Projeto do VLT abrangerá integração com paradas de ônibus

A concorrência pública para licitação do projeto do VLT está programada para fevereiro de 2014

Seminário que discutiu implantação do VLT foi realizado na manhã de hoje no auditório da CBTU. Foto: Heracles Dantas
Seminário que discutiu implantação do VLT foi realizado na manhã de hoje no auditório da CBTU. Foto: Heracles Dantas

A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) promoveu na manhã desta quinta-feira (19), no auditório da CBTU, localizado na Ribeira, o seminário ‘Mobilidade Urbana: O VLT no plano estratégico da Região Metropolitana de Natal’.

O evento congregou a apresentação do projeto do novo sistema de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) para a Grande Natal, além de debates técnicos e políticos e sobre a mobilidade da Região Metropolitana, tendo como ponto principal, o VLT como um agente indutor.

Dentro da apresentação do projeto – que será dividido em duas etapas (modernização e ampliação do sistema) – foi evidenciada a grandeza da obra, que está localizada no maior vetor de crescimento urbano da Região Metropolitana e aproveitará o percurso atual de 56 km. O funcionamento será a partir da operação de sete linhas de VLT, implantadas em quatro etapas.

A primeira etapa, que corresponde ao Projeto de Modernização, atenderá ao sistema atual e cobrirá os municípios de Natal, Parnamirim, Extremoz e Ceará Mirim. Serão construídas 26 estações e recuperadas quatro, além da construção de 13 cruzamentos de trem. Doze VLTs vão atuar na linha Verde, que ligará o Centro de Natal ao extremo da zona Norte, e na linha Amarela, que ligará Parnamirim a Natal.

Duas novas locomotivas diesel farão parte da Linha Azul, que visa ligar o extremo norte de Natal a Ceará Mirim. Sequencialmente serão contemplados o Campus Universitário, os municípios de São Gonçalo do Amarante, São José de Mipibu, Macaíba, Nísia Floresta, além de um anel na região central de Natal interligando todos os destinos. Cada locomotiva comportará 600 passageiros, com uma demanda diária de 60 mil passageiros/dia.

De acordo com a técnica da CBTU, Dulce Albuquerque, responsável pela apresentação do projeto técnico, um dos maiores objetivos do VLT é melhorar a mobilidade nos corredores de transporte e promover uma futura integração com os novos meios de transporte. “Os acessos serão construídos preferencialmente a nível, buscando a integração com outros sistemas de transporte. Vamos construir muretas que demarcam a área operacional”, pontuou.  Outros diferenciais apresentados são a proximidade com os principais corredores, centros históricos, áreas de pedestres e o favorecimento da população de baixa renda.

João Maria Cavalcanti, superintendente da CBTU Natal, destacou a trajetória do projeto de implantação de VLT. “Houve muitas dificuldades, pois o projeto data desde 2003. Mas agora é uma realidade. O Governo Federal sinalizou para grandes investimentos em ferrovias, cerca de R$ 50 bilhões com ênfase no VLT, já tendo liberado R$ 154 bilhões para a compra dos VLTs. Quando procuramos o Governo nos foi dito que recursos existiam, mas faltava uma ideia pronta. Formamos uma equipe de alta qualidade, desenvolvemos o projeto e foram conseguidos recursos na ordem de R$ 320 milhões para a implantação”, disse.

João Maria também explicou que há a proposta de agregar ao sistema a Linha Branca desativada da Refesa, que possui 17 km e liga Parnamirim a Nísia Floresta, através de uma gestão política junto ao Ministério dos Transportes. “O VLT é um ganho imensurável para a população potiguar. Vamos sair de um sistema da década de 1950 para um sistema atual e um dos mais usados no mundo inteiro. Agora haverá mais segurança em deixar os carros em casa e usar o VLT”.

A deputada federal Fátima Bezerra, uma das maiores articuladoras na busca de recursos para a implantação do sistema no Rio Grande do Norte, destacou a importância dos investimentos no sistema ferroviário do país. “Esta luta é antiga, desde o início do primeiro mandato do Governo Lula, quando ele encontrou o sistema ferroviário vendido e privatizado pela gestão passada. A demora que houve para a concretização deste sonho é  porque antes não era uma prioridade. Mas o VLT ganhou força com o PAC da Mobilidade Urbana e o projeto para a Grande Natal é elogiado pela CBTU nacional e pela Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana”.

Enilson Medeiros, doutor em transporte cedido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que atua como consultor junto à equipe técnica da CBTU, frisou a importância de ser criada uma cultura que valorize o transporte ferroviário. “O projeto partiu da estrutura existente porque é um legado histórico da sociedade potiguar e vamos começar com um salto de qualidade na linha atual. Mas é preciso ser criado um movimento de valorização do trem, pois temos a cultura do ônibus e do carro. Temos que reconhecer a existência do trem e o papel da tarifa de R$ 0,50 é fundamental no dia a dia da população de baixa renda. A proposta é construir um embrião reestruturador de uma rede férrea em grande escala. A projeção é que em 15 anos o serviço de trem seja como o serviço de ônibus, 50% para cada”.

A concorrência pública para licitação do projeto do VLT está programada para fevereiro de 2014. A CBTU está aguardando a confirmação da vinda dos recursos pela presidente Dilma Rousseff e a estimativa é de que a obra tenha todas as suas etapas concluídas entre 2016 e 2017. Será realizada uma substituição gradativa do sistema antigo.

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    • Aderbal Martins

      Ai sim é que é projeto. Devemos bater palmas se realmente for concretizado esse plano de Governo Federal. Parabéns a equipe que desenvolve o projeto para o RGNorte.