Projeto Fandango Tradicional Gaúcho faz cinco shows em Natal

Objetivo é mostrar o gênero musical de influência árabe trazido para o Brasil por imigrantes portugueses e espanhóis; a entrada é gratuita

conr7

Conrado Carlos

Editor de Cultura

Gaúcho é que nem cearense, tem em todo canto. Povo orgulhoso de sua origem mesclada entre europeus ibéricos, italianos, eslavos e teutônicos, que um dia quis virar uma nação independente (a ponto de empreender a Guerra dos Farrapos, ou Revolta Farroupilha, em meados do século XIX), ele são dos mais festivos e incentivadores da própria cultura. Para tanto, a partir de hoje (17), até o próximo sábado (21), o grupo tradicionalista Beira D’estrada realizará o Projeto Cultural Fandango Tradicional Gaúcho com cinco shows em Natal, no Teatro de Cultura Popular José Augusto. A ideia é apresentar o multiculturalismo brasileiro ao público local e aos turistas.

O show tem duração média de 1h30min, com músicas tradicionais, danças e vestimentas típicas – além de breves intervenções com curiosidades e “causos” gaúchos. “O gaúcho tem sua particularidade. Somos um povo alegre, festeiro e afinado com os valores de nossos antepassados. A música e a dança são os exemplos principais. Quase toda cidade do Rio Grande tem um festival próprio”, diz Alexandre Fantini, natural de Caxias do Sul que reside em Natal há quase duas décadas – o gênero fandango, espécie de seção mais alegre do flamenco, tem origem árabe, fruto da dominação dos mouros na Península Ibérica, e virou trilha de bailes, em terras do sul brasileiro.

Quem comanda o espetáculo é o Beira D’estrada, experiente grupo que participa de festivais e anima bailes no Rio Grande do Sul. No currículo, uma participação no evento “Intercâmbio Fandangueiro”, em 2010, com apresentações nas cidades de Newark, New York e Chester, nos Estados Unidos. Aqui em Natal, nos dias 17, 19, 20 e 21, será às 19h30min. Enquanto que amanhã (18), às 16h, – todas as sessões com entrada gratuita. “A cidade está lotada e sei que muitos gaúchos cruzaram o país para ver as seleções de seus antepassados aqui no Nordeste [onde a Alemanha joga toda a primeira fase e a Itália faz dois de seus três jogos iniciais]. É a hora certa de ter um show desse aqui”, aposta Alexandre.

E também para natalenses conhecerem um ritmo que vem do extremo sul do país, com fortes ligações com a música nordestina, mas que recebeu o toque brasileiro em seu formato original. A formação instrumental básica do fandango normalmente é composta por tocadores de viola, de rabeca, de adufo, de violão e cavaquinho (este uma adaptação nos trópicos). Instrumentos de percussão, como pandeiro, surdos, tantãs, também compõem a sonoridade – o show da Beira D’Estrada tem sete músicos, quatro bailarinos e um ator convidado. “É uma música e dança rica, com alusões a vários estilos clássicos na Espanha e Portugal. Faz parte de nossa tradição, principalmente no interior do Rio Grande”. Alexandre lembra que a maior parte das composições são apócrifas e que as letras enaltecem o Sul, a raíz, a história e a felicidade.

Compartilhar:
    Publicidade