo Vournakis.

Cerca de 47% dos americanos que viajam a negócios acrescentaram dias de lazer a pelo menos uma de suas viagens a trabalho em 2011, o último ano com dados disponíveis, de acordo com Lorraine Sileo, vice-presidente de Pesquisa na PhoCusWright, firma de pesquisa de viagens.

Entre viajantes a negócios independentes, esse percentual pula para 53%. Se as empresas “não possuem diretrizes rígidas, os viajantes têm mais chances de inserir lazer em suas viagens de negócios. Afinal, eles querem conhecer os destinos dos locais que estão visitando a trabalho”, diz Lorraine.

Um grande motivo para o aumento, diz ela, é o custo das passagens aéreas. Se um assento custa US$ 1,2 mil, o viajante quer aproveitar a viagem ao máximo em vez de pagar por um voo futuro por conta própria, ao tirar férias. Combinando negócios e lazer, eles ganham experiências e economizam dinheiro.

Os viajantes a trabalho — especialmente aqueles que estão começando suas carreiras — estão ávidos por conhecer o mundo e encontrar maneiras de maximizar seu tempo de viagem.

“Faço isso quando estou viajando a cidades que nunca visitei”, argumenta Caroline, de 28 anos. Ela está planejando uma viagem à Cidade do México em março, e viajará em um sábado para explorar outra parte da cidade antes de ir para o hotel de negócios para suas reuniões, na segunda e terça-feira.

“Por que não conhecer a cidade no fim de semana e nos dias úteis? São duas sensações diferentes”, explica Caroline.

Redução de custos

Acrescentar uma estadia de sábado pode reduzir o custo de uma passagem. Mas seja qual for o impacto de preço de adicionar um tempo pessoal numa viagem de trabalho, os viajantes a negócios que gostam de fazê-lo precisam manter suas despesas pessoais e corporativas separadas — mesmo se isso significar pagar pela parte de lazer em um cartão de crédito pessoal, e então trocar para o cartão corporativo no início dos dias de trabalho. “A chave é a documentação”, conta Michael Steiner, sócio da Ovation Travel Group.

“Existem dois tipos de viagem, e diferentes formas de pagamento são usadas para cada uma delas”, destaca ele. Além disso, se há dias adicionais que não são fins de semana ou feriados, viajantes de negócios usam dias de férias para fazer a viagem acontecer. Algumas vezes, os viajantes somam horas ou um voo noturno para maximizar seu tempo em um lugar.

Em alguns casos, o viajante a negócios pode adicionar uma cidade à viagem — e economizar dinheiro à empresa. Por exemplo, um viajante indo de Nova Jersey à Califórnia a trabalho pode parar em Las Vegas por uma noite na volta. O preço da passagem pode ser menor.

Em outros casos, o viajante pode preferir acrescentar dias antes ou após uma viagem de negócios, e Steiner apresentará dois itinerários para mostrar os custos de cada opção. Dessa forma, a empresa pode analisar o custo de diferentes alternativas. “Nós oferecemos todos os detalhes”, afirma Steiner.

Rebecca Sadek, uma especialista em nutrição holística que mora em Pelham, Nova York, acrescentou dias em San Juan, Porto Rico, antes de uma viagem de negócios ao Caribe. Ela visitou Saint Croix, Saint Kitts, Granada, Dominica e Saint Thomas durante uma viagem que ganhou da Shaklee, empresa de saúde e bem-estar da qual é distribuidora. Ela fez o mesmo quando foi a Paris, passando por Roma. “Era mais barato, então, foi aprovado”, garantiu a profissional.

Cada empresa tem sua própria política a esse respeito. “Trata-se de uma área cinzenta”, explica Greeley Koch, diretor executivo da Association of Corporate Travel Executives. “Acaba sendo pela cultura da empresa”. Algumas empresas costumam desestimular a adição de dias de férias. Outras encorajam, mesmo que seja para ajudar funcionários a superar o jet lag e ser mais eficientes enquanto trabalham na estrada.

Ferramenta de RH

Indo um passo adiante, algumas empresas chegam a usar a extensão de viagens de negócios como uma ferramenta de recrutamento. As corporações estão “lutando por talentos nas indústrias de alto crescimento”, diz Vournakis da Carlson Wagonlit, e uma política flexível de viagens pode ser usada como uma forma de “atrair e reter funcionários”.

Todavia, a prática traz riscos à empresa, que é cada vez mais responsável pela segurança de seus funcionários em uma viagem de negócios — estejam eles trabalhando ou passeando. Essa é uma área da lei chamada dever de cuidado.

“Muitos tribunais vêm ampliando cada vez mais o dever de cuidado do empregador”, avalia Adam Anolik, um advogado que cuida de viagens corporativas.

Os empregadores são aconselhados, por exemplo, a alertar viajantes de negócios sobre “quaisquer riscos conhecidos que possam afetar seu funcionário em viagem, caso eles ocorram em momentos de lazer ou trabalho”, diz Anolik.

Além disso, alguns países adotaram legislações rigorosas de dever de cuidado, ou precedentes na lei que geralmente se aplicam a seus funcionários viajando no exterior, conclui o advogado.

Fonte:IG

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