Profissionais discutem soluções para Hospital Walfredo Gurgel
Um grupo formado por cerca de 40 servidores do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, representantes da Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) e da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), participaram de uma oficina, nesta segunda-feira (21) e terça-feira (22), no auditório da Universidade Potiguar, para discutir o trabalho de inserção do hospital no Programa SOS Emergência, do Ministério da Saúde. Hoje, no término da oficina, será concluído o planejamento macro com as diretrizes e ações para o ano de 2013 no Hospital Walfredo Gurgel. Dentre as primeiras ações que serão implementadas no hospital está a criação da Classificação de Risco na unidade hospitalar.
A oficina foi conduzida pelo apoiador matricial do Ministério da Saúde, Altair Gonzaga, e também conta com a colaboração do apoiador local, Marcelo Bessa, e do diretor do Hospital Albert Einstein, Alberto Kanamura. O Albert Einstein é um dos hospitais qualificados pelo MS para atuar como apoiador do SOS Emergências e que também integra o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS).
O apoiador matricial do Ministério da Saúde resumiu como será o trabalho dentro do hospital. “O Ministério da Saúde não veio fazer uma intervenção no hospital. Não trouxemos uma fórmula mágica. É preciso uma construção coletiva, uma autocrítica e a participação intensa dos trabalhadores e da gestão. Nós viemos trazer a nossa experiência e capacidade analítica, com foco na porta de emergência”, disse.
A estratégia do SOS Emergência parte da elaboração de um diagnóstico e planejamento baseados em quatro eixos: porta de entrada, processo de trabalho na emergência, rede interna hospitalar (gestão de leitos) e rede externa (desospitalização do paciente/transferência do cuidado). Para garantir o andamento das ações, o SOS Emergência conta com a presença no hospital de um apoiador local indicado pelo Ministério da Saúde, que no Walfredo Gurgel é o enfermeiro Marcelo Bessa, e por um apoiador matricial que realiza visitas esporádicas ao hospital, no Rio Grande do Norte, Altair Gonzaga é este apoiador.
O diretor do Hospital Albert Eisntein, Alberto Kanamura participou da oficina contribuindo com a experiência do Hospital, que hoje é uma instituição de padrão internacional e a principal referência na área de saúde no Brasil. Para Alberto, os hospitais públicos têm muito a aprender com os hospitais privados, em especial quando se trata de gestão. “Queremos construir uma solução para os problemas do Walfredo Gurgel e o Hospital Albert Eisntein será parceiro oferecendo o apoio através da capacitação e qualificação profissional, e nossos profissionais estarão à disposição para cada necessidade específica do Walfredo Gurgel. Além disso, existem métodos de controle do processo que possibilitem a melhoria da gestão e a qualidade do processo. A técnica de Kanban, que é utilizada na indústria, pode otimizar os serviços hospitalares, pois permite uma comunicação visual de todo o processo”, destacou o diretor, que propôs uma visita de membros do Walfredo Gurgel ao Albert Eisntein para conhecer o funcionamento da classificação de risco na unidade.
Alberto Kanamura visitou o Pronto Socorro do Hospital Walfredo Gurgel na tarde desta segunda-feira e a primeira impressão que teve foi ruim. “Percebi que o grande problema do Walfredo Gurgel é de demanda. O número de atendimento é muito superior do que a capacidade do Hospital e a única solução é aumentar essa capacidade de atendimento, com a construção de uma nova unidade hospitalar, pois apenas gestão não resolve”, destacou. Em relação ao problema de desabastecimento de medicamentos, Alberto Kanamura disse que tem que identificar as causas do problema. Se for dinheiro, segundo ele, só gestão não resolve. “É preciso estocar bem e distribuir bem os medicamentos, pois eles têm validade. A gestão de estoque pode minimizar os problemas de desabastecimento”, afirmou.
A gerente de enfermagem do Pronto Socorro Clóvis Sarinho, Mariana Pereira, conta que no primeiro dia da oficina foram identificados os problemas, as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças na prestação do serviço para, em seguida, durante o dia de hoje, delimitar as diretrizes e ações a serem implementadas. Dentre os problemas identificados pela enfermeira estão: problema de comunicação com o serviço de regulação, delimitar o real perfil do Hospital, a ineficiência da rede básica de saúde, que ocasiona a superlotação da unidade e a falta de articulação entre o Estado e o Município. “Por mais que o Walfredo resolva os seus problemas, sempre vamos precisar desse apoio externo”, disse.
O apoiador local do Ministério da Saúde, Marcelo Bessa, que desde o dia 2 de janeiro começou seu trabalho no Walfredo Gurgel, elaborando um diagnóstico da situação do hospital, destacou que todas as ações de planejamento estão sendo construídas pelos próprios servidores do Hospital. Para ele, entre as ações implantadas, a Classificação de Risco será uma das mais importantes. “A Classificação de Risco será fundamental para o Walfredo Gurgel, mas precisamos ter o respaldo do Município para saber para onde mandaremos o paciente que não será atendido no Walfredo Gurgel? Para isso, a Secretaria Municipal de Saúde deve estar pactuando estes locais. Não é só um trabalho de resolver todos os problemas do Walfredo, mas sim um trabalho integrado de todos os envolvidos na rede. As ações que forem definidas hoje já começam a ser implantadas amanhã”, afirmou.
Marcelo Bessa não quis precisar uma data para o início da Classificação de Risco. No entanto, para começar as atividades será necessário adequar o espaço físico para as salas de classificação de risco, bem como realizar a capacitação dos profissionais que trabalharão na porta de entrada do Hospital. “Nosso desejo é que isso seja implantado o mais rápido possível. Enquanto o processo de ambiência não é concluído, podemos ir trabalhando na qualificação profissional dos envolvidos no processo”. Ele também apontou também problema de gestão no Walfredo Gurgel que precisa ser solucionado. “Percebemos que falta planejamento. É preciso utilizar os recursos de forma a otimizá-los”, destacou.
É necessária também a criação de um Núcleo de Acesso e Qualidade Hospitalar (NAQH), composto pela gestão e técnicos do hospital, da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) e Secretaria de Saúde do Município de Natal. O NAQH irá se reunir semanalmente para fazer análise das ações e elaboração de proposições. De acordo com Altair Gonzaga, estas são as marcas registradas de todos os hospitais que compõem o Programa SOS Emergências e que estão sendo constantemente monitorados pelo Gabinete Civil da presidenta Dilma Rousseff e pelo Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que também acompanha o andamento do Programa em visitas aos hospitais.
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