Programa de sementes distribui 2 quilos a menos por agricultor

Número de produtores vem aumentando 10% ao ano

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Marcelo Hollanda

hollandajornalista@gmail.com

Concebido em 2005 para atender 22 mil produtores, o programa de Bancos de Sementes do Governo do Estado chega a 2014, nove anos depois, distribuindo dois quilos de sementes a menos por agricultor de feijão e milho e um quilo a menos de sorgo Ponta Negra para a recomposição de forrageira, vital em épocas de seca.

Até recentemente a mesma quantidade era de 5 quilos de sementes de feijão e milho e 3 quilos de sorgo por agricultor e, hoje, é de 3-3-2, respectivamente. E isso a despeito dos anos de seca, considerados os mais rigorosos dos últimos 50 anos. Nesse meio tempo, o programa saltou de uma clientela de 22 mil produtores no estado para 36 mil, um incremento de 10% ao ano.

O coordenador do programa, Antônio Carlos Magalhães Alves, o ACM, atribui essa redução na oferta de sementes a problemas de falta de orçamento, mas explica que o volume dos bancos varia de acordo com o percentual de recomposição – devolução das sementes usadas pelos agricultores aos bancos – e da necessidade do uso, que varia conforme o comportamento das chuvas.

“Em anos de chuvas normais, a média de uso de sementes é de 50%, com o compromisso dos agricultores que as tomaram de repor os estoques depois da colheita”, explica ACM.

Ainda segundo ele, em média, 20% dos agricultores não fazem essa reposição e são descredenciados do programa. Este ano, a ideia é apertar a fiscalização, já que nos dois últimos anos por causa da seca não foi possível manter o rigor da regra.

“Houve regiões que semearam duas vezes os seus campos sem sucesso”, lembra o coordenador, que trabalha no programa desde antes do seu nascimento oficial, em 2005.

A partir desta terça-feira, a regional de Santa Cruz receberá 12.800 quilos de semente de feijão, 12.800 de milho e 8,5 mil quilos de sorgo Ponta Negra. E, na quarta-feira, será a vez de São José de Mipibu receber 4.700 quilos de semente de feijão; 4.700 de milho e 3.150 de sorgo. Com isso, termina oficialmente a fase de distribuição.

Hoje, o Governo do Estado finalmente deve pagar a segunda parcela de de R$ 1,7 milhões com a Santana Sementes de um valor total de 2,9 milhões – R$1 milhão para a empresa privadas anta outros R$ 900 mil para a Empresa de Pesquisa Agropecuário do RN (Emparn), parceira na produção dos cultivares.

Nos últimos anos o programa sementes evoluiu tanto que dos 400 que existiam há nove anos, eles são hoje 1.150 em 146 municípios.

Como sempre acontece, os assessores da Emater explicam que as sementes são destinadas somente para o plantio e orientam que elas não servem para o consumo humano. Isso, porque os grãos recebem um tratamento químico para melhorar a germinação e evitar o ataque de fungos. E este tipo de tratamento pode prejudicar a saúde, tanto humana quanto animal.

Por isso mesmo, quando existe uma boa recomposição dessas sementes por parte dos agricultores, a tendência é de uma queda na produtividade, já que as sementes devolvidas vêm direto do campo sem tratamento contra pragas. Antônio Carlos Magalhães explica que o programa prevê a injeção de determinadas quantidades de sementes tratadas, independentemente do percentual de reposição pelos agricultores aos bancos. “É uma maneira de manter parte da produtividade das sementes”, explica.

Tradicionalmente, o cálculo de quanto será necessário em sementes para abastecer os bancos é feito em setembro de cada ano com efeito para o ano seguinte. Mesmo na época sob o efeito de uma seca rigorosa, os cálculos feitos para o abastecimento dos bancos em 2014 são considerados conservadores. Mesmo assim, com a chegada das chuvas, a Secretaria de Agricultura não divulgou nenhum aumento para os bancos este ano, além do já divulgado.

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