Profissionais da imprensa potiguar pedem segurança na cobertura de manifestações

A mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte e segundo Breno Perrucci, presidente do Sindjorn, é uma forma da prestar a solidariedade e chamar a atenção da sociedade à vulnerabilidade e insegurança que passam os profissionais do meio

Sindjorn-realiza-ato-na-praca-7-de-Setembro-WR

Fernanda Souza

fernandasouzajh@gmail.com

 

Profissionais da imprensa do Rio Grande do Norte se uniram na manhã desta segunda-feira (17), na Praça Sete de Setembro, no centro de Natal, para protestar contra o falecimento do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, que foi atingido na cabeça por um rojão, quando registrava o confronto entre manifestantes e policiais durante uma mobilização contra o aumento da passagem de ônibus, no centro do Rio de Janeiro. Ele foi alvejado no dia 6 de fevereiro e teve sua morte cerebral decretada no último dia 10.

A mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte e, segundo Breno Perrucci, presidente do Sindjorn, é uma forma da prestar solidariedade e chamar a atenção da sociedade à vulnerabilidade e insegurança que passam os profissionais do meio. “Os próprios colegas nos procuraram para fazer o protesto. Já tivemos vários relatos de violência no Estado, inclusive com mortes, como o caso do radialista F. Gomes, e no ano passado jornalistas de diversos veículos de comunicação sofreram agressões durante a cobertura da Revolta de Busão. Carros foram queimados e depredados, repórteres e fotógrafos foram agredidos verbal e fisicamente. Na ocasião, procuramos imediatamente o comando geral da Polícia Militar e o Coronel Araújo nos assegurou que existe uma portaria do Ministério da Justiça que atribui à PM a segurança de jornalistas em cobertura de eventos. O coronel falou sobre dificuldades quanto à quantidade de efetivo, mas ficou de criar mecanismos de proteção em outros eventos. Ainda não sabemos como será feito, se vai haver cordões de isolamento, mas vamos ficar vigilantes”, frisou.

Ainda segundo Perruci, há três anos a categoria busca junto ao sindicato patronal que sejam distribuídos nos veículos de comunicação equipamentos de segurança como coletes à prova de bala. “Esta luta para que os jornalistas tenham equipamento de proteção é antiga, principalmente para os que fazem cobertura policial. O discurso também é da própria Federação Nacional dos Jornalistas. Apesar de ainda não ser uma determinação, isto não isenta a responsabilidade dos veículos, que poderiam disponibilizar, no mínimo, um colete. Colocamos a proposta para o sindicato patronal de dois coletes por veículo, mas eles alegam que ficaria inviável pelo custo”.

Para a vice-presidente do Sindjorn, Nelly Carlos, é preciso que haja um profissional a mais na cobertura de eventos que envolvam mobilizações. “Os câmeras estão preocupados com a imagem, não veem o que está acontecendo ao lado e acabam esquecendo da sua própria segurança. Antes eram quatro pessoas numa equipe jornalística e hoje se limita a duas, sendo que o câmera também é motorista. O que aconteceu com o cinegrafista da Band foi uma morte anunciada. Aqui no Estado, infelizmente parece que só vão dar a atenção devida a essa questão quando morrer algum jornalista”.

O cinegrafista Ivan Galberto não passou por nenhuma situação mais delicada ao trabalhar em manifestações, mas acredita que estes movimentos perderam a verdadeira finalidade. “Nós temos um profissão de risco e somos vulneráveis, mas acredito que a gente tem que tomar cuidado com a contraviolência. Imagina se os profissionais da imprensa por não terem a segurança devida se rebelassem contra os próprios manifestantes? Temos que trabalhar é com a conscientização da população, dos manifestantes, porque o que vemos não é só agressão a jornalistas, mas a mendigos, a prédios públicos. Está tudo banalizado. Antes, andávamos nas ruas com câmera, máquina fotográfica e nada acontecia. Hoje corremos o risco de ser assaltados”.

Já o repórter fotográfico Alex Régis vivenciou no ano passado, a violência de manifestantes quando trabalhava na cobertura da Revolta do Busão, nas imediações da Câmara Municipal de Natal. “Vi um manifestante pichando o muro e bati duas fotos. De repente, uns dez outros me empurraram, ficaram em cima de mim e picharam parte do meu corpo e a lente da minha máquina. Troquei a lente, tentei fazer novas fotos, mas eles me perseguiram, na tentativa de me intimidar. Quando vi que estava muito arriscado, não continuei a cobertura. Vim para este manifesto prestar a minha solidariedade, mas sei que as manifestações perderam totalmente o seu foco, o real sentido, pois eles estão para bater, bagunçar e para destruir. A verdade é que morrem jornalistas pelo mundo o ano inteiro, mas não é divulgado”.

Compartilhar: