Projeto Lumiar tratará vítimas da violência doméstica em Parnamirim

Objetivo da Prefeitura de Parnamirim é atender e orientar mulheres vítimas e também os homens agressores

A Lei Maria da Penha, entrou em vigor em 2006 para hostilizar a violência contra a mulher. Foto:Divulgação
A Lei Maria da Penha, entrou em vigor em 2006 para hostilizar a violência contra a mulher. Foto:Divulgação

Na próxima quinta-feira (13), às 8h30, no CREAS Parnamirim, a Secretaria de Assistência Social vai apresentar o projeto “Lumiar, sob a luz da Lei Maria da Penha”, cujo principal objetivo é atender e orientar não apenas às mulheres vítimas de violência doméstica, mas também os homens agressores. O evento integra a programação alusiva ao Dia Internacional das Mulheres – comemorado hoje 8 de março.

E, para homenagear as mulheres parnamirinenses, nada melhor do que relatar a história de luta de uma guerreira que depois de 23 anos de agressões do marido e, recentemente, do filho, conseguiu se libertar. Um exemplo de vida e de atitude que deve ser seguido por outras mulheres reféns de um sentimento ou de uma situação de violência doméstica.

Essa é a história da técnica administrativa J.G.C.T , 42 anos, mãe de três filhos, moradora no bairro de Santos Reis e que teve o apoio da equipe da Semas para sua libertação. Por se tratar de um caso que ainda corre na justiça, a identidade da vítima será preservada.

Com o olhar triste mas a certeza de que tomou a atitude certa, JGCT conta que durante 23 anos viveu um histórico de violência doméstica provocada pelo marido – um empresário na cidade de Parnamirim. Mãe de três filhos, suportou as agressões por não ter emprego e renda para se manter sozinha. “Tenho três filhos – o mais velho com 22 anos, o do meio com 16 e o mais novo com 1 ano e 7 meses”, contou a mulher de traços delicados e voz doce.

A libertação veio somente depois de conseguir um emprego como servidora pública. “Mesmo ganhando pouco, percebi que podia colocar um fim nessa situação trágica. E, a gota d’água foi quando o meu filho de 16 anos me agrediu. Criei coragem e resolvi sair de casa e denunciá-los na Vara da Infância e na delegacia da mulher”, contou a vítima.

Resguardada pela justiça, JGCT, conseguiu retornar para casa, onde vive com o filho mais novo. O pai foi obrigado a sair de casa e levou os outros dois filhos com ele. “Não tenho raiva dos meus filhos. Sei que eles são tão vítimas como eu”, diz a mãe com os olhos cheios de lágrimas. Hoje, o processo de separação corre na justiça e JGCT tenta refazer sua vida. Em maio conclui a faculdade de Serviço Social e tem muitos planos para a educação do filho caçula.

“Meu filho vai poder escolher o que comer, o que estudar e quem namorar, decisões simples que nunca tivemos quando morávamos todos juntos. Sinto pelos meus outros dois filhos, mas sei que este menor terá a chance de ser feliz”, diz JGCT, que complementa “sou feliz porque posso decidir sobre tudo o que acontece na minha casa”, conclui.

A secretária adjunta Joseane Bezerra explica que casos como o de JGCT são muito comuns, mas nem todas as mulheres têm coragem de denunciar. “Infelizmente, essa é a realidade. E para ajudar outras mulheres como JGCT é que estamos mobilizando todas as nossas equipes para a execução do projeto Lumiar”, concluiu.

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